Beira é uma cidade de Moçambique, capital da província de Sofala. A localidade tem o estatuto de cidade desde 20 de Agosto de 1907 e, do ponto de vista administrativo, é um município com um governo local eleito. Beira é a segunda maior cidade de Moçambique, logo após a capital do país, Maputo, contando com uma população de 431.583 habitantes de acordo com o Censo de 2007.
A cidade de Beira foi originalmente desenvolvida pela Companhia de Moçambique no século XIX, e depois diretamente pelo governo colonial Português entre 1942 e 1975, ano em que Moçambique obteve sua independência de Portugal. Atualmente a cidade se encontra modernizada, embora ainda mantenha algumas áreas degradadas e problemáticas, como é o caso do Grande Hotel Beira. Depois de Maputo e Nacala, Beira é o terceiro maior porto marítimo para o transporte internacional de cargas de e para Moçambique.
História
Beira - Rua Conselheiro Enes - 1905
A povoação foi fundada pelos portugueses em 1887, numa área conhecida pelo nome de Aruângua, e logo suplantou Sofala como principal porto no território da atual província de Sofala. Originalmente chamada Chiveve, o nome de um rio local, foi rebatizada para homenagear o Príncipe da Beira, Dom Luís Filipe, primogénito de D. Carlos I que, em 1907, foi o primeiro membro da família real portuguesa a visitar Moçambique, trazendo de Lisboa o decreto real que elevava Beira à categoria de cidade. Tradicionalmente, o príncipe herdeiro de Portugal levava o título de Príncipe da Beira, província histórica de Portugal.
A administração portuguesa construíu um porto e famílias portuguesas
se estabeleceram na localidade recém-fundada, e começaram a desenvolver
atividades comerciais. A cidade passou a ser administrada pela Companhia de Moçambique, fundada em 1891 e que tinha sua sede em Beira. Foi então construída uma ferrovia que ligava à então Rodésia, aberta em 1899. Em 20 de agosto de 1907, Beira era elevada à condição de cidade, um ano depois era inaugurada a iluminação elétrica e, em 1911, um serviço telefónico urbano. Em 1926, ainda não existiam automóveis em Beira, porém, em 1934 estes já somavam 596, bem como duas companhias de transportes coletivos.
Em 1942,
com o fim da concessão da Companhia de Moçambique, a administração da
cidade reverteu para a administração direta do governo Português. A
construção de uma nova estação ferroviária foi concluída em 1966. Antes da independência, a Beira era destaque por seu porto marítimo bem equipado, uma das principais instalações de seu tipo em toda a África Oriental,
e também pelo turismo, pesca e comércio. A cidade prosperou como um
porto cosmopolita com diferentes comunidades étnicas (portugueses,
indianos, chineses, africanos indígenas) empregadas na administração,
comércio e indústria. O grande número de habitantes que fala inglês
deve-se ao facto da cidade ter sido um destino de férias preferido para
os brancos da Rodésia. Um sinal desta época é o Grande Hotel construído perto da costa do Oceano Índico. Em 1970, a cidade da Beira possuía 113.770 habitantes.
Após a independência de Portugal
Após a independência de Portugal em 1975, a maioria dos portugueses deixaram a cidade. Moçambique foi devastado por uma guerra civil entre 1976 e 1992, que opunha os marxistas da FRELIMO, que controlavam o governo, e os rebeldes da RENAMO,
chegando próximo ao caos total em dois anos e gerando fome, doença e
miséria. O Grande Hotel foi ocupado por cerca de 1.000 beirenses
desabrigados, e no fim da guerra civil, a cidade estava bastantes degradada.
Em 2000,
inundações em Moçambique devastaram Beira e as regiões próximas,
deixando milhões de desabrigados e causando graves danos à economia
local.
Património da cidade da Beira
Casa dos Bicos
Estação Ferroviária da Beira
Geografia
Beira, capital da província de Sofala, está localizada a cerca de 1190 km a norte de Maputo, no centro da costa do Oceano Índico. É uma cidade portuária no Canal de Moçambique. O município tem uma área de 633 km²,
uma altitude média de 14 metros acima do nível do mar e está situado
nas coordenadas 19° 50' sul e 34° 51' leste. Tem limite ao norte e oeste
com o distrito de Dondo, a leste com o Oceano Índico e ao sul com o distrito do Búzi.
A cidade está localizada numa região pantanosa, junto à foz do Rio Púnguè, e sobre alongamentos de dunas de areia ao longo da costa do Índico. A vegetação natural é caracterizada por terras baixas e litoral com mangais.
Clima
Beira é caracterizada por um clima tropical húmido chuvoso de savana, com temperaturas elevadas e húmidas no verão, especialmente durante a estação das monções de verão (hemisfério sul) de Outubro a Fevereiro.
Dados climatológicos para Beira
Mês
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Ano
Temperatura máxima registrada (°C)
38
39
35
38
36
32
33
34
37
37
40
38
40
Temperatura máxima média (°C)
31
30
29
28
26
24
24
25
27
28
29
29
28
Temperatura mínima média (°C)
26
26
26
24
21
19
18
19
21
23
24
26
23
Temperatura mínima registrada (°C)
21
21
18
18
14
12
11
13
12
16
18
14
11
Precipitação (mm)
266,7
259,1
264,2
116,8
66
40,6
33
33
25,4
33
121,9
243,8
1 478,3
Fonte: weatherbase.com 6 de junho de 2010
Economia
A cidade vive do comércio e do porto, que movimenta carga geral
(carga solta/não contentorizada), mas também existe um terminal de contentores. Na maré alta, o canal de navegação tem apenas 6,20 - 7,40 m de profundidade. A cidade está na origem de dois corredores de transporte. O Corredor da Beira liga ao Zimbabué, por via rodoviária e ferroviária e facilita o acesso do interior do continente ao litoral como, por exemplo, de Lusaka, capital da Zâmbia, país sem acesso directo ao mar. O segundo corredor liga ao Malawi e é neste momento exclusivamente rodoviário. Depois de atravessar o rio Zambeze pela Ponte Dona Ana, a linha ferroviária toma o sentido noroeste em direcção Moatize
para servir as futuras minas de carvão locais. O ramal que ligava ao
Malawi ainda não foi reabilitado. Todas essas ferrovias têm "bitola do
Cabo" e podem carregar uma carga por eixo de 16t, e 17t no Zimbabué.
O porto comunica, através de um sistema de rádio com a Cidade do Cabo
e, assim, indirectamente com todos os outros portos mais importantes do
mundo. Os principais produtos de exportação do porto são açúcar,
tabaco, milho, algodão, fibra de pita agave, cromo, minério de ferro,
cobre e chumbo, carvão.
O Corredor da Beira contém também um oleoduto que liga o porto da Beira ao Zimbabué.
Demografia
Crescimento populacional
ano
população
%
1940
24.700
-
1950
42.000
70,0
1960
58.200
38,6
1970
113.770
95,5
1980
230.744
102,8
1997
412.588
78,8
2007
431.583
4,6
Mulheres beneficiando arroz na Beira
Pescadores consertando rede na Beira
De acordo com o censo de 2007,
Beira possuía uma população total de 431.583 habitantes, sendo 219.624
homens e 211.959 mulheres. Um total de 259.728 habitantes tinha 15 ou
mais anos de idade.
A população da cidade da Beira pertence na sua maioria ao grupo
Bangwe, resultante do cruzamento ocorrido entre os Machangas, Matewes e
Podzos do vale do Zambeze.
A maioria da população é cristã, havendo também um elevado número de muçulmanos e hindus.
Política e Administração
O actual presidente do Conselho Municipal da Beira é Daviz Simango, eleito em 2003 como representante da Renamo-UE e reeleito em 2009 como independente.
A RENAMO seleccionou outro candidato para as eleições de 2009,
levando a que Daviz Simango concorresse como candidato independente. A
Beira foi o único município que não foi ganho pelo Partido Frelimo . Daviz fundou, em seguida, o partido do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).
Deviz Simango sucedeu a Chivavice Muchangage, o primeiro Presidente de Conselho Municipal eleito em 1998 pelo Partido Frelimo.
O município encontra-se dividido em cinco postos administrativos:
Urbano nº 1, Urbano nº 2, Urbano nº 3, Urbano nº 4 e Urbano nº 5
, que se dividem em 26 bairros: Macuti, Palmeiras, Ponta-Gêa, Chaimite,
Pioneiros, Esturo, Matacuane, Macurungo, Munhava-Central, Mananga, Vaz,
Maraza, Chota, Alto da Manga, Nhaconjua, Chingussura, Vila Massane,
Inhamízua, Matadouro, Mungassa, Nduna, Manga Mascarenha, Muave, Nhangau,
Nhangoma e Tchonja.
Religião
A Arquidiocese da Beira, em latim: Archidioecesis Beirensis, é uma sede metropolitana católica de rito latino, com sede nesta cidade e criada em 4 de junho de 1984.
Educação
A nível do ensino superior privado, a cidade abriga várias faculdades e outros serviços da Universidade Católica de Moçambique (UCM), uma universidade privada que foi fundada pela Igreja Católica em 1996.
Na beira encontram-se a Faculdade de Economia e Gestão, a Faculdade de
Ciências de Saúde, o Centro de Ensino à Distância, o Centro de Pesquisa
em Gestão e Economia Aplicada (Gea-Consult), o Centro Santo Agostinho, o
Centro de Investigação Geográfica (CIG) e o Centro de Investigação de
Doenças Infecciosas (CIDI).
A cidade ainda é sede da Universidade Jean Piaget de Moçambique(UNIPIAGET), fundada em 2002, pertencente ao Instituto Piaget de Portugal. Uma nova universidade, a Universidade Adventista de Moçambique (UAM), deverá ser inaugurada ainda em 2010. .
Quanto ao ensino superior público, a Beira dispõe da Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane e ainda de uma delegação da Universidade Pedagógica. Em 16 de Marco de 2009 entrou em funcionamento a UniZambeze (Universidade Zambeze) , uma universidade pública com a missão de servir a região central do país.
Turismo
Catedral da Beira
Farol do Rio Macuti
O turismo é uma indústria em potencial para a Beira, mas os retornos
são, até ao momento, limitados. Os atrativos turísticos da Beira incluem
a Catedral da Beira, a Estação Ferroviária, o Farol do Rio Macuti, a Praia Macuti e mesmo o Grande Hotel. A Beira é a porta de entrada para o Parque Nacional da Gorongosa, um dos principais parques nacionais de Moçambique, situado a 170 km a noroeste da cidade. A cidade ainda não possui infraestrutura
adequada para o turismo internacional. São poucos restaurantes e hotéis
de padrão turístico e a segurança pública é deficiente em algumas
áreas.
Praias
A orla marítima estende-se desde o Grande Hotel até ao Farol do Rio Macuti. As melhores praias da cidade localizam-se entre o Clube Náutico da Beira e o Farol.
A praia de Savane
está localizada a 32 km da cidade. A viagem de barco até ao local tem
uma duração de entre 5 a 10 minutos, e nela se podem observar variadas
espécies de pássaros. Outra praia de referência é a Praia Nova, situada em mar aberto.
Reserva Nacional de Marromeu
A Reserva Estatal de Marromeu está situada a Sul do Delta do Zambeze, é uma das mais ricas em biodiversidade na região da África Austral
e compreende a reserva e as coutadas oficiais nº. 10, 11, 12 e 14.
Sendo uma zona para safári turístico, é possível praticar safári
fotográfico, pesca no mar e no rio, e a canoagem no rio Zambeze. Pode-se observar animais como: búfalos, hipopótamos, porcos bravos, aves marinhas e terrestres, e colónias de pelicanos brancos, entre outros animais.
Transportes
Aeroporto internacional da Beira
Há muito tempo que a Beira é um local importante para o comércio
externo do Zimbabué, Malawi e Zâmbia, principalmente devido ao seu
porto, o segundo maior de Moçambique. A importância do porto ficou
demonstrada durante a Guerra Civil Moçambicana, quando as tropas zimbabueanas protegeram a ferrovia e a estrada que ligam Beira a Mutare, a fim de de permitir a continuação do comércio.
O caminho de ferro para o Zimbabué tinha originalmente uma bitola de 610 mm (2 pés), mas foi convertido para 1067 mm (3 pés e 6 polegadas) em 1900. A cidade conta com uma imponente Estação de Caminho de Ferro
Em Abril de 2008, o governo anunciou a sua intenção de modernizar os portos da Beira e Nacala, este último mais ao norte, com um custo estimado de 500 milhões e 400 milhões de dólares, respectivamente.
O governo afirmou também que planeja modernizar a infraestrutura
rodoviária e ferroviária ao redor do porto de modo a melhorar a ligação
deste com as minas do país.
Há também um serviço de batelão que liga a cidade a povoações vizinhas, especialmente o Búzi. A Beira é servida pelo Aeroporto Internacional da Beira situado a nordeste da cidade, com voos domésticos e internacionais.
A estrada que liga a cidade ao Zimbabwé é parte de um dos eixos da Rede Rodoviária Transafricana em desenvolvimento, a Estrada Beira – Lobito, ligando a Beira ao porto atlântico do Lobito, Angola.
Desporto
Beira possui vários clubes e arenas desportivas. Algumas equipas de futebol disputaram ou disputam o Campeonato Moçambicano de Futebol ou Moçambola. De entre as infraestruturas desportivas está o Estádio do Ferroviário (capacidade 7 000 pessoas) do Clube Ferroviário da Beira e onde o Sporting Clube da Beira, que não possui estádio, também realiza seus jogos. O Estádio Chiveve com capacidade 8 000 pessoas pertencente ao Grupo Desportivo da Companhia Têxtil do Punguè e o Estádio Beira (capacidade 8 000 pessoas) do Estrella Beira. A temporada de 2010 do campeonato (Moçambola-2010), a competição mais importante de futebol realizada em Moçambique, possui duas equipas da cidade de Beira, o Clube Ferroviário da Beira e o Sporting Clube da Beira, ambos realizando seus jogos no Estádio do Ferroviário.
O único título obtido por uma equipa da cidade no campeonato, disputado desde 1976, foi conquistado pelo Grupo Desportivo da Companhia Têxtil do Punguè em 1981.
Cidades-irmãs
Porto, Portugal
Bristol, Reino Unido (desde 1990)
Pádua, Itália
No passado, Beira era irmanada com Amsterdã, Holanda (até 2005)
Cidadãos ilustres
Mia Couto (* 1955) escritor
Pedro Boese (* 1972) artista
Carlos Cardoso (* 1951) ( † 22 de novembro de 2000, Maputo) jornalista
Tasha de Vasconcelos (* 1974) atriz, modelo
João Luis Sol de Carvalho (* 1953) escritor, diretor de cinema
José Rodrigues dos Santos (*1964) jornalista e escritor português
Maria Rueff (*1972) atriz portuguesa
Orlick Fone (*1979) DJ, produtor de música.
Mensagem ao povo de Moçambique Queridos irmãos de Moçambique, não guardem ódio do povo português, pois este, tanto quanto vocês foram e são vítimas desta mentalidade hipócrita que infelizmente ainda prevalece na alta sociedade portuguesa quase toda modelada nos padrões e patrões liberais. Deles, que nos ceifaram tantas vidas, vamos apenas evitar que voltem ao poder! Vamos separar o trigo do joio e continuar juntos......... JPL - o fundador deste Blog.
A CHEGADA DO PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS À FAZENDA PONTE ALTA EM SANTANA DE BARRA - BARRA DO PIRAÍ - EST. DO RIO DE JANEIRO - AGOSTO DE 1950.
CHEGOU DE AVIÃO QUE POUSOU NA PRÓPRIA FAZENDAE FOI RECEBIDO PELO SENADOR PAULO FERNANDES E SUA ESPOSA IZA FERNANDES, PROPRIETÁRIOS DA MESMA E SEUS FUNCIONÁRIOS, CUJOS NOMES SEGUEM ABAIXO.
Eis os nomes dos funcionários da Fazenda, que estão na foto com o Pres. Getúlio Vargas.
Da esq. p/direita: 1) - Jesus, garçon da confeitaria Colombo do Rio de Janeiro. 2) - Joaquim, eletricista da fazenda
3) - Antônio Dias, cabeça branca, (atrás)
4) - Aguinaldo, treinador do time de futebol da fazenda(atrás)
5) - Fortunata, lavadeira da fazenda
6) - Agenor
7) - Getúlio
8) - Manuel Domingues, atrás, (não aparece)
9) - Carlos, (atrás) acessor de Getúlio
10) Geraldo Machado, treinador de cavalos da fazenda
11) Luís, motorista, na frente ao lado de Getúlio
12) Djalma, Churrasqueiro
13) Alcides
14) Arnaldo, motorista da fazenda.
GENEALOGIA DE GETÚLIO - GETÚLO VARGAS ERA DESCENDENTE DE PORTUGUESES DOS AÇORES
Obs. Maiores detalhes sobre a vida de Getúlio Vargas, clique em Política e Economia
PATRIAM CHARITATEM ET LIBERTATEM DOCVI
(traduzido do latim, significa: "À Pátria, Ensinei a Caridade e a Liberdade"
Prefeito(a)
Alexandre Barbosa (PSDB)
(2013–2016)
Localização
Localização da Estância Balneária de Santos em São Paulo
Santos
Localização da Estância Balneária de Santos no Brasil
23° 56' 13.16" S 46° 19' 30.34" O
Unidade federativa
São Paulo
Mesorregião
Metropolitana de São Paulo
Microrregião
Região metropolitana
Baixada Santista
Municípios limítrofes
Norte: Santo André e Mogi das Cruzes;
Leste: Bertioga;
Sul: Oceano Atlântico e Guarujá (Ilha de Santo Amaro);
Oeste: São Vicente e
Noroeste: Cubatão.
Distância até a capital
77 km
Características geográficas
Área
280,300 km²
População
419 757 hab. Censo IBGE/2010
Densidade
1 497,53 hab./km²
Altitude
2 m
Clima
tropical Af
Fuso horário
UTC−3
Indicadores
IDH
0,871 (SP: 3°) – elevado PNUD/2000
PIB
R$ 24 614 406,080 mil IBGE/2008
PIB per capita
R$ 58 954,12 IBGE/2008
Página oficial
Santos é um município portuário sede da Região Metropolitana da Baixada Santista, localizado no litoral do estado de São Paulo, no Brasil. Abriga o maior porto da América Latina, o qual é o principal responsável pela dinâmica econômica da cidade ao lado do turismo, da pesca e do comércio. A cidade é sede do poder executivo paulista todo dia 13 de junho (capital simbólica de São Paulo) e também é sede de diversas instituições de ensino superior.
Santos possui uma economia crescente. A cidade é a 17ª mais rica do país, com produto interno bruto de 27 616 035 000 bilhões de reais. Durante um bom tempo, sua economia centrou-se na comercialização do café (que também era a principal fonte de riqueza do país), abrigando, no Centro, a Bolsa Oficial do Café, importante centro de negócios do mercado cafeeiro inaugurada em 1922, e que resultou no atual Museu do Café, espaço que promove exposições sobre a trajetória do produto pelo Brasil e pela cidade e que é decorado com obras do artista Benedito Calixto.
Maior cidade do litoral paulista, durante todo o ano o turismo em Santos cresce em altos índices. O principal cartão postal do município são os 7 km de praia. O Livro dos Recordes situa os jardins da orla de Santos como formadores do maior jardim frontal de praia em extensão do mundo. A preservação e o cuidado com a flora do ambiente praiano santista, permeado de palmeiras e amendoeiras, são resultados de um trabalho em conjunto dos departamentos de meio ambiente da região, muitas vezes ligados a universidades ou a instituições científicas. Em 2010, Santos contava com 419 757 habitantes, segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento de 2000 posicionou a cidade de Santos em sexto lugar na lista dos municípios brasileiros por índice de desenvolvimento humano, e em terceiro lugar na lista dos municípios de São Paulo por índice de desenvolvimento humano. Santos é uma das cidades mais antigas do país e de grande valor histórico por acompanhar o crescimento e a evolução do Brasil em seus primeiros anos de colônia até os dias atuais, surgindo como um município de valor cosmopolita, portuário, ecológico e cultural.
História
Os Primórdios da povoação
Fundação de Santos, por Benedito Calixto.
Verificam-se relatos a respeito da Ilha de São Vicente apenas dois anos após o descobrimento oficial do Brasil, em 1502, com a expedição de Américo Vespúcio para o reconhecimento da costa brasileira. Ao passar pela ilha dantes conhecida pelos indígenas sob o nome de Goiaó (ou Guaiaó), a expedição decidiu dar-lhe o nome do santo do dia, São Vicente.
A coroa portuguesa
interessou-se pouco pela região nos trinta anos que se seguiram à
expedição. Durante este tempo, vários corsários e piratas acudiam à
região em busca do pau-brasil, madeira nobre que era objeto de cobiça na época, largamente explorada pelos portugueses na Mata Atlântica abundante da região.
Casa do Conselho ou Câmara e Cadeia, por Benedito Calixto.
No entanto, em 1531, devido à decadência dos negócios da coroa
portuguesa na Índia, o Brasil volta ao centro das atenções. Uma esquadra
de demarcação e posse de territórios é enviada pelo monarca D. João III à Ilha de São Vicente. O chefe da esquadra, o navegador Martim Afonso de Sousa, encontra na entrada do atual estuário de Santos (Ponta da Praia)
um pequeno povoado e um atracadouro, conhecido como Porto de São
Vicente. Um dos degredados trazidos pela expedição de Américo Vespúcio, Cosme Fernandes,
fundara aí essa colônia, e prosperava graças ao comércio com os
indígenas. A vila de São Vicente também refletia a prosperidade das
atividades econômicas de Fernandes.
Martim Afonso, no entanto, expulsou Cosme Fernandes das terras e ocupou o porto de São Vicente. Também distribuiu sesmarias na parte norte da ilha, conhecida como Enguaguaçu, onde se encontravam terras adequadas ao plantio. Aí, se estabeleceram colonizadores portugueses, tais como Luís de Góis
(e sua esposa Catarina de Andrade), Domingos Pires, Pascoal Fernandes,
Francisco Pinto, Rui Pinto e os irmãos José e Francisco Adorno, que
construíram um engenho perto do atual Morro de São Bento.
A vida do novo povoado, entre 1530 e 1543, passou a girar em torno do
engenho e do plantio. Com a invasão e saqueio da vila de São Vicente por
Cosme Fernandes, que se vingou por haver sido expulso em 1531 por Martim Afonso de Sousa e, com o maremoto posterior que danificou seriamente essa vila, a população do povoado do Enguaguaçu só fez crescer.
Em 1543, com o término da construção de uma capela num outeiro em homenagem a Santa Catarina por Luís de Góis, Brás Cubas
conseguiu a transferência do Porto para o sítio do Enguaguaçu, que era
mais seguro e o apoio do povoado era necessário para as embarcações que
aportavam e para o fornecimento das mercadorias a exportar. O fidalgo
português também levou a cabo a instalação de um hospital, nos moldes da
Santa Casa de Lisboa, acelerando o desenvolvimento do local. O hospital foi denominado Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos e foi o primeiro hospital das Américas. O novo povoado de Enguaguaçu passou então a ser conhecido como o povoado de Todos os Santos.
Uma outra hipótese sobre o nome Santos viria do porto de Santos que
havia em Lisboa, semelhante ao local do novo povoado. Daí, então a
região próxima ao Outeiro era conhecida como "Vila do Porto de Santos", e
depois, apenas "Santos".
Dessa forma, o povoado cresceu em importância: foi elevado à condição
de vila por Brás Cubas em 1546 (data controversa, o ano de 1543 também é
defendido por certos historiadores), vivendo os seus primeiros anos de
ocupação por imigrantes portugueses e espanhóis. A Capela de Santa
Catarina se tornou a Igreja Matriz da vila. Ainda hoje, comenta-se o
fato de Santos ser uma das poucas cidades que conhecem exatamente o seu
local de nascimento: o Outeiro de Santa Catarina, que existe até hoje.
Atribui-se a fundação de Santos a Brás Cubas, sertanista português que, em 1536, recebeu a mais vasta sesmaria do litoral da Capitania de São Vicente.
Em 1543, Brás Cubas instalou às margens da baía a Casa de Misericórdia
de Todos os Santos para abrigar doentes dos navios que chegavam da
metrópole. O povoado, com nome simplificado de Santos foi elevado à
categoria de vila em 1545.
Desenvolvimento Colonial
Café sendo embarcado no porto de Santos em 1880, por Marc Ferrez.
Bolsa do Café em Santos.
A segunda metade do século XVI foi significativa para Santos: criaram-se a Alfândega de Santos em 1550 — o mesmo ano da chegada dos padres jesuítas para a catequização dos índios tupis que ali moravam em núcleo, o arsenal de defesa em 1552, e instalou-se a ordem dos carmelitas em 1589.
Mas também foi uma época em que Santos sofreu com a invasão e com os
saques dos corsários, por ser um porto relativamente próspero.
O saque do pirata Thomas Cavendish, em 1591, deu origem em Santos à lenda do milagre de Nossa Senhora do Monte Serrat,
padroeira da cidade. Conta a lenda que a população santista se refugiou
num dos morros da cidade, o morro de São Jerônimo, para escapar aos
piratas. Neste morro havia uma capela à qual um fidalgo espanhol
trouxera uma imagem de Nossa Senhora de Montserrat (daí o nome dado ao morro, Monte Serrat).
A população orava na capela de Montserrat quando os piratas começaram a
subir para atacá-los e um deslizamento de terra, atribuído à Santa, os
fez fugir. Desde então, Nossa Senhora do Monte Serrat é celebrada como
padroeira da cidade, e seu dia é comemorado no dia 8 de setembro.
Cavendish também destruiu o Outeiro de Santa Catarina e o Engenho dos Erasmos, sendo um dos responsáveis pelo declínio da incipiente economia canavieira da Capitania de São Vicente.
Thomas Cavendish permaneceu por dois meses em Santos, saqueando o que
podia, chegou a roubar dois sacos de ouro que teriam vindo de uma mina
no pico da Jaraguá. Partiram daí para o Estreito de Magalhães com a
finalidade de atacar as colônias espanholas, mas devido ter se demorado
muito em Santos, pegaram mau tempo no Estreito de Magalhães onde ficaram
presos, muitos de sua tripulação morreu de frio e de fome, tendo
retornado a Santos para pedir ajuda na Santa Casa.
No século XVII,
seguindo uma tendência de toda a Capitania de São Vicente, a vila de
Santos entra em um longo e lento processo de estagnação e posterior
decadência. Muitos habitantes da vila, na tentativa de buscar uma
atividade econômica, se juntavam aos habitantes da vila de São Paulo de Piratininga e partiam nas expedições conhecidas como bandeiras.
No fim do século XVIII,
a vila retoma o desenvolvimento e sua população começa a crescer. A
construção da Calçada do Lorena - estrada de ligação de Santos com São
Paulo, o desenvolvimento na infra-estrutura (iluminação pública,
melhoramentos no porto) e a posterior abertura dos portos brasileiros com a vinda da família real portuguesa reativaram o dinamismo econômico da vila.
Cabe destacar que vários episódios relacionados à independência do Brasil ocorreram em Santos, tais como a rebelião militar dos Quartéis de Santos liderada de Chaguinhas contra a tentativa das Cortes Constitucionais de Lisboa de fazer retroceder o Brasil à condição de colônia, e a passagem de D. Pedro I
por Santos, antes do célebre Grito da Independência. Aliás,
note-se que o imperador nunca escondeu sua simpatia pela região,
chegando a conferir à sua amante o título de Marquesa de Santos.
Elevação à Categoria de Cidade
Santos foi elevada à categoria de cidade em 26 de janeiro de 1839
quando a Assembleia Provincial (que hoje equivale a Assembleia
Legislativa Estadual) resolveu aprovar uma Lei que elevou a Vila de
Santos à condição de Cidade, assinada por Venâncio José Lisboa,
presidente da Assembleia. Logo, comemora-se a cada dia 26 de janeiro o
aniversário da cidade - não apenas o de sua elevação à categoria de
Cidade, mas também o da sua fundação por Brás Cubas.
Abaixo segue transcrita a lei de elevação. Era curiosa a metodologia
da escrita na forma de fazer e sancionar as leis na época: existia um
cabeçalho realmente grande, além do fato de a Lei ser específica (e não
como ocorre atualmente, com nuances):
"O Dr. Venâncio José Lisboa, presidente da Província de São Paulo (Nota: Esse cargo equivale ao atual Governador), etc. Faço saber a todos os seu habitantes que a Assembleia Legislativa Provincial decretou e eu sancionei, a lei seguinte:
Artigo único – Fica elevada à categoria de Cidade de Santos, a Villa do mesmo nome, pátria do conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, revogadas para isso as disposições em contrário (Nota:
Já existia o hábito de escrever "Revoga-se …", pois é mais fácil do que
pesquisar o intrincado arquivo legislativo adotado até essa época).
Mando, portanto a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução
da referida lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão
inteiramente como nella se contém. O Secretário desta Província a faça
imprimir, publicar e correr. Dada no Palácio do Governo de São Paulo,
aos 26 dias do mês de janeiro de 1.839. (a) Venâncio José Lisboa".
Modernização de Santos
A economia do café no Brasil representou um impulso sem precedentes de crescimento para Santos. A inauguração da ferrovia São Paulo Railway ligando Santos às lavouras cafeeiras de Jundiaí em 1867 foi uma fonte de progresso inestimável, principalmente para o porto. A cidade aumentou sua população sobremaneira, ocupando toda a área entre o porto e o Monte Serrat, e as áreas conhecidas como Paquetá e Macuco. A cidade também fervilhava de ideias: foi um dos centros do movimento abolicionista, com a figura de Quintino de Lacerda e seu famoso quilombo no bairro do Jabaquara. O Teatro Guarany, primeiro grande teatro da cidade e palco de manifestações pela abolição, foi inaugurado em 1888.
Com a abolição da escravatura e a vinda de mão-de-obra italiana
para substituir o trabalho dos negros, na agricultura, Santos se
caracterizou como a porta de entrada do Brasil para os esperançosos imigrantes italianos e japoneses. Muitos deles acabaram se fixando na própria cidade ao invés de seguirem o destino até então traçado para eles.
O aumento populacional também acarretou problemas: uma grande epidemia de febre amarela em 1889
dizimou setecentas pessoas. Santos sofria constantemente com as
doenças, com os alagamentos. A falta de saneamento básico era um
problema, as doenças e os cortiços também. O Porto de Santos era temido,
considerado o "porto da morte". Para sanar tais problemas, duas obras
foram fundamentais: o Porto Organizado, inaugurado em 1892 pelos empresários Cândido Gaffrée e Eduardo Guinle, e o Saneamento de Santos, que é o responsável pelo fim definitivo das doenças e pela salubridade de Santos. A genialidade do projeto do engenheiro Saturnino de Brito teve o triplo mérito de drenar as planícies alagadas com os canais de drenagem
- hoje marcos da paisagem urbana santista - de preservar a memória
histórica do Centro e de ordenar a ocupação urbana da Ilha de São
Vicente com um plano de ruas.
O século XX: o turismo e a luta pela autonomia
Santos em 1910, por Benedito Calixto.
Santos se tornou definitivamente uma cidade turística a partir dos anos 1910, com a construção dos hotéis Internacional e Parque Balneário e com a construção dos jardins da orla de Santos
a partir de 1935. Até hoje, o turismo em Santos é uma das atividades
econômicas principais, ligado principalmente às praias e ao patrimônio histórico.
Durante o regime militar de 1964, Santos teve a sua autonomia política suspensa: por abrigar o maior porto do Brasil, a cidade foi designada área de segurança nacional pelo governo, perdendo, assim, o direito de eleger prefeito. O prefeito eleito democraticamente Esmeraldo Tarquínio, foi cassado em 1968, o que representou um duro golpe para a cidade.
No início dos anos 1980, com o enfraquecimento do regime, pressões políticas pela volta da autonomia cresceram. Finalmente, em 1983,
Santos recuperou sua autonomia. A cidade elegeu de maneira democrática o
primeiro prefeito em vinte anos, que era ao mesmo tempo um dos
principais nomes do movimento pela autonomia: Oswaldo Justo (ligado ao PMDB).
Dias atuais
O navio de cruzeiro MSC Opera partindo do porto de Santos. Ao fundo: Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande (1584).
Durante a década de 1990, como resultado de um processo vindo já dos década de 1980, Santos enfrentou uma crise no turismo devido à piora na balneabilidade das suas praias.
A cidade passou a recuperar-se a partir do início da década de 1990, em
um trabalho de reversão da imagem negativa adquirida ao longo da década de 1970.
O comércio cresceu na cidade, e surgiram casas noturnas, agências de recepção turística, hotéis e flats. Em 1991, a Bienal de Artes Plásticas
de Santos, interrompida por dezoito anos, voltou a ser realizada, no
intuito de recuperar a identidade cultural do município. A partir de 1993, a prefeitura passou a investir no turismo, com revitalizações paisagísticas e construções de ciclovias na cidade. Deste modo, Santos foi considerada a cidade mais visitada por turistas estrangeiros no litoral paulista.
A partir de 1999, ocorreram projetos de revitalização da área central da cidade, reconhecida como Centro Histórico.
Foram oferecidos incentivos fiscais às empresas em troca de
restaurações de prédios depredados, o que melhorou consideravelmente seu
aspecto e trouxe empresas para a região. Programações culturais e
artísticas atraíram restaurantes e clubes, como a reativação do Teatro Coliseu Santista e a implantação do Bonde Turístico.
Geografia
Aspectos físicos e ambientais
Foto de satélite com a área insular de Santos ao centro da imagem.
Mapa indicando a área insular e a área continental de Santos.
Divide-se em duas áreas geográficas distintas: a área insular e a área continental. As duas áreas diferem tanto em termos demográficos, quanto em termos econômicos e geográficos.
Área insular
Estende-se sobre a Ilha de São Vicente, cujo território é dividido com o município vizinho de São Vicente. Com uma área de 39,4 km² , densamente urbanizada, abriga quase a totalidade dos habitantes da
cidade. Ela compreende uma área plana — extensão da Planície Litorânea
do estado de São Paulo
— a qual apresenta altitudes que raramente ultrapassam os vinte metros
acima do nível do mar, e uma área composta por morros isolados
denominada Maciço de São Vicente, de origem antiga e dotada de uma
ocupação urbana irregular com uma mescla de tecidos caracterizados por
alta e baixa renda, cuja altitude não ultrapassa os 200 metros acima do
nível do mar.
Sobre a região plana da ilha de São Vicente já não há quase
vegetação, devido ao alto processo de impermeabilização do solo urbano.
Na região norte da ilha, nos bairros da Alemoa, do Chico de Paula e do Saboó ainda verificam-se resquícios de manguezais.
Antes da ocupação da área plana da ilha por chácaras (e posteriormente
pela urbanização), aí encontravam-se vastos terrenos alagados cobertos
por manguezais, pela Mata Atlântica e vegetação rasteira próxima à praia.
Ainda podemos encontrar nos morros, vastos exemplares de Mata Atlântica nativa, apesar das chácaras e dos bananais existentes. A Lagoa da Saudade, localizada no Morro da Nova Cintra, de baixa altitude, é conhecida por abrigar uma espécie de jacaré. A ocupação desordenada representa um risco tanto ambiental quanto geológico: o desmatamento leva a frequentes deslizamentos de terra, sobretudo de janeiro a março, tradicional época de chuvas na região.
A maioria dos rios da parte insular foi canalizada quando o engenheiro Saturnino de Brito
projetou o sistema de canais da cidade. Como exemplos, podemos citar o
rio Dois Rios e o Ribeirão dos Soldados (atual canal da av. Campos
Salles). No entanto, alguns grandes cursos d'água ainda cortam a ilha no
norte, como é o caso do rio São Jorge, que sofre de problemas de poluição e assoreamento devido à ocupação de suas margens por favelas.
Área continental
Estende-se por 231,6 km², representando a maior parte do território do município. Quase 70% dessa área é classificada como Área de Proteção Ambiental por estar situada dentro dos limites do Parque Estadual da Serra do Mar e por abrigar uma grande área de Mata Atlântica nativa sobre as escarpas da Serra do Mar.
Nas partes planas da área continental encontram-se vastas extensões
de manguezais ao longo do Canal de Bertioga, cortadas por rios que
formam meandros na planície: rios Diana, Sandi, Iriri e Quilombo. Os vales
desses rios em geral são ocupados por sítios e bananais, a atividade
rural apresentando-se em geral bem rudimentar. Os sítios ocupam uma área
chamada de mata de jundu, composta de palmitais e palmeiras
locais. Essa mata, no entanto, está seriamente danificada pela ocupação.
Essas áreas hoje são consideradas área de expansão urbana pelo Plano Diretor
de Santos. A ocupação urbana no local é bem rudimentar e rarefeita,
sendo mais representativa nos povoados (bairros) de Iriri e Caruara.
Santos também possui uma área pequena em terras de planalto, no alto da Serra do Quilombo (limites com Santo André, Mogi das Cruzes e Bertioga). O ponto mais alto do município fica a 1.136 m de altitude, próxima a nascente do Rio Itatinga.
Ao norte do Rio Quilombo, há problemas ambientais também devido à expansão do Pólo Industrial de Cubatão. Ao sul desse vale, no bairro do Sítio das Neves, encontra-se o aterro sanitário municipal, no terreno de uma antiga pedreira.
Clima
Santos possui clima tropical litorâneo úmido. Os verões são quentes e úmidos (com pluviosidade média acima dos 270 mm no mês de janeiro), enquanto os invernos têm como característica temperaturas mais amenas e menor incidência de chuvas (pluviosidade média em torno dos 70 mm em agosto). Primavera e outono se caracterizam como estações de transição. A precipitação média anual é de 3.207 mm.
Apesar dessas definições, certas variações de temperatura podem ser
sentidas mesmo nas épocas mais quentes ou mais frias do ano. No verão, a
penetração de frentes frias
é um fenômeno bastante comum, trazendo chuvas que amenizam as altas
temperaturas da época, enquanto no inverno, a incidência de ventos
provenientes de noroeste (que normalmente precedem a entrada de frentes
frias) chegam a elevar as temperaturas acima dos 35 °C durante tarde,
com temperaturas superiores a 25 °C durante a madrugada.
Em janeiro, a média das temperaturas mínimas na cidade é de 23 °C e a
das máximas, de 30 °C. Em julho, a média das mínimas é de 17 °C e a das
máximas, de 24 °C.
É bastante comum, principalmente no verão, as temperaturas
ultrapassarem os 35 °C durante a tarde, especialmente nas áreas mais
urbanizadas e afastadas do mar (como no Centro),
podendo chegar na casa dos 40 °C, quando penetram ventos vindos de
noroeste. No inverno, a penetração de massas de ar polar provenientes do
sul fazem os termômetros caírem para abaixo dos 10 °C.
A temperatura mínima registrada em Santos foi de 4,3 °C, em 2 de agosto de 1955. Já a máxima foi de 41,8 °C, no dia 28 de janeiro de 1915. O maior acumulado já observado na cidade foi de 368,8 mm, ocorrido em 20 de junho de 1947.
Tabela climática de Santos
Temperatura
Mês
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Média
Média Máxima °C
26,9
27,1
28,4
26,5
24,2
23,2
21,6
22,8
22,4
24,2
25,8
26,5
Média minima °C
21,4
21,6
21,8
19,3
16,6
14,9
13,6
15,6
17,2
18,4
19,9
20,4
Precipitação
Mês
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Total
Total mm
278,7
220,1
242,8
195,4
171,3
99,9
112,4
70,7
128,7
162,9
162,6
235,3
Fonte: www.tempoagora.com.br
Litoral
Litoral de Santos
O litoral de Santos possui o jardim frontal de praia de maior extensão do mundo, de acordo com Guinness Book.
O litoral santista é composto por 6 praias em oito quilômetros de
extensão. A orla é urbanizada com 218 800 metros quadrados de jardim
urbano à beira-mar.
As praias são as seguintes:
José Menino: com calçadão, jardins da orla e agitada vida
noturna são as características desta praia que abrigou o primeiro hotel
da orla marítima, em 1895
- o Hotel Intercontinental - e recebeu os primeiros trilhos de bondes. O
Morro do José Menino (ou morro de Santa Teresinha) é procurado pelos
praticantes de asa-delta. Próxima à divisa com a cidade vizinha de São Vicente encontra-se a Ilha de Urubuqueçaba,
que significa o pouso do urubu, que na maré baixa liga-se à praia,
podendo-se caminhar até ela. É da praia do José Menino que parte o emissário submarino.
José Menino
Pompeia: É um pequeno bairro, localiza-se entre os canais 1 e
2, em sua orla encontram-se quiosques e pequenas praças; é sempre bem
frequentada por turistas em temporadas e fins de semana.
Pompeia
Gonzaga: Entre os Canais 2 e 3, fica o ponto mais badalado da
cidade. Nele, acontece a maioria dos eventos ao ar livre, promovidos
pela prefeitura e rádios da região.
Gonzaga
Boqueirão: É uma das praias mais conhecidas e beneficiadas
pelo programa de despoluição da orla santista. A praia está localizada
na região do Canal 3 e é um dos pontos de encontro da cidade.
Boqueirão
Embaré: Localizada na região central da orla de Santos, a
praia é muito procurada por surfistas e conta com vida intensa. O local
abrigou, em 1875, a Capela Santo Antônio, atual Basílica de Santo Antônio do Embaré.
Embaré
Aparecida: Localizada entre os canais 5 e 6, a praia de
Aparecida reúne, em 1 km de extensão, várias opções de comércio e lazer.
O bairro de mesmo nome nasceu a partir do desenvolvimento do local em
torno da Igreja Nossa Senhora Aparecida.
Aparecida
Ponta da Praia: Localizada junto à entrada do estuário do Porto de Santos, a praia é ponto de partida para passeios pela baía e Laje de Santos e a Travessia Santos-Guarujá, no chamado Ferry Boat. A Ponta da Praia tem como atração o Aquário Municipal de Santos, um dos pontos mais visitados do estado de São Paulo.
Ponta da Praia
Panorama de Santos.
Ilhas
A ilha de Urubuqueçaba pintada por Benedito Calixto em 1902, tendo ao fundo a Ilha Porchat.
Ilha Urubuqueçaba - sua denominação significa "pouso de urubus".
Essa pequena ilha, nunca ocupada, localiza-se na praia, na divisa dos
bairros de José Menino e Itararé, perto do Emissário Submarino e a
poucos metros da movimentada avenida Presidente Wilson.
MONUMENTO TOMIE OHTAKE E ILHA URUBUQUEÇABA
Ilha Barnabé - Conhecida inicialmente como Ilha Mirim ou Ilha Pequena, e a partir de 1540
como Ilha de Brás Cubas (o fundador de Santos que ali residiu
inicialmente, antes de se transferir para seu terreno no sopé do atual
Monte Serrat), essa ilha no estuário do porto santista teve também os
nomes de Ilha dos Frades ou dos Padres (no século XVII, após sua doação aos frades do Carmo, por Pedro Cubas). No século XVIII, foi conhecida como Ilha do Carvalho, ganhando no século XIX
o nome atual, por ter pertencido a Barnabé Francisco Vaz de Carvalhaes,
importante cidadão santista, cujo solar em ruínas ainda existe em seu
ponto mais alto - e no qual havia intensa movimentação social, com
festas memoráveis que ele ali oferecia. Em 26 de janeiro de 1930, começou a ser usada como depósito de combustíveis e produtos químicos.
Ilha Barnabé
Ilha Diana
- A Ilha Diana, uma das únicas colônias de pescadores ainda existentes
na região, fica na área continental de Santos. Quase ninguém lembra, mas
a ilha era chamada de Ilha dos Pescadores. Situada no rio Diana, no
caminho de Bertioga para quem sai de Santos e contorna as instalações da
Base Aérea de Santos, esta ilhota aos poucos incorporou o nome do rio
e, de Ilha dos Pescadores no Rio Diana passou a Ilha do Diana e, para
simplificar de vez, Ilha Diana. No local, vivem atualmente 43 famílias. O
lugar tem como padroeiro Bom Jesus de Iguape devido aos primeiros moradores, que vieram da desocupação da Base Aérea, serem naturais de Iguape.
Localizada entre o canal de Bertioga e o
rio que lhe empresta o nome, a Ilha Diana é um pedaço de terra
parcialmente isolado do mundo urbano, mesmo estando próxima do maior
complexo portuário da América Latina, onde é movimentado cerca de 60% da
balança comercial brasileira. O lugar começou a ser habitado na década
de 40, depois da desapropriação da Vila da Bocaina, localizada em
Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá. Seus habitantes deixaram o
vilarejo para que fosse construída a pista de pouso da Aeronáutica do
Brasil, dando origem à Base Aérea de Santos – BAST.
Subdivisões
Oficialmente são os seguintes os bairros da parte insular agrupados geograficamente:
orla marítima: Aparecida, Boqueirão, Embaré, Gonzaga, José Menino, Pompeia e Ponta da Praia;
área central e portuária: Campo Grande, Centro, Encruzilhada, Estuário, Jabaquara, Macuco, Marapé, Paquetá, Porto Alemoa, Porto Macuco, Porto Paquetá, Porto Ponta da Praia, Porto Saboó, Porto Valongo, Saboó, Valongo, Vila Belmiro, Vila Mathias, Vila Nova e Vila Rica.
morros: Monte Serrat, Morro Cachoeira, Morro Caneleira, Morro Chico de Paula, Morro Embaré, Morro Fontana, Morro Jabaquara, Morro José Menino, Morro Marapé, Morro da Nova Cintra, Morro Pacheco, Morro Penha, Morro Saboó, Morro Santa Maria, Morro Santa Teresinha e Morro São Bento.
zona noroeste: Alemoa, Areia Branca, Bom Retiro, Caneleira, Jardim Castelo, Chico de Paula, Outeirinho, Jardim Piratininga, Rádio Clube, Saboó, Santa Maria, São Jorge, São Manuel e Vila Progresso.
parte continental, são identificados os fracamente povoados:
Quilombo, Sítio das Neves, Guarapará, Barnabé, Ilha Diana, Monte Cabrão, Trindade, Cabuçu, Iriri, Caruara (na divisa com Bertioga, que tem 3.500 habitantes e dispõe do CEP próprio 11200-990), além das mencionadas áreas de preservação ambiental da Serra do Mar.
Infraestrutura
Configuração e paisagem urbana
Basicamente, a rede urbana de Santos é composta de uma malha urbana em formato de tabuleiro de xadrez, fruto do projeto desenvolvido pelo engenheiro Saturnino de Brito.
A maioria das grandes vias de circulação estendem-se no sentido
norte-sul: são as avenidas arborizadas que margeiam os canais e as
avenidas Ana Costa e Conselheiro Nébias (antiga ligação do Centro da
Cidade às praias). Elas conectam as praias, ao sul, com o Centro da
Cidade, ao norte. O Centro faz face ao braço de mar conhecido por Largo
do Caneú.
Vista parcial de Santos vista do Monte Serrat
A avenida Ana Costa pode ser considerada a avenida-símbolo da cidade,
onde se situam edifícios comerciais, cinemas, bancos e escolas. Suas palmeiras imperiais remontam à década de 1920, e no coração do bairro do Gonzaga
(cruzado por essa avenida) ela atravessa a Praça Independência, local
tradicional de comemorações da cidade, onde está o Monumento à
Independência (com o patriarca José Bonifácio de Andrada e Silva no alto) inaugurado em 1922.
No sentido leste-oeste, as ligações viárias são mais escassas. Elas
conectam regiões próximas do Maciço de São Vicente (a oeste) ao Estuário
de Santos, face ao qual se estende o Porto (a leste). Três grandes
eixos de circulação se destacam nesse sentido: as avenidas Francisco
Glicério e Afonso Pena (margeando a recentemente desativada linha férrea
da Brasil Ferrovias - antiga Sorocabana - e dotadas de ciclovias), a
extensa avenida da orla (que recebe vários nomes: Presidente Wilson,
Vicente de Carvalho, Bartolomeu de Gusmão e Almirante Saldanha da Gama) e
a avenida paralela à da orla (que também recebe vários nomes: Floriano
Peixoto, Galeão Carvalhal, Embaixador Pedro de Toledo e Epitácio
Pessoa).
Quanto à paisagem urbana, ao sul da linha férrea, a cidade de Santos é
extremamente densa, principalmente nas quadras fronteiras ao mar. Ao
centro da ilha
(Campo Grande, Encruzilhada, Macuco), a densidade cai (apesar de
manter-se considerável) e próximo ao Centro, mais ao norte da ilha, os
bairros da Vila Nova, Vila Mathias e Paquetá - áreas nobres no início do
século XX - foram convertidas ao longo do século em áreas industriais
e, em sua maioria, deterioradas (com proliferação de cortiços e
desvalorização urbana). Na Vila Nova localiza-se o Mercado Municipal de
Santos.
Canais
Canal 4
Os canais de Santos hoje possuem mais de cem anos de idade, são uma marca característica da cidade. Foram construídos por Saturnino de Brito para drenar os terrenos alagadiços da planície santista e conduzir as águas pluviais, que eram focos constantes de doenças nos verões quentes da cidade, ao mar. O sistema combinou planejamento urbano (arruamento das zonas atravessadas pelos canais) e separação estrita entre redes de águas pluviais e rede de esgotos. Hoje servem de pontos de orientação para os santistas, muito mais que os bairros.
Recalque de edifícios
Prédios na orla de Santos apresentando recalque.
Pelo seu caráter litorâneo e pelo fato de ter sido construída em
parte sobre antigos terrenos de manguezais, a cidade de Santos tem um
perfil de solos dos mais difíceis no país para a construção de
fundações. Por este motivo, uma série de edifícios foram erigidos ao
longo do século XX (especialmente a partir da década de 1960) com
fundações executadas a partir de equívocos de sondagem ou de projeto. A
especulação imobiliária surgida com a explosão do veraneio em Santos foi
a responsável por tais erros, já que os edifícios eram construídos
rapidamente para abrigar muitos veranistas.
Com o tempo, tais edifícios passaram a sofrer acentuados recalques diferenciais: tornam-se "tortos" (ou seja, perdem o prumo)
aos olhos dos pedestres situados na praia. Recentemente os "prédios
tortos" da orla de Santos estão virando atração turística: são cerca de
90 prédios com esta característica. Estão concentrados na orla do Boqueirão, Embaré e Aparecida. O reaprumo ou a implosão
e reconstrução são soluções possíveis. A primeira opção, menos
impactante que a segunda, já foi executada com sucesso no edifício que
era considerado o mais inclinado da orla (o denominado 'Núncio Malzoni',
no bairro do Boqueirão), o qual tinha mais de 2 metros de inclinação do
topo em relação à base (a inclinação da Torre de Pisa na Itália, é de aproximadamente 4 metros). Nesse sentido, a prefeitura busca, junto ao governo federal, uma linha de crédito especial para resolver esse problema tão específico de Santos.
Educação
Santos faz parte da rede mundial de municípios que priorizam a
educação, desde 30 de outubro de 2008, quando a cidade foi incluída
oficialmente na Aice (Associação Internacional das Cidades Educadoras).
Entre as instituições de ensino superior encontramos a USP , a UNIFESP, a UNISANTA, a Faculdade de Ciências Médicas de Santos, a UNIMES, a UNISANTOS, a ESAMC e a UNIMONTE.
UNIFESP
USP
UNISANTOS
Transportes
Ciclovia da orla.
Bondinho do Funicular do Monte Serrat.
Trólebus na avenida Ana Costa.
Santos possui o maior porto da América Latina, o Porto de Santos. Suas obras começaram em 1888 e o primeiro trecho de cais foi inaugurado em 1892. O porto de Santos é responsável por escoar boa parte das exportações brasileiras e cerca de 70% das exportacões de café.
Atualmente, o porto encontra-se sob a administração da CODESP
(Companhia Docas do estado de São Paulo), com vários terminais operados
por concessionárias. O porto de Santos possui o calado de 11 a 13
metros, mas a codesp prevê obras para que o calado do porto aumente e
chegue até 16 metros.
Em 27 de dezembro de 2003,
foi inaugurada a ciclovia na orla da praia de Santos. A ciclovia da
orla tem 4,8 km de extensão e 2,5 metros de largura e estende-se desde o
Emissário Submarino até as proximidades do Mercado de Peixes da Ponta
da Praia, possibilitando ainda ligação com a ciclovia da avenida
Portuária e o Ferry boat - ponto de atracação das balsas que fazem a Travessia Santos-Guarujá.
Existem ainda ciclovias nas avenidas Francisco Glicério, Rangel
Pestana, Martins Fontes e Afonso Pena; e em construção a que ligará o
centro aos bairros passando pelo Túnel Rubens Ferreira Martins.
Santos foi a segunda cidade do país a ter um serviço de bondes (após o Rio de Janeiro). A primeira linha foi inaugurada em 1871, um ano antes de os bondes serem inaugurados na cidade de São Paulo. Em 1909, foi inaugurado o serviço eletrificado, que até então era feito por tração animal ou vapor. O serviço foi desativado em 1971,
quando os bondes saíram de circulação por diversos motivos, entre os
quais a maior procura pelos ônibus por parte do público. Em 2000, foi inaugurado o bonde turístico do centro histórico, que sai da Praça Mauá, em frente ao Paço Municipal. A linha turística conta com dois bondes que circularam na cidade de Santos e um bonde doado pela cidade do Porto, em Portugal,
e reformado nas oficinas de Santos. Estão sendo feitas obras de
ampliação da linha de bonde turístico, já tendo sido assentados alguns
quilômetros de trilhos pelo Centro.
O sistema funicular do Monte Serrat foi planejado em 1910 e construído em 1923 e liga o centro da cidade ao alto do Monte Serrat, onde está um grande cassino inaugurado em 1927 (fechado devido à criação da lei que proíbe jogos de azar no Brasil, em 1946)
e a Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira da cidade.
Possui dois bondinhos, que operam sempre simultaneamente: enquanto um
sobe, o outro desce, e os dois se encontram exatamente na metade do
percurso, onde há um desvio.
O transporte por meio de ônibus
é muito utilizado em Santos, sendo operado por veículos a diesel em
diversas linhas. Atualmente, Santos é a única cidade brasileira além de São Paulo que possui um sistema de trólebus. O sistema de trólebus de Santos
opera com apenas uma linha (Linha 20: Praça Rui Barbosa - Praça da
Independência) e alguns veículos estão sendo adaptados para operar em um
novo sistema turístico. Todas as linhas da cidade são operadas pela Viação Piracicabana, que detém a concessão para os serviços de ônibus e trólebus desde 1998.
Além do sistema de ônibus, a cidade ainda conta com lotações para os
morros e micro-ônibus seletivos, estes operados pela Viação
Guaiúba/Translitoral.
Aquaviário
A cidade de Santos possui seis sistemas de travessia do estuário para o Guarujá.
No bairro da Ponta da Praia existe a travessia para pedestres através de lanchas e barcas e de automóveis por meio de balsas da Travessia Santos-Guarujá, todos para o bairro de Jardim São José (Praça das Nações Unidas) no município vizinho. O primeiro sistema é administrado por uma cooperativa e os dois últimos pela DERSA (Desenvolvimento Rodoviário S.A.).
Na Praça Iguatemi Martins, junto ao Mercado Municipal, existe um serviço de travessia para Vicente de Carvalho feito por pequenas lanchas popularmente conhecidas como "catraias",
também operado por uma cooperativa. Este serviço não deixa de ser uma
atração santista pois boa parte do trajeto (cerca de 1 km entre o
atracadouro no meio da cidade e o Estuário) é feito navegando-se pelo que será o
Canal 1 (avenida Ulrico Mursa no bairro de Outeirinhos), onde as
embarcações passam por debaixo de pontes e de um túnel sob a avenida
Portuária Mário Covas.
Por fim, existe ainda um serviço de barcas entre o Centro (Praça da República) e Vicente de Carvalho,
operado pela DERSA e também de catraias que partem da ponte Edgard
Perdigão (ponte dos Práticos) para o bairro de Santa Cruz dos Navegantes
(antigamente denominado Pouca Farinha) e para a praia do Góes , ambos localizados em Guarujá.
Rodovias
Rodovia Anchieta, o principal acesso à cidade.
O município de Santos é servido basicamente por três rodovias.
O principal acesso é a Via Anchieta (SP-150 ou BR-050), proveniente de São Paulo, a única a atingir a área insular, e que recebe o tráfego proveniente das rodovias dos Imigrantes, Padre Manuel da Nóbrega, Rio-Santos e Cônego Domênico Rangoni (Piaçaguera-Guarujá).
Na área continental, a cidade também é cortada pela Rodovia Rio-Santos (SP-55 ou BR-101), proveniente do Rio de Janeiro, e principal acesso a bairros afastados como o do Caruara. Na região do Monte Cabrão, esta rodovia desemboca na Cônego Domênico Rangoni (continuação da SP-55 ou BR-101), cortando a região do Quilombo e terminando na Via Anchieta já em Cubatão, por onde se tem acesso à área insular.
Ferrovias
Atualmente, Santos possui dois acessos ferroviários, embora sejam utilizados apenas para o transporte de cargas.
O primeiro, oriundo da extinta "The São Paulo Railway", construído em 1867, (posteriormente Estrada de Ferro Santos a Jundiaí) (1947-1975) e sua sucessora, Rede Ferroviária Federal (1975-1996), é operado hoje pela MRS Logística e atinge a cidade proveniente de São Paulo e do ABC Paulista pela região noroeste, chegando ao bairro do Valongo.
O segundo originou-se da extinta Estrada de Ferro Sorocabana (1927-1971) e sua sucessora, FEPASA (1971-1998), sendo atualmente operado pela concessionária Ferroban. É proveniente do município de Mairinque na região de Sorocaba e chega à Santos pelo bairro do José Menino
(sudoeste da área insular). A linha cruza em nível praticamente toda a
cidade de oeste a leste, até atingir a região portuária no bairro do Macuco. Este trecho recentemente foi desativado e no seu lugar provavelmente passará um sistema de VLT Metropolitano.
Na área portuária, as ferrovias são operadas pela concessionária Portofer.
É previsto que as obras para a construção do Veículo Leve sobre Trilhos tenha início em 2011, que será implantado na Ilha de São Vicente, abrangendo as cidades de Santos e São Vicente.
Trânsito
Santos é caracterizado pela grande frota de veículos licenciados na
cidade. A cidade possui proporcionalmente, uma das maiores frotas de
veículos do Brasil. De acordo com dados da Companhia de Engenharia de
Tráfego (CET), a relação é de 1,8 habitante por veículo. De acordo com o
Departamento de Trânsito do Estado de São Paulo (Detran), nos últimos
três anos a frota santista aumentou 10,5%, chegando à marca de 241 mil
veículos. Isso significa um carro a cada dois metros de via.
Com isso, o trânsito nos horários de maior movimento se torna muito
complicado nas principais vias da cidade, problema este que se agrava
sensivelmente nos horários de pico, ou durante a temporada de verão
(época que se somam a esta enorme frota do município os veículos dos
milhares de turistas que se dirigem a Santos neste período do ano para
aproveitar o sol) ou durante chuvas fortes por conta dos alagamentos.
Economia
Aquário municipal.
Catedral de Santos, estilo neogótico.
Turismo
Entre os principais pontos turísticos de Santos além de suas praias, podemos citar os Jardins da orla de Santos que é o maior jardim frontal de praia em extensão do mundo. O Aquário de Santos (antigo Aquário Municipal de Santos), inaugurado em 1945 pelo então Presidente da República Getúlio Vargas
e ampliado em 2006, é o segundo parque público mais visitado do estado e
atrai turistas do mundo inteiro. Outros lugares de interesse são a Museu do Café Brasileiro, o Orquidário Municipal, o , Jardim Botânico Chico Mendes, o Teatro Coliseu Santista, o *Panteão dos Andradas, o Monte Serrat, e a Estação do Valongo. A Laje de Santos é um lugar muito procurardo por mergulhadores. Entre as igrejas de interesse temos a Catedral de Santos, a Igreja Santo Antônio do Embaré, e a Igreja do Valongo.
Santos é um dos 15 municípios paulistas considerados estâncias balneárias pelo estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status
garante a esses municípios uma verba maior por parte do estado para a
promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de
agregar junto a seu nome o título de Estância Balneária, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.
Cultura
Cinema e mídia
A cidade de Santos possui 3 jornais diários, 4 emissoras de televisão comerciais e 10 emissoras de rádio, sendo 4 em FM e 6 em AM.
A tradição cinematográfica pela qual a cidade se especializou foi a de curtas metragens,
abrigando grandes e importantes festivais da área. Quanto às produções
cinematográficas de Santos, podemos citar as de diretores como Chico Botelho (cuja morte não o deixou concluir os longas Janete e Cidade Oculta), Icaro Martins, José Roberto Eliezer, Tânia Savietto, Aloysio Raulino, José Roberto Torero, Renato Neiva Monteiro, Hélcio Nagamine, entre outros. Quanto às produções recentes com maior repercussão na cidade podemos citar O Magnata (2007), escrito pelo Chorão da banda Charlie Brown Jr., e Querô (2007), que promoveu testes de jovens atores pela cidade e que legou consequências que refletem até hoje.
Santos também foi muito utilizada pela televisão em minisséries como Um Só Coração, produzida pela Rede Globo de Televisão,
que teve 80% de suas cenas gravadas no centro histórico de Santos em
outubro de 2003, para apresentação em rede nacional em janeiro de 2004. De fato, a revitalização do Centro Histórico da cidade, a começar por sua iluminação e asfalto, possibilitou a gravação de muitas cenas televisivas que exigiam figurinos e enredos de época. No caso de Um Só Coração, o objetivo era retratar a década de 1920 e como tal foram utilizadas locações como a Rua XV de Novembro e o interior da Bolsa Oficial do Café. Entre os atores que gravaram no centro da cidade estão Ana Paula Arósio, Tarcísio Meira, Letícia Sabatella, Ângelo Antônio, Herson Capri, Erik Marmo, Maria Fernanda Cândido, Marcello Antony, sem contar os figurantes da própria cidade. Além de minisséries, a telenovela de 1977 Éramos Seis, escrita por Silvio de Abreu, na Tupi, também teve algumas cenas rodadas na praia, no bonde e nos jardins do Orquidário encenadas por Nicette Bruno, Riccelli, e Strazzer.
Santos é uma cidade relativamente cinematográfica. Zé do Periquito (1960), de Mazzaropi, possui algumas cenas de entrada e saída de navio da Ponta da Praia. Estas cenas foram as primeiras filmagens vistas pelo crítico santista Rubens Ewald Filho, aos quinze anos, e que ele tentou retomar num ângulo parecido no seu primeiro e único curta-metragem intitulado José Bonifácio que Ninguém Conhece, hoje perdido nos "meandros" da produtora Faculdade de Comunicação da Católica.
Antes e depois do filme de Mazzaropi, Santos já havia sido e continuou
sendo palco cinematográfico. Outros exemplos notórios inclui a versão
original com Vera Nunes de Presença de Anita (1951), de Ruggero Jacobbi, Asa Branca - Um Sonho Brasileiro (1981), de Djalma Batista, com Walmor Chagas e Edson Celulari numa sequência no Gonzaga na fonte luminosa, O Rei Pelé, de Carlos H. Christensen, na cena em que o garoto que interpreta Pelé vê o mar pela primeira vez ao lado de Lima Duarte, o curta Domingo no Parque, de Isaias Almada, que logo depois da música homônima de Gilberto Gil utilizou uma roda-gigante que existia no Itararé. Outros filmes inclui o único filme do galã Hélio Souto, com Norma Bengell, onde há uma passada na ilha Porchat em 1960, um certo Leg da década de 1960 e que várias figuras da sociedade participaram sem saberem que o diretor era um vigarista de Portugal, A Flor do Desejo de Guilherme de Almeida Prado, onde Sandra Bréa foi substituída por Imara Reis (que acabou recebendo ótimas críticas), Bellini e a Esfinge (2001), de Roberto Santucci, filme alemão com Erika Remberg rodado no cais da cidade, além do filme policial A Mulher do Quarto 13 (1932) com Brian Donlevy e Andréa Bayard.
Santos também possui uma tradição na exibição de filmes. Durante
muitas décadas possuiu diversos edifícios cujo principal foco era o
cinema e, embora tenha modernamente perdido muitas salas, nenhuma cidade
de seu tamanho tivera um número tão grande de alternativas em assistir
desde cinema-lançamentos até filmes b, desenhos animados e tchecos, russos, italianos.
A cidade também desenvolveu um projeto que funcionou durante muitas
décadas, o Clube de Cinema, o primeiro do país, e acompanhou toda a
criatividade do cinema exterior e nacional.
Cine Arte Posto 4
Literatura e arte
Poeta Martins Fontes.
Santos tem sido uma fonte de inspiração para muitos autores,
conterrâneos ou estrangeiros, e possui uma longa tradição de publicação
poética importante na literatura brasileira.
Talvez dois dos seus mais famosos poetas sejam Vicente de Carvalho e Martins Fontes.
O primeiro, embora tenha se dedicado a um complexo de atividades, é
mais conhecido por ter sido chamado de "O Poeta do Mar" dada à sua
dedicação a escrever poemas dedicados à praia de Santos, e foi membro da
Academia Brasileira de Letras, deixando uma prolífica obra literária e jurídica. Sua magnum opus, Poemas e Canções (cujo prefácio foi escrito por Euclides da Cunha), publicada primeiramente em 1908, chegou modernamente à sua 17ª edição - fato raro na literatura nacional. Carvalho apoiou-se numa tradição lírica que nos remete a Victor Hugo e foi um grande divulgador da cidade como advogado e jurista,
e hoje sua importância é refletida num dos nomes de uma das ruas da
cidade. Martins Fontes, por sua vez, é mais conhecido por seus sonetos parnasianos, embora também tenha se tornado popular como médico da Santa Casa. Foi um grande colaborador dos ideais e das ambições de seu tempo; seu túmulo no Cemitério do Paquetá é um dos mais visitados na cidade e sua morte foi muito noticiada.
Instituto Histórico e Geográfico de Santos
Pinacoteca Benedito Calixto
Museus
Museu de pesca na Ponta da Praia.
Santos possui vários museus, entre eles o Museu do Café Brasileiro onde funcionava a Bolsa do Café até a década de 1970. Outros museus da cidade são o Museu de Arte Sacra de Santos, o Museu da Pesca, o Museu De Vaney, o Museu Oceanográfico, o Memorial das Conquistas o Museu do Porto e o Museu do Mar.
Teatro
Provavelmente Santos seja a cidade do interior paulista mais profundamente ligada ao movimento teatral. O teatro em Santos se desenvolve e se desenvolveu dentro dos principais locais para a arte dramática: Teatro Municipal Brás Cubas, Teatro de Arena Rosinha Mastrângelo, Teatro do SESC, Teatro do SESI e, curiosamente, nas praças públicas. Patrícia Galvão, mais conhecida como Pagu, foi a primeira presidente da União de Teatro Amador de Santos que no ano de 1958 iniciou a organização do movimento na cidade. A mostra continuou suas atividades pela Federação Santista de Teatro Amador e hoje é promovida pela Associação dos Artistas do Litoral Paulista. Pagu foi uma grande pioneira do teatro na cidade; escrevendo para o A Tribuna, conseguiu patrocínios e realizou os primeiros festivais de teatro de Santos. Pagu era conhecida como a "musca" da Semana de Arte Moderna e escolheu Santos como a última cidade em que viveu. Estreitou relações com José Greghi Filho (ator e dramaturgo santista) e promoveu a campanha para a construção do Teatro Municipal que hoje leva seu nome.
Plínio Marcos e Carlos Alberto Soffredini são dois dos mais conhecidos e aclamados dramaturgos da cidade. Marcos iniciou sua carreira na companhia de Cacilda Becker e Walmor Chagas no início da década de 1960 e escreveu peças como Navalha na Carne e Dois Perdidos Numa Noite Suja, que soaram de cunho sócio-psicológico e foram proibidas na época. Plínio prosseguiu sua carreira também como ator e na década de 1970 trabalhou ao lado de Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Viana Filho, Jorge Andrade, Nelson Rodrigues e Abílio Pereira de Almeida. Nesta época, surgia outro dramaturgo na cidade, Soffredini, autor de Mais Quero Asno que Me Carregue, e que ao lado de Marcos figura como um autor expoente do moderno teatro do Brasil. No teatro infantil da cidade, destaca-se Oscar Von Pfhul, cunhado de Paulo Autran, e que possui projeção internacional.
Muitos outros nomes famosos surgiram do teatro santista; entre estes nomes destaca-se os de Serafim Gonzalez, Paulo Lara, Tanah Corrêa, Sérgio Mamberti, Cláudio Mamberti, Bete Mendes, Jandira Martini, Wilson Geraldo, Ney Latorraca, Nuno Leal Maia, Alexandre Borges, Oscar Magrini, Paulo Vilhena, etc.
Esporte
Picuruta Salazar e jovens estudantes de surfe em Santos, onde o esporte começou no país.
O esporte em Santos talvez seja um dos temas de maior projeção da
cidade. Possui uma grande tradição nos mais variados esportes com
constante auxílio de projetos sociais e educacionais. A começar pelo
mar, temos o surfe
santista que, apesar das ondas calmas da praia, possui um papel
particular na história do surfe brasileiro e mundial: foi em Santos que o
esporte começou a se desenvolver no país. Desde a década de 1930, os surfistas utilizavam pranchas de madeira ôca e surfavam na praia do Gonzaga. A carreira dos pioneiros da modalidade no Brasil, os irmãos Thomas Rittscher Júnior e Margot Rittscher, está exclusivamente ligada à Santos e aos nomes de santistas como Osmar Gonçalves e João Roberto Suplicy Hafers, que formam, juntos, o que o jornalismo de hoje diz ser os primeiros surfistas do Brasil. Mais tarde, o surfe santista foi aprimorado e melhor divulgado por parte de escolas (como a Escolinha Radical, no Posto 2, liderado pelo primeiro surfista profissional brasileiro, Cisco Aranha) e de universidades, revelando nomes como Picuruta Salazar, que tornou-se o "maior" símbolo do esporte na cidade, e Renata Agondi,
pessoas que renderam influência à posterioridade. Picuruta, além de
criar escolinhas para crianças, também desenvolve projetos paralelos em
lugares como o Havaí, oportunidade pela qual jovens talentos da cidade podem assumir responsabilidades internacionais.
No futebol, a cidade possui 3 times, o Santos Futebol Clube é o mais famoso e conhecido internacionalmente possuindo entre suas principais conquistas, três Copas Libertadores da América e duas Copas Intercontinentais. Joga no Estádio Urbano Caldeira mais conhecido como Vila Belmiro. Os outros clubes são a Associação Atlética Portuguesa (Portuguesa Santista) que joga no Estádio Ulrico Mursa e o Jabaquara Atlético Clube que joga no Estádio Espanha, que fazem os clássicos do futebol de Santos. Há ainda o Estádio Municipal Paulo César de Araújo (Estádio Pagão) na Zona Noroeste de Santos . O Litoral Futebol Clube, um tradicional clube da cidade encerrou suas atividades .
Outro esporte da cidade é o Iatismo (ou vela), praticada no Clube Internacional de Regatas e que tem como destaque a flotilha da Classe Snipe.
Além de diversos eventos de snipe, a cidade também é sede de etapas do
Campeonato Paulista de Vela Oceânica e é largada da tradicional regata
oceânica Santos-Rio. Santos também conta com um pólo do projeto "Navega
São Paulo" que ensina esportes náuticas às escolas públicas, entre eles a
vela.
O Tamboréu, por sua vez, é um esporte que nasceu em Santos e hoje é bastante praticado em toda a Baixada Santista. O jogo parecido com o tênis
no que diz respeito às regras, é jogado com "raquetes" com o formato de
um pandeiro (o tamboréu). A rede possui um metro de altura.
Ginásios
SESC de Santos
Ginásio Municipal Antônio Guenaga (Rebouças)
Arena Santos
Eventos e datas comemorativas
Feriados municipais
26 de janeiro, aniversário da cidade;
8 de setembro, padroeira da cidade Nossa Senhora do Monte Serrat.
Cidades irmãs
Cidades-irmãs de Santos:
Ansião, Portugal (1996)
Arouca, Portugal (2001)
Colón, Panamá (2006)
Coimbra, Portugal (1980)
Constança, Romênia (2001)
Funchal, Portugal (1988)
Havana, Cuba (1995)
Nagasaki, Japão (1972)
Ningbo, China (2000)
Shimonoseki, Japão (1971)
Taizhou, China (1995)
Trieste, Itália (1978)
Ulsan, Coreia do Sul (2002)
Ushuaia, Argentina (1994)
Fernando de la Mora, Paraguai (2011)
Referências
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Bibliográficas
ANDRADE, Wilma. Discurso do Progresso: a Evolução Urbana de Santos 1870-1930. Tese de Doutorado em História Social - Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 1989.