OPOSITORES DE EURICO FAZEM PROTESTO CONTRA CORRUPÇÃO DE EURICO NO CENTRO DO RIO

O resultado da urna sete das eleições do Clube de Regatas Vasco da Gama,  realizadas no último dia 7 de novembro pode anular as eleições do clube da Colina Histórica ou mesmo fazer assumir os destinos do clube a chapa de Júlio Brandt apoiada por Edmundo, antigo ídolo do Clube. Nas demais urnas... Continue lendo...

Portugal é o país que mais crustáceos compra a Moçambique


Portugal é o país que mais crustáceos compra a Moçambique, de acordo com os dados das exportações de 2016 do Instituto Nacional de Estatística moçambicano, consultados pela Lusa.

O país lusófono da África Austral exportou no último ano 38,2 milhões de dólares de lagostas, camarões e espécies relacionadas e cerca de um terço da mercadoria (36,2%) teve como destino Portugal - seguido pela China (27,5%) e Espanha (19,5%).
Ou seja, a Península Ibérica foi o destino da maioria (55,7%) do produto vendido ao estrangeiro.
Além dos crustáceos, o açúcar é outro produto que Portugal mais compra.
De acordo com os dados de 2016, divulgados pelo INE na última semana, as exportações de Moçambique para solo português valeram 32,6 milhões de dólares, 42,5% em crustáceos e 45,2% em açúcares.
Portugal está fora dos 10 principais destinos de exportação de Moçambique, mas é o quinto país do qual a nação lusófona africana mais importa, posição que já ocupava em 2015.
No último ano, a conta ascendeu a 305,6 milhões de dólares dispersos por uma lista de cerca de 900 produtos, sem que haja especial preponderância de qualquer um, numa lista de valor liderada por material em ferro e aço para construção, material elétrico, livros e impressões, móveis e componentes e vinho.
O valor caiu 33% relativamente a 2015, em que as importações oriundas de Portugal valeram 457 milhões de dólares - sendo que em 2016, pior ano de crise em Moçambique, as importações em geral caíram a pique, com uma quebra de 37,5%.
A África do Sul é o principal parceiro externo de negócios de Moçambique.
Os dados do INE moçambicano refletem os dados recolhidos junto de entidades oficiais, como a Autoridade Tributária de Moçambique e serviços alfandegários, ficando de fora uma percentagem desconhecida de mercadorias que circulam de forma ilegal (contrabando) e que diversas autoridades e empresas ainda classificam como um flagelo com impacto nalgumas atividades econômicas.

Seca. “Vamos deixar de ter primavera em Portugal”

Secas idênticas ou piores do que a que se vive este ano estão projetadas para Portugal no futuro. Estes cenários não são vistos em nenhuma bola de cristal, mas em modelos físico-matemáticos. O geofísico Pedro Matos Soares, investigador do projeto Cenários de Alterações Climáticas, desenvolvido na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tem trabalhado nestes cenários. De acordo com as projeções, as ondas de calor podem multiplicar-se por dez ou até durar mais de um mês.


Este outubro foi o mais seco dos últimos 20 anos: choveu 30% do valor normal para a época e os termômetros marcaram 3º Celsius acima do registrado no período de referência 1971-2000. O país está em seca extrema ou severa
Nuno Botelho


Com as alterações climáticas, Portugal enfrenta um dos dois cenários “mais dramáticos” previstos pelos modelos físico-matemáticos. As estações vão diluir-se, as ondas de calor tendem a prolongar-se e as secas serão mais intensas, resume o geofísico Pedro Matos Soares, em entrevista ao Expresso


Pedro Matos Soares é investigador principal no Instituto Dom Luiz da Universidade de Lisboa, onde trabalha em modelações matemáticas relacionadas com as alterações climáticas

Pedro Matos Soares é investigador principal no Instituto Dom Luiz da Universidade de Lisboa, onde trabalha em modelações matemáticas relacionadas com as alterações climáticas
d.r.

Estamos a viver uma das piores secas de que os registros deram conta desde os anos 30 do século XX. Porém, com as alterações climáticas os cenários tendem a ser ainda piores no futuro?

As alterações de precipitação em Portugal tendem a ser muito negativas até final do século XXI. É o que indicam os modelos físico-matemáticos que utilizamos para realizar as projeções, de acordo com os dois cenários traçados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações climáticas, o RCP 4.5 e o RCP 8.5. A atual trajetória das concentrações de CO2 infelizmente tende a enquadrar-se neste segundo cenário, que é o mais dramático e do qual só sairíamos se houvesse a nível global políticas de redução de emissões de gases de efeito de estufa muito mais drásticas do que as que estão em cima da mesa.

E o que nos diz esse cenário mais dramático para Portugal?
Diz-nos que se prevê uma redução de precipitação anual entre 20% e 35% em Portugal, sendo que no sul essa redução é a mais elevada. Estes cenários de diminuição de precipitação não são iguais para todas as estações, não são muito significativos no inverno, mas são mais acentuados na primavera, no outono e no verão. Ou seja, com menos chuva na primavera temos impactos mais significativos na agricultura e na floresta e no consequente risco de incêndio. No sul do país, no Algarve, a redução de precipitação pode chegar a 70% no verão.

Voltando às temperaturas do ar: o IPMA(Instituto português de meio ambiente) indica que neste outubro os termómetros marcaram em média mais 3º Celsius que o registado no período de referência 1971-2000. O que virá por aí?
Em Portugal, os modelos apontam para um aumento médio que pode chegar a 6ºC até final do século no interior do país e a entre 3ºC e 4ºC nas zonas costeiras. Associado à quebra de precipitação, vamos ter um aumento de evaporação, o que faz diminuir a disponibilidade de água à superfície e torna a vegetação muito mais seca. Ou seja, vamos ter um aumento da frequência e intensidade das secas e índices de fogos muito mais alarmantes.

E quanto ao vento?
As previsões indicam que vamos ter menos vento em geral, mas mais vento no verão. E quando há mais vento, há também uma intensificação da evaporação de água e, claro, uma provável mais veloz propagação dos fogos.

Vão desaparecer as estações do ano como as conhecemos? Ou seja, vamos deixar de ter primavera?
Como a conhecemos, sim. Atualmente, temos entre uma e duas ondas de calor por ano. Mas no futuro, de acordo com o cenário mais drástico, essas ondas de calor tendem a multiplicar-se ou a ser mais prolongadas. As projeções apontam para um aumento anual das ondas de calor entre seis e nove vezes superior, em algumas regiões. E estas durarão mais, ou seja, passamos de ondas de calor que normalmente duram 5 a 6 dias presentemente para no futuro durarem uma média de 22 dias. Por último, 5% das ondas de calor no futuro durarão mais de um mês.
Nuno Botelho
E o que está a ser feito para mitigar estes cenários?
A responsabilidade de Portugal para estes cenários é muito pequena, tendo em conta a dimensão do país, mas Portugal tem tomado algumas medidas para reduzir as emissões, também no contexto da União Europeia. O problema é que as decisões políticas globais não se adequam à severidade das consequências do que já se está a viver e se prevê viver no futuro. De acordo com os modelos físico-matemáticos, as secas, as ondas de calor e os incêndios tendem a ser mais acentuados e frequentes.

E como nos estamos a adaptar a essa realidade?
Com o conhecimento que temos, é possível dimensionar a nossa ação. Mas em Portugal tem-se feito muito pouco em termos de adaptação. Se pensarmos na política de reflorestação, por exemplo, vemos que os cenários de alterações climáticas não são tidos em conta.

Já há referências a que a nascente do Douro, em Espanha, está a ficar sem água. Há a possibilidade de secarem as nascentes dos principais rios?
Com perdas de precipitação, aumento das temperaturas e consequente crescimento da evaporação, acrescido do menor nível dos lençóis freáticos, as nascentes dos rios e os sistemas hidrológicos em geral estão sujeitos a forte stress hídrico.​