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Weintraub tem 5 dias para explicar pedido 'prisão' de ministros do STF

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Brasil
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, deu prazo de cinco dias para o ministro da Educação, Abraham Weintraub, explicar declaração feita durante reunião ministerial de 22 de abril. 

No encontro realizado no Palácio do Planalto, divulgado como parte de investigação sobre interferência do presidente Jair Bolsonaro em investigações da Polícia Federal, Weintraub afirmou: "Eu, por mim, colocava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF".

Moraes determinou nesta terça-feira (26) que o ministro preste depoimento à Polícia Federal, no âmbito de inquérito do Supremo Tribunal Federal, aberto em março de 2019, que investiga ataques e notícias falsas contra a corte e seus ministros.

O juiz apontou que Weintraub pode ter cometido os crimes de injúria e difamação, assim como crimes previstos na Lei de Segurança Nacional, de 1983, redigida no final do regime militar.

'Ameaça à segurança dos ministros'

"A manifestação do Ministro da Educação revela-se gravíssima, pois, não só atinge a honorabilidade e constituiu ameaça ilegal à segurança dos ministros do Supremo Tribunal Federal, como também reveste-se de claro intuito de lesar a independência do Poder Judiciário e a manutenção do Estado de Direito", escreveu Moraes em seu despacho

Além disso, na segunda-feira (25), o Senado aprovou convocação de Weintraub à Casa, ainda sem data definida, para explicar as declarações. O comparecimento é obrigatório, com base na Constituição Federal. Caso contrário, Weintraub pode responder por crime de responsabilidade.

Além de defender a prisão dos ministros do STF e de chamá-los de "vagabundos", Weintraub disse que odiava os termos "povos indígenas" e "povo cigano" e classificou Brasília como "uma porcaria", "um cancro de corrupção, de privilégios".

FELIPE NETO SE DIZ ARREPENDIDO DE TER APOIADO O GOLPE CONTRA DILMA ROUSSEFF

O influenciador e empresário Felipe Neto, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, afirmou hoje que admite uma "mea-culpa" por ter sido a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

"Em primeiro lugar, a mea-culpa eu faço sem problema algum. Quem acompanha minha história sabe muito bem que um defeito que não tenho é de teimosia e não pedir desculpas. Errei muito no passado e aprendi com esses erros, E não afirmo aqui que hoje seja um adorador ou participante de um projeto petista, mas não tenho dúvidas de que no momento do impeachment, que podemos chamar de golpe, a minha colaboração embora fosse nada se comparável com a força que tenho hoje nas redes sociais, sem dúvida ela existiu e foi usada de maneira errada", disse ele.
O youtuber foi questionado sobre sua mudança de postura nas redes sociais a respeito de temas políticos e disse que seu pensamento passado era "por falta de estudo, profundidade, por elitismo". "E passei os últimos três anos tentando corrigir esse erro e tentando afastar o máximo possível essa possibilidade de opressão que a gente vê hoje."

O que cabe a Felipe Neto?

No início do mês, Felipe divulgou em rede social uma "vídeo-carta aberta para todos os artistas e influenciadores do Brasil" cobrando manifestações da classe a respeito das atitudes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Questionado sobre "o que cabe a Felipe Neto fazer" enquanto influenciador, ele disse sobre ter noção da responsabilidade que tem na função.
"Não tenho a mínima noção do tamanho das coisas que posto. Tento ao máximo ter responsabilidade sobre isso, mas não consigo mensurar o tamanho dessa força", declarou ele. "Sinceramente, a força política que me dão hoje, a importância política que me dão hoje, é uma importância que nunca pedi. Vale falar sobre isso, é uma importância que reflete um pouco do cenário brasileiro, quando um youtuber, que está fazendo vídeos de humor, diversão, Minecraft, se torna uma referência política no Twitter, isso é um sinal claro de carência, de carência de posicionamento de pessoas que deveriam se posicionar e não se posicionam", acrescentou.

Sem salvador da pátria

Com mais de 39 milhões de inscritos em seu canal, Felipe Neto também negou interesse em entrar para o mundo da política e disse que "não há salvadores da pátria".
"Nesse momento não tenho qualquer interesse político. O 'nesse momento' é importante porque já falei tantas coisas que cravei e depois mudaram de cenário... Não me imagino virando político", pontuou.
"A gente não vai ter salvadores da pátria. O Bolsonaro não tem como salvar a pátria. O [ex-ministro e juiz da Lava Jato] Sergio Moro não tem como salvar a pátria e ninguém tem como, isoladamente, salvar a pátria. É importante que as pessoas assimilem isso de uma vez por todas", disse ele.

Ditadura

O youtuber afirmou ter nascido em 1988 e crescido com a herança do período do regime militar. Durante a entrevista, ele disse que as gerações mais novas foram criadas com um distanciamento muito grande em relação à ditadura militar no país e que isso as deixa menos preocupadas com o autoritarismo.
"Estamos vivendo um momento de carência no Brasil em relação à cultura e opinião. E eu torço muito para que esses comunicadores comecem a falar mais. A gente teve durante o período da ditadura militar, eu não estava vivo, mas nasci em 1988, o ano da criação de nossa Constituição, e lembro de crescer com medo da ditadura militar. Acho que a geração atual, mais recente, já cresceu com outra referência. Ela tem um desligamento tão grande do período da ditadura militar... eles tratam diferente", disse.

Com 'grosserias', Brasil caminha para isolamento e irrelevância no mundo, diz diplomata

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A gestão do Ministério das Relações Exteriores sob a tutela de Ernesto Araújo tende a levar o Brasil ao isolamento e à irrelevância perante a comunidade internacional, afirmou à Sputnik Brasil um ex-embaixador com ampla vivência na diplomacia brasileira.

O presidente emérito do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Luiz Augusto de Castro Neves, foi embaixador do Brasil na Argentina, Japão e China, entre outros países, além de ter sido secretário de Assuntos Estratégicos do Ministério das Relações Exteriores.

À Sputnik Brasil, Neves defendeu a nota publicada pelo Cebri no último sábado (9), na qual os rumos da política externa brasileira sob o governo do presidente Jair Bolsonaro são criticados.

Entre outras afirmações, o documento se refere a "um acumulado de erros recentes e que atingiram agora um patamar de disfuncionalidade e de prejuízo para o país ao seguir o caminho oposto do que seria natural durante a crise provocada pelo novo coronavírus".
"[O que motivou a nota] foi a disfuncionalidade crescente da política externa brasileira que está tendo como consequência a irrelevância da atuação internacional do governo brasileiro, o que é grave e altamente prejudicial aos interesses brasileiros", disse Neves à Sputnik Brasil.
O presidente emérito do Cebri é um dos 27 signatários do comunicado, que ressalta que "em datas recentes o governo brasileiro, através do Itamaraty tem feito declarações gratuitas e inconsequentes, proferido votos e adotado posições que nos enfraquecem e isolam sem com isso, de forma alguma, fortalecer a defesa de nossos interesses".

"Se acumulam as queixas e ressentimentos com posições nossas que se desviam de nossa longa tradição de cooperação construtiva com a sociedade internacional. Tudo isso tem um preço que pode vir a nos ser cobrado quando mais precisamos de uma coisa que já tínhamos merecidamente conquistado e que era o mais amplo respeito da sociedade internacional que via no Brasil um parceiro amistoso, confiável e, acima de tudo, generoso", acrescentou a nota.

Neves pontuou que parece claro que a política externa brasileira esteja sem rumo, "com algumas manifestações esparsas, grosseiras e inconsequentes". 

Presidente do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o diplomata não mencionou diretamente, mas o órgão lida com o maior parceiro comercial do Brasil, o mesmo atacado por ministros e filhos de Bolsonaro recentemente.
"Além das 'declarações gratuitas e inconsequentes', o Brasil tende à pior forma de isolamento, que é aquele decorrente da irrelevância de sua atuação em suas relações internacionais; acrescente-se a conduta errática de algumas autoridades em relação a países com os quais o Brasil tem parcerias estratégicas relevantes para o maior interesse nacional, que é o de promover seu desenvolvimento econômico e social", completou o ex-embaixador.
Na sexta-feira (8), vários ex-chanceleres brasileiros – incluindo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – divulgaram em jornais de grande circulação um manifesto contra a atual situação do Itamaraty, que é associado mais ao alinhamento automático com os EUA e o negacionismo do que com o multilateralismo que sempre regeu a política externa do país.

Em resposta, Ernesto Araújo usou as suas redes sociais e atacou tanto o manifesto quanto a nota do Cebri. O chanceler recentemente foi criticado por associar a China à COVID-19, tecendo o termo "comunavírus" para associar a pandemia a um suposto levante comunista no planeta.

POR QUE O BRASIL COMEMORA O DIA DA VITÓRIA NA SEGUNDA GRANDE GUERRA MUNDIAL NO DIA 08 E A RÚSSIA NO DIA 09 DE MAIO?

Sputnik, 09/05/2020
 
Por que o Brasil comemora o dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial no dia 8 e a Rússia no dia 9 de maio? Qual foi o momento decisivo do conflito, o Dia D ou a Batalha de Stalingrado? A Sputnik explica as diferenças de abordagem sobre a guerra no Brasil e na Rússia.
Neste sábado, 9 de maio, a Rússia comemora os 75 anos da Vitória na Segunda Guerra Mundial. Para os russos, o conflito começou em 1941, enquanto no Brasil marcamos o início do conflito em 1939. Essa é só uma das diferenças de como o Brasil e a Rússia contam a história da Segunda Guerra Mundial.
A Sputnik Brasil conversou com Rodrigo Ianhez, historiador brasileiro formado na Rússia, para entender essas diferenças e conhecer melhor a interpretação russa da tragédia mais consequente do século XX.

Por que os russos consideram que a guerra começa em 1941?

Para começo de conversa, os russos consideram que a guerra teve início em 1941, enquanto no Brasil consideramos que o conflito começa em 1939, com a invasão alemã da Polônia.
Ianhez, mestre em história pela Universidade Estatal de Moscou (MGU, na sigla em russo), explica que 1941 é o ano da a invasão da União Soviética pelos alemães, portanto, "os russos consideram 1941 o início da Grande Guerra Patriótica", que consiste na guerra contra a invasão e ocupação alemã.
No entanto, os russos "não negam ou ignoram a existência da Segunda Guerra Mundial de 1939 a 1945", mas "consideram que dentro dela há um conflito que se estende de 1941 a 1945, que se chama Grande Guerra Patriótica".
"É um recorte histórico", explicou, lembrando que a determinação do ano de 1939 como início do conflito também é um recorte: "Antes de 1939, houve a anexação da Áustria e a divisão da Tchecoslováquia", eventos que também poderiam marcar o início da Segunda Guerra Mundial, argumentou.

Dia D vs Stalingrado: qual a batalha que virou o jogo?

No Brasil, normalmente a historiografia aponta o Dia D, quando tropas britânicas e norte-americanas desembarcaram na Europa continental, como o momento decisivo para a derrota da Alemanha nazista.
Apesar de "não negar a importância" desse acontecimento, a historiografia russa aponta a "Batalha de Stalingrado como momento-chave" para a queda de Hitler, conta Ianhez. A vitória da URSS em Stalingrado marcou a primeira derrota da Alemanha na guerra.
Stalingrado, cidade na região sul da Rússia, que hoje é chamada de Volgogrado, viveu a maior batalha da história mundial "em quantidade de soldados envolvidos", entre 17 de julho de 1942 e 2 de fevereiro de 1943.
"Stalingrado foi a primeira vez na história que um exército alemão foi capturado e a primeira vez que um marechal de campo alemão se rendeu, o marechal [Friedrich] Paulus", explicou.
O Dia D, por sua vez, ocorreu mais de um ano depois, em 6 de junho de 1944, quando a Alemanha já estava relativamente enfraquecida e o Exército da URSS avançava rapidamente rumo a Berlim.
"O Dia D, no verão de 1944, ocorreu enquanto a Rússia realizava a operação Bagration e estava retomando a Ucrânia e já passando as fronteiras da antiga União Soviética", com a Alemanha na defensiva.
O Dia D marca o momento no qual a Alemanha passou a lutar em dois fronts: no oriente, contra a Rússia, e no ocidente, contra os EUA, o Reino Unido e seus aliados.
A historiografia russa "se incomoda com a narrativa americano-britânica de que o Dia D seria a virada" por considerar que seus aliados EUA e Reino Unido demoraram para abrir o front ocidental contra a Alemanha, "deixando os soviéticos lutando sozinhos" contra os nazistas "no front oriental".
Centro da cidade de Stalingrado após a batalha contra os nazistas, durante a Grande Guerra pela Pátria, em 1943

© Foto / Georgiy Zelma / Olga Shirnina / Colorida por Klimbim
Centro da cidade de Stalingrado após a batalha contra os nazistas, durante a Grande Guerra pela Pátria, em 1943
Essa demora das potências ocidentais em desembarcar na Europa "custou a vida de muitos soldados soviéticos", lembrou Ianhez.

Por que o dia da Vitória é comemorado em datas diferentes?

Outra diferença entre a abordagem brasileira e russa sobre a Segunda Guerra Mundial é a data de comemoração do Dia da Vitória: no Brasil é comemorado no dia 8 e na Rússia no dia 9 de maio.
Ianhez conta que "os soviéticos tinham combinado com as forças aliadas que a assinatura da capitulação da Alemanha seria feita no dia 9 de maio. No fim, acabou sendo feita no dia 8".
A antecipação não causou nenhum inconveniente entre as partes, uma vez que "se considerarmos o fuso horário, já era dia 9 em Moscou".
Pelo contrário, a diferença das datas se mostrou bastante conveniente, uma vez que líderes ocidentais podem comemorar o fim da guerra em seu país natal no dia 8 e depois voar a Moscou para acompanhar os desfiles do Dia da Vitória, no dia 9.

Qual a polêmica sobre a capitulação do Japão?

Não é só a data do fim da guerra que é diferente no Brasil e na Rússia. A capitulação do Japão, alguns meses depois, em setembro, também está sujeita à diferentes interpretações.
"A historiografia ocidental sublinha como o principal motivo da rendição do Japão o ataque nuclear [realizado pelos EUA] em Hiroshima e Nagasaki. Enquanto a historiografia russa coloca como principal motivo a retomada da Manchúria pelo Exército soviético", explicou Ianhez.
A Manchúria, território chinês ocupado pelo Japão durante a guerra, era "o principal centro de poder de Tóquio no continente".
"A partir do momento que a URSS entrou na guerra contra o Japão e tomou a Manchúria, os japoneses perderam as chances de continuar no conflito", disse o historiador.
A Manchúria era um território considerado difícil de ser conquistado: "Só os chineses estavam combatendo naquela área, em condições relativamente precárias." A URSS, por outro lado, "tinha o maior Exército mobilizado da história mundial, com dez milhões de homens", relatou o historiador.
Partisans em missão de reconhecimento, durante a Grande Guerra pela Pátria, em 1941

© Foto / Strunnikov S. / Olga Shirnina / Colorida por Klimbim
Partisans em missão de reconhecimento, durante a Grande Guerra pela Pátria, em 1941
 A historiografia russa defende que, "se a URSS não tivesse tomado a Manchúria, a guerra contra o Japão poderia ter se prolongado por muitos anos", disse.

O papel soviético na vitória sobre o Japão, muitas vezes ignorado, em função do impacto das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, pode ganhar novo relevo neste ano de 2020.

"Com o cancelamento do grande desfile do Dia da Vitória em Moscou, em função da COVID-19, existe a possibilidade de as comemorações serem realizadas em setembro, na data da vitória sobre o Japão" pela primeira vez na história, contou Ianhez.

Monumentos históricos

Essas diferenças entre as abordagens historiográficas são normais e, inclusive, contribuem para o debate entre especialistas. No entanto, algo muito diferente é o revisionismo histórico que busca modificar fatos para atingir objetivos políticos. Nesta seara, a Rússia tem algumas demandas à comunidade internacional, apontou o historiador Ianhez.
"A principal demanda dos russos, no nível oficial, é a preservação e o respeito aos memoriais soviéticos que se localizam na Europa", disse. "Alguns países, especialmente aqueles que durante a Guerra Fria pertenceram ao bloco socialista não garantem a preservação desses monumentos."
A retirada de monumentos e memoriais em homenagem aos soldados soviéticos que morreram no campo de batalha gera atrito entre Moscou e países como a Polônia, a República Tcheca e países bálticos.
Combatente soviético estabelece contato com o front, no primeiro ano da Grande Guerra pela Pátria, em 1941

© Foto / Strunnikov S. / Olga Shirnina / Colorida por Klimbim
Combatente soviético estabelece contato com o front, no primeiro ano da Grande Guerra pela Pátria, em 1941

 Já ocorrem casos de vandalismo contra os monumentos soviéticos, inclusive contra monumentos funerários, e essa é uma questão muito sensível para os russos", explicou.
Por outro lado, "o país que mais leva a sério, respeita e mantém os monumentos soviéticos é a Alemanha, aonde todos os memoriais estão preservados".
Monumento soviético erguido em Treptower Park, em Berlim, fotografado em 14 de março de 2020

© Sputnik / Igor Zarembo
Monumento soviético erguido em Treptower Park, em Berlim, fotografado em 14 de março de 2020
No centro da capital alemã, o Memorial Tiergarten homenageia os 80 mil soldados soviéticos que morreram na Batalha de Berlim, e o parque Treptower abriga cemitério no qual estão sepultados cinco mil soldados do Exército Vermelho.

Reconhecimento do papel da Rússia

O reconhecimento do papel da Rússia na vitória sobre o nazismo é essencial para "compreendermos a Segunda Guerra Mundial, que é o momento mais trágico do século XX", cujas "consequências são sentidas até hoje na geopolítica mundial".
"É também necessário reconhecermos a tragédia humana. A URSS perdeu entre 18 e 30 milhões de pessoas durante a guerra. Todas as famílias soviéticas perderam pelo menos um membro no front", nota.
Para conhecer melhor o papel da União Soviética na guerra contra o nazismo, Ianhez recomenda o livro "Moscou 1941", escrito pelo então embaixador britânico na Rússia, Rodric Braithwaite, que relata "como as pessoas simples na URSS encararam" a batalha pela defesa da capital.
Piloto soviética Nadezhda Vasilyevna Popova, especialista em bombardeios noturnos, posa ao lado de bimotor, durante a Grande Guerra pela Pátria
Nadezhda Vasilvevna Popova
© Foto / Colorida por Klimbim / Olga Shirnina
Piloto soviética Nadezhda Vasilyevna Popova, especialista em bombardeios noturnos, posa ao lado de bimotor, durante a Grande Guerra pela Pátria

Para reconhecer "a dimensão humana do conflito", o historiador recomenda o livro da escritora bielorrussa laureada com o Prêmio Nobel, Svetlana Aleksievich "A guerra não tem rosto de mulher", que ressalta o papel das mulheres que lutaram na guerra, dentro e fora do front.

Para quem gosta de cinema, Ianhez recomenda "o melhor filme de guerra que eu já vi – 'Vá e Veja'", do diretor Elem Klimov, que retrata "a barbárie que foi o front oriental".

No dia 9 de maio, a Rússia, país aliado do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial, comemora os 75 anos da Vitória sobre o nazismo. A Sputnik Brasil traz uma série de reportagens especiais para marcar a data e revisitar os momentos marcantes do conflito.

COVID-19: em dia de recorde de mortes, Bolsonaro faz piadas e 'confirma' 3 mil em churrasco

 
Presidente Jair Bolsonaro acena para apoiadores ao sair do Ministério da Defesa, em Brasília
  O presidente Jair Bolsonaro fez piadas e ironizou as críticas que recebeu nesta sexta-feira (8) depois de anunciar que fará um churrasco neste sábado (9), em uma atitude que contraria recomendações do seu próprio Ministério da Saúde, e no mesmo dia de recorde de mortes pela COVID-19.
"Já tem 180 convidados", ironizou Bolsonaro no seu retorno ao Palácio da Alvorada, no fim da tarde, após um compromisso no Ministério da Defesa. Falando aos seus apoiadores, o presidente foi logo inflando o número de "convidados" para o seu evento, previsto para sábado em Brasília.
"Tem 210 chefes de família, deve dar umas 500 pessoas [...] vai ter umas 900 pessoas no churrasco amanhã [...] Tem mais um pessoal aqui de Taguatinga, 1,1 mil", prosseguiu Bolsonaro, para delírio dos seus apoiadores, que tentavam repassar mensagens dos seus estados e cidades.
A polêmica surgiu na noite de quinta-feira (7), quando Bolsonaro revelou aos apoiadores que iria receber para um churrasco "uns 30 convidados", cobrando R$ 70 de cada um deles. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o próprio Ministério da Saúde recomendam que eventos que possam gerar aglomerações não sejam realizados, evitando a chance de contágio pelo novo coronavírus.
Pouco antes de entrar no Palácio da Alvorada, Bolsonaro se despediu dos apoiadores e cravou: "Quem estiver aqui amanhã a gente bota para dentro. Três mil pessoas no churrasco amanhã", sentenciou, para delírio da plateia, que em parte também aproveitou a presença do presidente para hostilizar os jornalistas presentes.
O presidente ainda evitou perguntas dos repórteres, mas ao ser questionado sobre a chance de reverter a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou o pedido do governo para permitir a indicação de Alexandre Ramagem para comandar a Polícia Federal, ele assim respondeu:
"Dá para reverter? Não dou nada, não", declarou Bolsonaro.
Com ou sem churrasco, a sugestão de aglomeração festiva de Bolsonaro veio no mesmo dia em que o Brasil registrou o recorde negativo de 751 mortes pela COVID-19 em 24 horas, atingindo a marca de 9.897 óbitos pela doença, e um total de 145.328 casos – uma sinalização que o vírus ganha força e faz mais vítimas fatais a cada dia em solo brasileiro.

Em confinamento pela pandemia, Portugal celebra 46 anos sem ditadura cantando nas janelas (FOTOS)

06/05/2020
COVID-19
Casos confirmados no mundo:
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Pacientes recuperados:
1.210.455
Mortes:
258.167
Europa
Por Caroline Ribeiro

Pela primeira vez desde 25 de abril de 1974, quando a Revolução dos Cravos abriu caminho para a democracia em Portugal, não há festa nesse dia pelas ruas do país. A pandemia obriga a população ao confinamento em casa, mas a liberdade conquistada depois de 48 anos de ditadura não deixa de ser celebrada.
Dona Lucinda Neves tinha 15 anos quando tudo aconteceu. "Foi um espetáculo", diz a aposentada à Sputnik Brasil. Hoje, soltou a voz pela janelinha gradeada da porta de casa, no bairro de Alfama, uma das áreas mais tradicionais de Lisboa. "Esse ano é a primeira vez que não tem nada nas ruas, por causa do coronavírus. Mas ano que vem, se Deus e Nosso Senhor quiser, e não houver azar, vai ser tudo festa".

A cantoria não foi aleatória. Os portugueses foram convocados para entoar o símbolo da revolução - Grândola, Vila Morena. À 00:20 do dia 25 de abril de 1974, a canção foi tocada no rádio. Era o sinal combinado previamente para que as tropas avançassem com o golpe.

Depois de uma série de ações coordenadas em várias regiões do país, os militares conseguiram derrubar o governo. "Estava na minha casa e vi tudo.

Houve uma certa altura que foram todos apanhados, os tanques estavam cercando. Vieram crianças, todos estavam nas ruas. Em vez de haver guerra, as pessoas meteram cravos nos canos das espingardas dos militares", conta Dona Lucinda.
© Em 1974, Portugal vivia sob o regime do Estado Novo, também conhecido como salazarismo, referência a António de Oliveira Salazar, governante emblemático do período.

A Revolução dos Cravos deu fim a quase cinco décadas de ditadura de maneira pacífica. Refugiados dentro de um quartel em Lisboa, o então chefe do governo, Marcelo Caetano, e outros nomes do primeiro escalão ditatorial não resistiram à pressão dos militares e do povo — que somavam milhares de pessoas nas ruas da capital — e se renderam.

O Movimento das Forças Armadas (MFA), responsável pela articulação do golpe, nasceu um ano antes, no contexto das guerras coloniais. Movimentos independentistas em Moçambique, Guiné-Bissau e Angola, por exemplo, eram controlados pelo governo com o envio de centenas de militares. "Quando era guerra, era guerra", diz à Sputnik Brasil o aposentado Eduardo Gomes.

© Sputnik / Caroline Ribeiro

Por causa da pandemia, portugueses celebraram Revolução dos Cravos cantando nas janelas de casa

Gomes foi motorista da tropa em Angola de 1969 a 1971. "Havia muitas coisas más", lembra do período. De volta à capital, trabalhava para a Marinha em 1974. "Nós aqui não podíamos falar. Se estivéssemos na rua assim como estamos agora, a conversar, íamos logo presos".

A repressão policial, a perseguição política, a pobreza do povo e os excessos nas guerras alimentaram a articulação do MFA, que culminou com a tomada do poder no dia 25 de abril. Com a saída de Marcelo Caetano, exilado para o Brasil, o governo foi entregue à Junta de Salvação Nacional, que faria a transição de volta à democracia.

"Foi a coisa mais bonita que aconteceu em Portugal, ninguém trabalhou naquele dia", lembra Eduardo Gomes. Da janela de casa, o aposentado e a esposa "cantaram  a Grândola", como se diz. "É sempre bom comemorar, é muito importante".

Povo e militares em Lisboa

© Foto / Acervo da Associação 25 de Abril
Povo e militares em Lisboa

Celebrações suspensas

Por causa das medidas de combate à pandemia, a Associação 25 de Abril começou, dias antes, a espalhar a convocatória para a cantoria pelas janelas. 

Toda a programação habitual da data, que envolve desfiles, shows, exposições, ações variadas por todo o país, foi cancelada.

A única atividade oficial mantida foi a Sessão Solene realizada pela Assembleia da República, o Parlamento nacional. Com várias restrições e número reduzido de participantes, os representantes do Governo e do Estado lembraram a importância da data. "Em tempos excepcionais de dor, sofrimento, luto, separação e de confinamento, é que mais importa evocar a pátria, a independência, a república, a liberdade e a democracia", disse o presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, no discurso.

Quem também enalteceu a data, no Brasil, foi Chico Buarque. "Infelizmente não estou aí, mas nesta tarde deixarei na janela cravos vermelhos e cantarei em alto e bom som Grândola, Vila Morena", disse o compositor em um vídeo divulgado pelas redes sociais.

John Perkins

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
John Perkins
Perkins em novembro de 2009.
Nascimento 28 de janeiro de 1945 (75 anos)
Hanover
Nacionalidade Estados Unidos Norte-americano
Alma mater Universidade de Boston
Principais trabalhos Confissões de um Assassino Econômico (2004)
Página oficial
www.johnperkins.org
John Perkins (Hanover, New Hampshire, 28 de Janeiro de 1945) nasceu nos Estados Unidos da América. É ativista na área do meio ambiente e culturas indígenas e também escritor. Seu livro mais conhecido é Confissões de um Assassino Econômico.

Em 1970, ao atuar no Corpo de Paz, no Equador, conhece um alto executivo da empresa de consultoria internacional MAIN, que é também um agente de alto escalão da Agência de Segurança Nacional. É convidado a entrar para a MAIN, o que faz em 1971, após se submeter, segundo alega, a um treinamento clandestino para tornar-se um assassino econômico.

Faz carreira meteórica na MAIN , tornando-se sócio em 1975. É encarregado de missões na Indonésia, Panamá, Equador e Arábia Saudita, para os quais elabora, segundo alega, estudos econômicos falsos, de sorte a fazer esses países tomarem empréstimos que se revelarão impagáveis no futuro e, assim, tornar-se-iam economicamente dependentes dos países e corporações credores.
Com a morte, em condições suspeitas, dos presidentes Jaime Roldós, do Equador, eOmar Torrijos, do Panamá, decide em 1981 deixar a MAIN e denunciar em livro as atividades da empresa.

No entanto, por conta de supostos subornos e ameaças, adia por anos este projeto e o livro só começa a ser escrito sob o impacto dos atentados de 11 de setembro de 2001. Confissões de um Assassino Econômico é publicado em 2004 e ganha traduções em diversas línguas, inclusive o português.
Em1982, cria uma empresa de energia elétrica que se utiliza de fontes não agressivas ao meio ambiente e passa a se interessar por culturas indígenas e xamanismo. Visita freqüentemente a Amazônia equatoriana e escreve livros sobre esses temas.
É casado pela segunda vez e tem uma filha, nascida em 1982.

Actuação de Perkins

A consultoria internacional MAIN, que seria um braço da Agência de Segurança Nacional, possuía um quadro de peritos, todos com vistosos currículos, que conferiam credibilidade a seus projetos econômicos.

Perkins foi contratado inicialmente para fazer previsões de carga energética, ou seja, determinar quanto uma instalação de determinadas dimensão e localização geraria de energia elétrica no futuro e qual seria seu lucro em razão da venda da energia produzida. Esses números eram ultradimensionados de forma a fazer com que os países tomassem empréstimos na expectativa de pagá-los com os lucros a serem auferidos no futuro. Como esses lucros não se concretizavam, os países se tornavam devedores de empréstimos impagáveis.
Estudos semelhantes eram feitos com ferrovias e rodovias, por exemplo, em que o volume estimado de carga transportada no futuro acabava por ficar aquém da realidade.

Desmentido oficial

O Governo dos Estados Unidos desmente as afirmações de Perkins quanto a pretendida vinculação da MAIN a órgãos de segurança e sobre seu treinamento como assassino econômico.

Em extensa informação, contida em sítio oficial, o governo dos Estados Unidos declara que Perkins nunca recebeu orientação verbal ou escrita da ANS durante sua permanência na MAIN e que a ANS não atua na área econômica, mas especificamente na codificação e decodificação de documentos criptografados.

O sítio insinua que Perkins possa estar ressentido com a ANS, pois teria se candidatado, sem sucesso, a um emprego na Agência, para escapar ao recrutamento militar na época da Guerra do Vietnam, o que acabou conseguindo ao ingressar no Corpo de Paz.

Dia do Trabalhador


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
DIA DO TRABALHO

Nome oficial Dia Internacional do Trabalhador
Tipo Internacional
Data 1º de maio

O Dia do Trabalhador Dia do Trabalho, Dia Internacional dos Trabalhadores ou Festa do Trabalhador é uma data comemorativa internacional, dedicada aos trabalhadores, celebrada anualmente no dia 1º de maio, em quase todos os países do mundo, sendo feriado em muitos deles.

A homenagem remonta ao dia 1 de maio de 1886, quando uma greve foi iniciada na cidade norte-americana de Chicago, com o objetivo de conquistar condições melhores de trabalho, principalmente a redução da jornada de trabalho diária, que chegava a 17 horas, para oito horas. Nessa manifestação, houve confronto com policiais o que resultou em prisões e mortes de trabalhadores. Seria esta uma manifestação que serviria de inspiração para muitas outras que se seguiria.
Essas lutas de trabalhadores não foram em vão. “Os trabalhadores de todo o mundo conquistaram uma série de direitos e, em alguns países, tais direitos ganharam códigos de trabalho e também estão sancionados por Constituições".

No período entre-guerras, a duração máxima da jornada de trabalho foi fixada em oito horas, na maior parte dos países industrializados.
No calendário litúrgico, o dia celebra a memória de São José Operário, o santo padroeiro dos trabalhadores.

História

Origens operárias e anarquistas

Nos Estados Unidos, durante o congresso de 1884, os sindicatos estabelecem o prazo de dois anos para conseguir impor aos empregadores a limitação da jornada de trabalho para oito horas. Eles iniciaram a campanha em 1 de maio, quando muitas empresas começavam seu ano contábil, os contratos de trabalho terminavam e os trabalhadores buscavam outros empregos. Estimulada pelos anarquistas, a adesão à greve geral de 1 de maio de 1886 foi ampla, envolvendo cerca de 340.000 trabalhadores em todo o país.
Em Chicago, a greve atingiu várias empresas. No dia 3 de maio, durante uma manifestação, grevistas da fábrica McCormick saem em perseguição aos indivíduos contratados pela empresa para furar a greve. São recebidos pelos detetives da agência Pinkerton e policiais armados de rifles. O confronto resulta em três trabalhadores mortos.
No dia seguinte, realiza-se uma marcha de protesto e, à noite, após a multidão se dispersar na Haymarket Square, restaram cerca de 200 manifestantes e o mesmo número de policiais. Foi quando uma bomba explodiu perto dos policiais, matando um deles. Sete outros foram mortos no confronto que se seguiu.
Em consequência desses eventos, os sindicalistas anarquistas Albert Parsons, Adolph Fischer, George Engel, August Spies e Louis Lingg, foram condenados à forca, apesar da inexistência de provas. Louis Lingg cometeu suicídio na prisão, ingerindo uma cápsula explosiva. Os outros quatro foram enforcados em 11 de novembro de 1887, dia que ficou conhecido como Black Friday. Três outros foram condenados à prisão perpétua. Em 1893 eles foram inocentados e reabilitados pelo governador de Illinois, que confirmou ter sido o chefe da polícia quem organizara tudo, inclusive encomendando o atentado para justificar a repressão que viria a seguir.
Cartaz russo, alusivo ao dia 1º de maio:Trabalhadores não têm nada a perder, a não ser suas correntes ... (1919).

No 20 de junho de 1889, a segunda Internacional Socialista, reunida em Paris, decidiu convocar anualmente uma manifestação com o objetivo de lutar pela jornada de 8 horas de trabalho. A data escolhida foi o primeiro dia de maio, como homenagem às lutas sindicais de Chicago. Em 1º de maio de 1891, uma manifestação no norte de França foi dispersada pela polícia, resultando na morte de dez manifestantes. Esse novo drama serviu para reforçar o significado da data como um dia de luta dos trabalhadores. Meses depois, a Internacional Socialista de Bruxelas proclamou a data como dia internacional de reivindicação de condições laborais.
Em 23 de abril de 1919, o senado francês ratificou a jornada de 8 horas e proclamou feriado o dia 1º de maio daquele ano. Em 1920, a então União Soviética adotou o 1º de maio como feriado nacional, sendo seguida por alguns países.

As lutas e manifestações russas inspiraram artistas de todo o mundo que tinham o socialismo como ideologia. Dentre eles destaca-se o artista mexicano Diego Rivera, o qual consegui expressar sua admiração ao passado da luta dos trabalhadores em uma de suas obras que retrata a Manifestação de Primeiro de Maio em Moscou., finalizada em 1956.
Até hoje, o governo dos Estados Unidos se nega a reconhecer o primeiro dia de maio como o Dia do Trabalhador.
Em 1890, a luta dos trabalhadores norte-americanos fez com que o Congresso aprovasse a redução da jornada de trabalho, de 16 horas para 8 horas diárias.

Dia do Trabalhador em Portugal


1º de maio na cidade do Porto





Em Portugal, só a partir de maio de 1974, após a Revolução dos Cravos, é que se voltou a comemorar livremente o Primeiro de Maio, que passou a ser feriado. Durante a ditadura do Estado Novo, a comemoração era reprimida pela polícia.
O Dia Mundial dos Trabalhadores é comemorado em todo o país, com manifestações, comícios e festas de carácter reivindicativo, promovidos pela central sindical CGTP-IN (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical) nas principais cidades de Lisboa e Porto, assim como pela central sindical UGT (União Geral dos Trabalhadores).
No Algarve, assim como na Madeira e nos Açores, é costume a população fazer piqueniques, e são organizadas algumas festas alusivas à data.

Dia do Trabalhador no Brasil

Discurso de Getúlio Vargas no Dia do Trabalho, em 1 de maio de 1940



Com a chegada de imigrantes europeus no Brasil, as ideias de luta pelos direitos dos trabalhadores vieram junto. Em 1917, houve uma Greve geral. Com o crescimento do operariado, o dia 1 de maio foi declarado feriado pelo presidente Artur Bernardes, em 1925.
Até o início da Era Vargas (1930–1945) certos tipos de agremiação dos trabalhadores fabris eram bastante comuns, embora não constituísse um grupo político muito forte, dada a incipiente industrialização do país. O movimento operário caracterizou-se, em um primeiro momento, teve influências do anarquismo e, mais tarde, do comunismo, mas com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, essas influências foram gradativamente dissolvidas pelo chamado trabalhismo.
Até então, o Dia do Trabalhador era considerado, no âmbito dos movimentos anarquistas e comunistas, como um momento de luta, protesto e crítica às estruturas socioeconômicas do país. A propaganda trabalhista de Vargas, sutilmente, transformou um dia destinado a celebrar o trabalhador em Dia do Trabalho.
Tal mudança, aparentemente superficial, alterou profundamente as atividades realizadas no 1º de maio. Até então marcado por piquetes e passeatas, o Dia do Trabalhador passou a ser comemorado com festas populares, desfiles e celebrações similares.

Aponta-se que o caráter massificador do Dia do Trabalhador, no Brasil, se expressa especialmente pelo costume que os governos têm de anunciar neste dia o aumento anual do salário mínimo. Outro ponto muito importante atribuído ao dia do trabalhador foi a criação da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, em 1º de maio de 1943.

A defesa dos direitos dos trabalhadores sempre esteve sob a luz das organizações de trabalhadores e, consequentemente requer repensar o sentido das organizações sindicais e o que se pretende para o futuro da sociedade brasileira. Porém estes direitos sofrem alterações com o passar do tempo, em circunstâncias de pressões vindas de movimentos sociais organizados.

Dia do Trabalhador em Moçambique



Durante o período colonial (até 1975), os moçambicanos estavam proibidos de celebrar o dia do trabalhador em virtude da natureza repressiva do regime colonial português. No entanto, houve manifestações de trabalhadores moçambicanos, em particular em Lourenço Marques (atual Maputo), contra o modo de relações laborais existente naquele período.
Após a Independência Nacional, o Dia do Trabalhador é celebrado anualmente, e com o passar dos anos, com as reformas políticas, econômicas e sociais que o país sofreu a partir de finais da década de 1980, registrou-se um crescimento do movimento sindical em Moçambique. A primeira instituição sindical no país foi a Organização dos Trabalhadores Moçambicanos (OTM), que veio depois a impulsionar o surgimento de novos movimentos sindicais, cada vez mais específicos de acordo com os setores de atividade.

Dia do Trabalhador na Suécia

Manifestação social-democrata no 1º de maio em 2006 em Estocolmo
 O dia foi comemorado na Suécia pela primeira vez em 1890, com manifestações e desfiles em 21 cidades.

Em Estocolmo marcharam 30 000 pessoas de Karlavägen até Hakberget, onde esperavam 20 000 outras pessoas.

Os 50 000 manifestantes escutaram então os discursos de vários líderes social-democratas e liberais, entre os quais August Palm e Hjalmar Branting. 
Foi aprovada uma resolução exigindo o dia de trabalho de 8 horas. 
É um dia feriado desde 1939.

Dia do Trabalhador no mundo

  Dia do Trabalhador cai ou pode cair no dia 1º de maio
  Outro feriado no dia 1º de maio
  Sem feriado no dia 1º de maio, mas Dia do Trabalhador em outra data
  Sem feriado no dia 1º de maio e sem Dia do Trabalhador

Muitos países em todos os continentes celebram o dia 1º de maio como Dia do Trabalhador, Dia do Trabalho, Dia Internacional do Trabalhador ou Dia de Maio. Em países onde o dia 1º de maio não é feriado oficial, manifestações são organizadas nesse dia em defesa dos trabalhadores.
Alguns países celebram o Dia do Trabalhador em datas diferentes de 1º de maio:
  • Nova Zelândia celebra o Dia do Trabalho na quarta segunda-feira de outubro, em homenagem à luta dos trabalhadores locais que levou à adoção da jornada diária de 8 horas diárias antes da greve geral que resultou no massacre nos Estados Unidos.
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  • Estados Unidos e Canadá celebram o Dia do Trabalho na primeira segunda-feira de setembro. Alega-se que esta escolha nos Estados Unidos foi feita para evitar associar a festa do trabalho com o movimento socialista, então com alguma relevância no país.

Sem entrar no campo ideológico, até porque até ao  momento, a meu ver, ainda não foi encontrada uma doutrina política sócio/econômica que resolva o problema das desigualdades sociais no Brasil e no mundo, quero crer que depois desta pandemia do coronavírus, haverá uma grande reflexão e uma grande transformação para melhor nas relações capital/trabalho.   

JPL

O Secretário-Geral das Nações Unidas, o português e ex ministro de Portugal, Antônio Guterres, fez neste começo de abril um apelo a um cessar-fogo no mundo todo.

APELO RECENTE DO SECRETÁRIO GERAL DA ONU
AOS SENHORES DA GUERRA


Antonio Guterres

O mundo enfrenta hoje um inimigo comum: o COVID-19. O vírus ameaça-nos a todos, independente de nacionalidade, etnias, credos ou posicionamentos políticos. É um vírus implacável.

Ao mesmo tempo, em vários pontos do globo, persistem ou intensificam-se os conflitos armados brutais.

Os mais vulneráveis -- as mulheres e as crianças, as pessoas com deficiências, os marginalizados e os deslocados -- pagam o preço mais elevado. E atualmente correm também um risco sério e devastador devido ao COVID-19.

Nos países assolados pela guerra, os sistemas de saúde colapsaram.

Os já escassos profissionais de saúde são frequentemente atacados. Por sua vez, os refugiados e as pessoas deslocadas por conflitos violentos, encontram-se em uma situação de dupla vulnerabilidade. A fúria do vírus põe em evidência a loucura da guerra de uma forma muito clara.

É por isso que hoje apelo a um cessar-fogo mundial e imediato, em todas as regiões do mundo.

- Secretário-Geral da ONU,
António Guterres

Por que os Estados Unidos estão perdendo superioridade militar frente à Rússia e à China

Um grupo de especialistas independentes publicou uma análise sóbria e implacável da estratégia de defesa nacional do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"O papel global que os Estados Unidos têm desempenhado por muitas gerações é baseado em um poder militar inigualável.  Hoje, no entanto, nossa margem de superioridade tem sido minada em áreas importantes", diz o relatório.

"Há desafios urgentes que devem ser enfrentados caso os Estados Unidos queiram evitar danos permanentes à sua segurança nacional", afirma o documento.

O duro diagnóstico é resultado de uma solicitação do Congresso à sua Comissão de Estratégia Nacional de Defesa, um painel concebido para conduzir estudos independentes sobre a segurança do país - desta vez, foi pedida uma avaliação da estratégia de defesa do governo Trump. 

Trump cumprimenta soldados americanos 

O mistério da morte de John Chau, o americano recebido a flechadas por aborígenes ao entrar em ilha proibidaSkid Row: como a maior cracolândia dos EUA se mantém há décadas 'nos fundos' de Hollywood 

O relatório foi presidido por Eric Edelman, ex-funcionário do Pentágono durante o mandato de George W. Bush, e Gary Roughead, ex-chefe de operações navais. Ambos são conhecedores do orçamento da defesa e do que acontece nos corredores do Pentágono.
"A segurança e o bem-estar dos Estados Unidos enfrentam seus maiores riscos em décadas", afirma o documento. "A superioridade militar dos Estados Unidos diminuiu para um nível perigoso".

A ameaça da China e da Rússia

A chegada de Trump à Casa Branca coincide com uma mudança nas prioridades militares do país: longe de operações contra insurgências e da chamada "guerra ao terror", indo em direção ao preparo para um potencial conflito contra seus principais concorrentes, como a China e a Rússia.
Mesmo aqueles concorrentes não tão diretos, como o Irã ou a Coreia do Norte, apresentam novos e perigosos desafios.
As implicações são enormes para os militares dos EUA.
Algumas características de lugares como Iraque ou Afeganistão, às quais os EUA já estão mais adaptados, não se repetem em um eventual conflito com a Rússia ou a China. O país tem operado, por exemplo, em ambientes sem qualquer ameaça aérea ou sem grandes desafios para suas comunicações, como o uso de GPS.

Enquanto isso, os dois potenciais adversários vêm estudando as Forças Armadas americanas e continuam a modernizar as suas, reforçando suas vantagens tradicionais enquanto exploram novos caminhos para contrabalançar as vantagens dos EUA.

 Militar chinês em frente a pôster com imagem de Xi Jinping
 
A intervenção da Rússia na Ucrânia demonstrou o extraordinário poder destrutivo da artilharia russa - tributário em parte de sua sofisticada capacidade de combate por meios eletrônicos, que possibilitou encontrar e destruir armas ucranianas e ao mesmo tempo esconder a localização dos equipamentos russos.
Em muitas dessas áreas, os Estados Unidos têm muito a fazer para se colocar no mesmo nível.
Isso exige ajustar e reequipar certas áreas, mas muito mais do que isso. Requer um esforço massivo para impulsionar a inovação em inteligência artificial, acesso à banda larga etc.

O relatório soa como um alerta. A partir do documento, se fosse preciso dar uma nota aos planos do Pentágono, diria que ela seria uma avaliação de aprovação - mas não muito mais que isso. O diagnóstico resumido é que as forças militares americanas têm muitas boas intenções e alguma prospecção dos grandes desafios, mas abordagens duvidosas para enfrentá-los e, basicamente, recursos insuficientes para isso.

O documento traz mais de 30 recomendações detalhadas. Aqui apresento alguns dos mais importantes, resumidos e selecionados:
  • Concentrar os gastos das ações dos EUA e de aliados contra a China e a Rússia;
  • Reduzir o risco da perigosa dependência de itens importados, como por exemplo aqueles provenientes da China;
  • Manter a presença militar dos EUA no Oriente Médio, inclusive depois da planejada derrota do Estado Islâmico;
  • Ampliar as forças para que se possa lutar duas guerras, já que atualmente só são capazes de enfrentar uma;
  • Aumentar o número de tanques, mísseis de longo alcance e artilharia;
  • Criar mais unidades de engenharia e de defesa aérea;
  • Expandir a frota submarina da Marinha e ampliar a capacidade de transporte marítimo;
  • Aumentar os provimentos à força aérea no que for necessário: em resumo, mais de tudo;
  • Manter, e não diminuir, o pessoal da Marinha.
O relatório freia a grandiloquência com a qual o presidente Trump apresentou sua estratégia para a defesa. Mas o relatório não tem nada de revolucionário, pois compartilha a visão estratégica que define o pensamento do Pentágono.
Ele destaca os pontos em que os planos oficiais são mal fundamentados ou inconsistentes. É um apelo por maiores gastos, mas também por gastos mais coerentes.

Entrar no ramo de armamentos de alta tecnologia será caro. Habilidades tradicionais terão que ser reaprendidas. Os novos desafios, analisados e redirecionados.
Mas o documento reitera que os EUA continuarão sendo um grande ator militar em todo o mundo.

Diplomacia

Alguns dos problemas fundamentais para as forças armadas estão fora de seu escopo: na indústria e na diplomacia. Na Guerra Fria, por exemplo, o longo domínio dos EUA foi baseado em um extraordinário lastro científico e industrial com o qual ninguém podia rivalizar.
Avanços na pesquisa aeroespacial e outras tecnologias relacionadas ao setor militar se fundiram lentamente na vida civil.
Hoje as coisas são diferentes. É a pesquisa civil - como em computação e inteligência artificial - que está impulsionando o progresso tecnológico. E os Estados Unidos, embora sejam um jogador poderoso, não estão sozinhos nesta corrida.
A China, em particular, está investindo enormemente em tecnologias que podem, um dia, dar-lhe vantagem em batalhas do século 21. A globalização interligou as economias chinesa e americana de maneiras que podem ser prejudiciais à segurança dos EUA.

Segundo as recomendações do Comissão de Estratégia Nacional de Defesa, os programas de aquisição de armas precisam ser mais rápidos e eficientes. Os gastos dos EUA excedem os de seus principais rivais militares, mas o país ainda não consegue obter frutos proporcionais aos investimentos.

Há também o aspecto diplomático.
Os Estados Unidos não treinam para lutar sozinhos, mas com aliados. Trump tem se concentrado apenas em um aspecto desta relação: a partilha de responsabilidades, como a necessidade de países da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em especial, gastarem mais na defesa coletiva.
Mas Trump já ofendeu os aliados de maneira ímpar.
A própria Aliança Atlântica enfraqueceu politicamente, mesmo que mais forças dos EUA tenham sido mobilizadas na Europa para reforçar a defesa contra a Rússia.

Uma nova mentalidade?

Talvez o grande desafio apresentado por este relatório seja seu apelo para que os Estados Unidos adotem uma abordagem que envolva todo o governo
Tanto a Rússia quanto a China, destaca o documento, possuem estratégias que integram todas as peças do poder nacional. Os EUA precisam fazer o mesmo.
Não vivemos mais em um mundo onde existe uma clara distinção entre a paz e a guerra. O espaço entre esses pólos é preenchido por uma variedade de desafios e armadilhas: ataques cibernéticos, assassinatos políticos e atividades de forças cuja identidade só se torna clara ao longo do tempo (pense nas tropas russas que operam como os chamados "homens verdes", que lutam sem identificação, na Crimeia).
Enfrentar essa nova realidade requer também novas estratégias, orientações e ferramentas. Por último, e não menos importante, exige uma nova mentalidade do governo - talvez a coisa mais difícil de ser alcançada.