Rio de Janeiro, Município Neutro Império do Brasil
Morte
28 de fevereiro de 1935 (87 anos)
Local de morte
Rio de Janeiro, Distrito Federal
Ocupação(ões)
compositora
instrumentista
maestrina
Instrumento(s)
piano
Francisca Edviges Neves Gonzaga, mais conhecida como Chiquinha Gonzaga (Rio de Janeiro, 17 de outubro de 1847 — Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 1935), foi uma compositora, instrumentista e maestrina brasileira.
Foi a primeira pianista chorona (musicista de choro), autora da primeira marcha carnavalesca com letra ("Ó Abre Alas", 1899) e também a primeira mulher a reger uma orquestra no Brasil.
No Passeio Público do Rio de Janeiro há uma herma em sua homenagem, obra do escultor Honório Peçanha. Em maio de 2012 foi sancionada a Lei 12 624, que instituiu o Dia da Música Popular Brasileira, comemorado no dia de seu aniversário.
Biografia
Infância
Era filha da união de José Basileu Gonzaga, marechal de campo do Exército Imperial Brasileiro e de Rosa Maria Neves de Lima, filha de escrava alforriada Contrariando a família, José Basileu casou-se com Rosa Maria após o nascimento de Francisca.
Chiquinha Gonzaga cresceu em uma família de pretensões aristocráticas (afilhada de Luís Alves de L. e Silva, Duque de Caxias) e conviveu bastante com a rígida família paterna.
Estudou piano com o maestro Elias Álvares Lobo. Desde cedo, frequentava rodas de lundu, umbigada e outros ritmos oriundos da África. Aos 11 anos escreve sua primeira composição, a canção natalina Canção dos Pastores.
Matrimônio
Em 1863, aos 16 anos, por imposição paterna, casou-se com Jacinto Ribeiro do Amaral, oficial da Marinha Mercante,
e logo engravidou. Não suportando a reclusão do navio onde o marido
servia, e a proibição de que não se envolvesse com a música, Chiquinha,
seis anos depois, abandona o matrimônio, escandalizando a sociedade de
então. Assim a família a expulsa de casa, proibindo-a de levar dois de
seus três filhos,
permitindo que mantivesse consigo somente o filho mais velho, João
Gualberto. Chiquinha sofreu muito por ter sido separada de seus filhos
Maria do Patrocínio e Hilário, os quais não pôde criar.
Chiquinha Gonzaga aos 78 anos
Música como profissão
Após a separação, Chiquinha leciona piano e frequenta rodas de choro, acompanhada pelo flautista Joaquim Antônio da S. Callado. Na ocasião, conhece o engenheiro de estradas de ferro João Batista de Carvalho, com quem inicia um relacionamento e tem uma filha:Alice Maria. Vivem juntos muitos anos, mas Chiquinha não aceitava suas
relações extraconjugais. Separa-se e, mais uma vez, perde uma filha,
pois a guarda de Alice fica com o pai.
Então, volta a lecionar, retorna à boemia e bailes e passa a viver como musicista independente com o grupo Choro Cariocae tocando piano em lojas de instrumentos musicais. Nesta época sofria preconceito por criar sozinha um filho. Passa a dedicar-se inteiramente à música, obtendo bastante reconhecimento pela composição de polcas, valsas, tangos e cançonetas.
Política
Envolveu-se com a política, militando em prol da abolição da
escravidão e pelo fim da monarquia. Chamava a atenção nas rodas boêmias
do Rio por ser independente e por fumar em público, algo que não era
considerado de bom tom para mulheres.
Romance e ida a Portugal
Em 1899, aos 52 anos, após décadas dedicadas à música, conheceu e
apaixonou-se por João Batista Fernandes Lage, um estudante de música de
16 anosA diferença de idade era muito grande, e temendo o preconceito,
Chiquinha escondeu o relacionamento adotando João Batista como filho.
Assim, pôde viver o grande amor evitando escândalos e em respeito aos
seus filhos, protegendo também sua brilhante carreira. Por conta disto,
em 1902 mudaram-se para Lisboa, Portugal.
Após certa resistência inicial, os filhos de Chiquinha aceitaram o
romance da mãe com naturalidade. Fernandes Lage aprendeu muito com
Chiquinha sobre a música e a vida. Eles retornaram ao Brasil
camuflados, nunca assumiram de fato o romance, que foi descoberto após a
sua morte através de cartas e fotos do casal. Ela morreu ao lado de
João Batista Lage, seu grande amigo, parceiro e fiel companheiro, seu
grande amor, em 1935, quando começava o Carnaval. Foi sepultada no Cemitério de São Francisco de Paula, no Catumbi.
Medalha de reconhecimento
A Medalha de reconhecimento Chiquinha Gonzaga, criada através do Projeto de Resolução
14/1999, é conferida a mulheres que militam em prol das causas
democráticas, humanitárias, artísticas e culturais no âmbito da União,
Estados e Municípios.
Realmente as mulheres continuam escravas emn pleno século XXI. Elas têm que conviver com um série de desvantagens em relação aos homens, não só nas oportunidades de emprego, de salário, mas sobretudo na sobrecarga doméstica, onde têm que arcar com os deveres caseiros, tais como cuidados com os filhos, refeições, arrumação da casa, etc.
Mas o que escravisa mais a mulher no nosso tempo, é o sistema social atual que a obriga a entrar no mercado de trabalho para ajudar nas despesas do lar, porque o salário do marido nunca dá para completar o orçamento doméstico.
E porque é que não dá? Não dá porque nós vivemos num sistema onde o trabalho não é valorizado como deveria sê-lo. A renda produzida vai sempre para uma minoria que possui o capital.
Mas, além disto, esta realidade econômica desfavorável às famílias, ainda gera uma animosidade entre o casal, que leva muitas vezes à violência extrema, conforme a mídia nos mostra diariamente com cenas monstruosas.
Concluindo, queria deixar aqui meu ponto de vista sobre todas estas manifestações do 8 de março.
Acho que as mulheres do mundo só vão se libertar e igualar seus salários aos dos homens, quando seus maridos se libertarem da escravidão do sistema econômico atual, que poderia ser feito através de uma reforma tributária justa, onde todos pagassem impostos proporcionalmente aos seus rendimentos e não através de alíquotas injustas como é atualmente.
Homens e mulheres são filhos de Deus e se completam e para bem do equilíbrio da paz, do amor e da família devem caminhar sempre juntos.
Posso estar errado na minha análize, mas às vezes sinto certo separatismo nestas manifestações midiáticas, que só servem mais para aumentar esta diferença de gênero.
Valentina Vladimirovna Tereshkova (em russo: Валентина Владимировна Терешкова;
Maslennikovo, 6 de março de 1937) é a primeira cosmonauta e a primeira
mulher a ter ido ao espaço, em 16 de junho de 1963, na nave Vostok VI.
Após o sucesso de sua missão, foi transformada em heroína nacional,
servindo como exemplo e estímulo às demais mulheres do mundo. Foi
condecorada pelos líderes soviéticos, russos e estrangeiros de várias
gerações. Nos anos seguintes se tornou proeminente na sociedade e na
política do país, primeiro na União Soviética e depois na Rússia. Até os
dias atuais, é a única mulher a ter feito um voo solo ao espaço.
Vinda de uma família proletária, seu pai era um motorista de trator, que
desapareceu na guerra russo-finlandesa de 1940. Valentina só conseguiu
entrar para a escola aos oito anos, começando...Continue lendo...
Data de nascimento: 13 de setembro de 1923
Local de nascimento: Fajã de Baixo, Ponta Delgada
Nacionalidade: português
Data de morte: 16 de março de 1993 (69 anos)
Local de morte: Lisboa
Ocupação: Poeta, activista
Natália de Oliveira Correia GOSE • GOL (Fajã de Baixo, São Miguel, 13 de Setembro de 1923 — Lisboa, 16 de Março de 1993
) foi uma intelectual, poeta (a própria recusava ser classificada como
poetisa por entender que a poesia era assexuada) e activista social açoriana, autora de extensa e variada obra publicada, com predominância para a poesia. Deputada à Assembleia da República (1980-1991), interveio politicamente ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos das mulheres. Autora da letra do Hino dos Açores. Juntamente com José Saramago (Prémio Nobel de Literatura, 1998), Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Tem uma biblioteca com o seu nome em Lisboa em Carnide.
A obra de Natália Correia estende-se por géneros variados, desde a
poesia ao romance, teatro e ensaio. Colaborou com frequência em diversas
publicações portuguesas e estrangeiras. Foi uma figura central das
tertúlias que reuniam em Lisboa nomes centrais da cultura e da
literatura portuguesas nas décadas de 1950 e 1960. Ficou conhecida pela
sua personalidade livre de convenções sociais, vigorosa e polémica, que
se reflecte na sua escrita. A sua obra está traduzida em várias línguas.
Biografia
Quando tinha apenas onze anos o pai emigra para o Brasil, fixando-se Natália com a mãe e a irmã em Lisboa, cidade onde fez estudos liceais no Liceu D. Filipa de Lencastre.
Iniciou-se na literatura com a publicação de uma obra destinada ao
público infanto-juvenil mas rapidamente se afirmou como poetisa.
Notabilizada através de diversas vertentes da escrita, já que foi
poetisa, dramaturga, romancista, ensaísta, tradutora, jornalista,
guionista e editora , tornou-se conhecida na imprensa escrita e, sobretudo, na televisão, com o programa Mátria,
onde advogou uma forma especial de feminismo (afastado do conceito
politicamente correcto do movimento), o matricismo, identificador da
mulher como arquétipo da liberdade erótica e passional e fonte matricial
da humanidade; mais tarde, à noção de Pátria e de Mátria acrescenta a de Frátria.
Dotada de invulgar talento oratório e grande coragem combativa, tomou parte activa nos movimentos de oposição ao Estado Novo,
tendo participado no MUD (Movimento de Unidade Democrática, 1945), no
apoio às candidaturas para a Presidência da República do general Norton de Matos (1949) e de Humberto Delgado
(1958) e na CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, 1969). Foi
condenada a três anos de prisão, com pena suspensa, pela publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, considerada ofensiva dos costumes, (1966) e processada pela responsabilidade editorial das Novas Cartas Portuguesas de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta. Foi responsável pela coordenação da Editora Arcádia, uma das grandes editoras portuguesas do tempo.
A sua intervenção política pública levou-a ao parlamento, para onde foi eleita em 1980
nas listas do PPD (Partido Popular Democrático), passando a
independente. Foi autora de polémicas intervenções parlamentares, das
quais ficou célebre, num debate sobre o aborto, em 1982, a réplica
satírica que fez a um deputado do CDS sobre a fertilidade do mesmo.
Fundou em 1971, com Isabel Meireles, Júlia Marenha e Helena Roseta, o bar Botequim, onde durante as décadas de 1970 e 1980 se reuniu grande parte da intelectualidade portuguesa. Foi amiga de António Sérgio (esteve associada ao Movimento da Filosofia Portuguesa), David Mourão-Ferreira ("a irmã que nunca tive"), José-Augusto França ("a mais linda mulher de Lisboa"), Luiz Pacheco ("esta hierofântide do século XX"), Almada Negreiros, Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança , Mário Cesariny ("era muito mais linda que a mais bela estátua feminina do Miguel Ângelo"), Ary dos Santos ("beleza sem costura") , Amália Rodrigues, Fernando Dacosta, entre muitos outros. Foi uma entusiasmada e grande impulsionadora pelo aparecimento do espectáculo de café-concerto em Portugal, na figura do polémico travesti Guida Scarllaty,
o actor Carlos Ferreira, na época um jovem arquitecto de quem era
grande amiga. Na sua casa, foi anfitriã de escritores famosos como Henry Miller, Graham Greene ou Ionesco.
A 13 de Julho de 1981 foi feita Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada. Natália Correia recebeu, em 1991, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores pelo livro Sonetos Românticos. No mesmo ano a 26 de Novembro foi feita Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.
Natália Correia casou quatro vezes. Após dois primeiros curtos
casamentos, casou em Lisboa a 31 de Julho de 1953 com Alfredo Luís
Machado (1904-1989), a sua grande paixão, bem mais velho do que ela e já
viúvo, casamento este que durou até à morte deste, a 17 de Fevereiro de
1989. (São já notáveis as cartas de amor da jovem Natália para Alfredo
Luís Machado.) Em 1990, tinha Natália 67 anos de idade, celebrou um
casamento de conveniência com o seu colaborador e amigo Dórdio Guimarães.
Morte
Na madrugada de 16 de Março de 1993, morreu , subitamente, com um ataque cardíaco, em sua casa, depois de regressada do Botequim. A sua morte precoce deixou um vazio na cultura portuguesa muito difícil de preencher. Legou a maioria dos seus bens à Região Autónoma dos Açores, que lhe dedicou uma exposição permanente na nova Biblioteca Pública de Ponta Delgada,
instituição que tem à sua guarda parte do seu espólio literário (que
partilha com a Biblioteca Nacional de Lisboa) constante de muitos
volumes éditos, inéditos, documentos biográficos, iconografia e
correspondência, incluindo múltiplas obras de arte e a biblioteca
privada.
Ode à Paz
Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!
Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)"
O Livro dos Amantes
I
Glorifiquei-te no eterno.
Eterno dentro de mim
fora de mim perecível.
Para que desses um sentido
a uma sede indefinível.
Para que desses um nome
à exactidão do instante
do fruto que cai na terra
sempre perpendicular
à humidade onde fica.
E o que acontece durante
na rapidez da descida
é a explicação da vida.
II
Harmonioso vulto que em mim se dilui.
Tu és o poema
e és a origem donde ele flui.
Intuito de ter. Intuito de amor
não compreendido.
Fica assim amor. Fica assim intuito.
Prometido.
III
Príncipe secreto da aventura
em meus olhos um dia começada e finita.
Onda de amargura numa água tranquila.
Flor insegura enlaçada no vento que a suporta.
Pássaro esquivo em meus ombros de aragem
reacendendo em cadência e em passagem
a lua que trazia e que apagou.
IV
Dá-me a tua mão por cima das horas.
Quero-te conciso.
Adão depois do paraíso
errando mais nítido à distância
onde te exalto porque te demoras.
V
Toma o meu corpo transparente
no que ultrapassa tua exigência taciturna
Dou-me arrepiando em tua face
uma aragem nocturna.
Vem contemplar nos meus olhos de vidente
a morte que procuras
nos braços que te possuem para além de ter-te.
Toma-me nesta pureza com ângulos de tragédia.
Fica naquele gosto a sangue
que tem por vezes a boca da inocência.
VI
Aumentámos a vida com palavras
água a correr num fundo tão vazio.
As vidas são histórias aumentadas.
Há que ser rio.
Passámos tanta vez naquela estrada
talvez a curva onde se ilude o mundo.
O amor é ser-se dono e não ter nada.
Mas pede tudo.
VII
Tu pedes-me a noção de ser concreta
num sorriso num gesto no que abstrai
a minha exactidão em estar repleta
do que mais fica quando de mim vai.
Tu pedes-me uma parcela de certeza
um desmentido do meu ser virtual
livre no resultado de pureza
da soma do meu bem e do meu mal.
Deixa-me assim ficar. E tu comigo
sem tempo na viagem de entender
o que persigo quando te persigo.
Deixa-me assim ficar no que consente
a minha alma no gosto de reter-te
essencial. Onde quer que te invente.
VIII
Eis-me sem explicações
crucificada em amor:
a boca o fruto e o sabor.
IX
Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.
Natália Correia, in "Poemas (1955)"
NATÁLIA E A POLÍTICA
"A nossa entrada (na CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país,
a Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente
como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser
colonialista". "A sua influência (dos retornados) na sociedade
portuguesa não vai sentir-se apenas agora, embora seja imensa. Vai
dar-se sobretudo quando os seus filhos, hoje crianças, crescerem e
tomarem o poder. Essa será uma geração bem preparada e determinada,
sobretudo muito realista devido ao trauma da descolonização, que não
compreendeu nem aceitou, nem esqueceu. Os genes de África estão nela
para sempre, dando-lhe visões do país diferentes das nossas. Mais largas
mas menos profundas. Isso levará os que desempenharem cargos de
responsabilidade a cair na tentação de querer modificar-nos, por pulsões
inconscientes de, sei lá, talvez vingança!" "Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente".
"Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda
querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje
não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica".
"Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes,
sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta
realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos
neste reaccionário centrão". "Há a cultura, a fé, o amor, a
solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter
dirigentes que acreditem nestes valores?" "As primeiras décadas do
próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego,
violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai
ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de
Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas
rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de
assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá
muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por
exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma
antecipação disso, de outras derrocadas a vir"."
Escrito há 28 anos...ou terá sido hoje? A Senhora era excêntrica mas... Parece que era BRUXA, mas não, foi apenas uma escritora HONESTA.
Natália Correia - intelectual, poeta, activista social açoriana,
deputada à Assembleia da República pelo Círculo do PPD (Partido Popular
Democrático), faleceu em 16 de Março de 1993, com 69 anos de idade.
As premonições de Natália
Natália Correia Nota: Todas as citações foram retiradas do livro "O Botequim da Liberdade", de Fernando Dacosta.
Bibliografia activa
Grandes Aventuras de um Pequeno Herói (romance infantil), 1945
Anoiteceu no Bairro (romance), 1946 ; 2004
Rio de Nuvens (poesia), 1947
Descobri Que Era Europeia: impressões duma viagem à América (viagens), 1951 ; 2002
Sucubina ou a Teoria do Chapéu (teatro), em colab. com Manuel de Lima, 1952
Poemas (poesia), 1955
Dimensão Encontrada (poesia), 1957
O Progresso de Édipo (poema dramático), 1957
Passaporte (poesia), 1958
Poesia de Arte e Realismo Poético (ensaio), 1959
Comunicação (poema dramático), 1959
Cântico do País Emerso (poesia), 1961
A Questão Académica de 1907 (ensaio), 1962
Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica: dos cancioneiros medievais à actualidade (Antologia), 1965 ; 2000
O Homúnculo, tragédia jocosa (teatro), 1965
Mátria (Poesia), 1967
A Madona (Romance), 1968 ; 2000
O Encoberto (Teatro), 1969 ; 1977
O Vinho e a Lira (Poesia), 1969
Cantares dos Trovadores Galego-Portugueses (Antologia), 1970 ; 1998
As Maçãs de Orestes (Poesia), 1970
Trovas de D. Dinis, [Trobas d'el Rey D. Denis] (Poesia), 1970
A Mosca Iluminada (Poesia), 1972
O Surrealismo na Poesia Portuguesa (Antologia), 1973 ; 2002
A Mulher, antologia poética (Antologia), 1973
O Anjo do Ocidente à Entrada do Ferro (Poesia), 1973
Uma Estátua para Herodes (Ensaio), 1974
Poemas a Rebate, (poemas censurados de livros anteriores) (poesia), 1975
Epístola aos Iamitas (poesia), 1976
Não Percas a Rosa. Diário e algo mais (25 de Abril de 1974 - 20 de Dezembro de 1975) (Diário), 1978 ; 2003
O Dilúvio e a Pomba (poesia), 1979
Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente (teatro), 1981 ; 1991
Antologia de Poesia do Período Barroco (antologia), 1982
Notas para uma Introdução às Cantigas de Escárnio e de Mal-Dizer Galego-Portuguesas (ensaio), 1982
A Ilha de Sam Nunca: atlantismo e insularidade na poesia de António de Sousa (antologia), 1982
A Ilha de Circe (romance), 1983 ; 2001
A Pécora, peça escrita em 1967 (teatro), 1983 ; 1990
O Armistício (poesia), 1985
Onde está o Menino Jesus? (contos), 1987
Somos Todos Hispanos (ensaio), 1988 ; 2003
Sonetos Românticos (poesia), 1990 ; 1991
As Núpcias (romance), 1992
O Sol nas Noites e o Luar nos Dias (poesia completa), 1993 ; 2000
Memória da Sombra, versos para esculturas de António Matos (poesia), 1993
D. João e Julieta, peça escrita em 1959 (teatro), 1999
A Ibericidade na Dramaturgia Portuguesa (ensaio), 2000
Breve História da Mulher e outros escritos (antologia de textos de imprensa), 2003
A Estrela de Cada Um (antologia de textos de imprensa), 2004
No Arquipélago dos Açores nascem todos anos bebés a
bordo das aeronaves da Força Aérea Portuguesa. Já são 26 até à data. A
ausência de maternidades em seis ilhas da região faz com que as mães,
aos 8 meses de gravidez, sejam encaminhadas para os hospitais de
referência. Mas os partos prematuros são atendidos em situações
excepcionais. Um serviço de emergência, sedeado na ilha Terceira, faz o
transporte destas mães para os hospitais de referência. De alerta estão
tripulações da Força Aérea e equipas médicas do Hospital de Angra. Os 600 kms que separam o arquipélago, de um extremo ao outro, levam a que por vezes os partos aconteçam no ar.
A 1º Tenente-Aviadora Juliana Barcellos Silva, primeira mulher a atuar como instrutora de vôo na Força Aérea Brasileira, é personagem de uma matéria que será veiculada na noite deste domingo (13 de junho), no Programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão.
As gravações foram realizadas no dia 11 de junho, na Academia da Força Aérea (AFA), onde a militar serve. O jornalista Zeca Camargo entrevistou a instrutora, que falou sobre como é ser a única mulher a exercer a função de ensinar os cadetes aviadores a pilotar. O repórter realizou um voo na aeronave T-25 Universal junto à Tenente Juliana.
A militar nasceu no Rio de Janeiro e ingressou na AFA em 2003, com 20 anos. Concluiu o curso de Formação de Oficiais Aviadores em 2006 e foi designada para realizar o Curso de Especialização na Aviação de Transporte no Primeiro Esquadrão do Quinto Grupo de Aviação (1º/5º GAV), em Fortaleza (CE). Um ano depois, foi servir no Segundo Esquadrão de Transporte Aéreo (2º ETA), em Recife (PE). Em 2010, foi designada para ser instrutora na AFA. A Tenente Juliana já voou as aeronaves T-25 Universal, T-27 Tucano, TZ-13 Blanik (planador), U-42 Regente e C-95 Bandeirante.
Em 1998 era Capitão na base Aérea de Beja, Integrava a esquadra de Caças
Jaguar 301 da Força Aérea Portuguesa. Foi instrutora dos novos pilotos
da Força Aérea durante 3 anos e meio. Passou depois para a esquadra de
conversão operacional a voar Alpha Jet.
A antiga Major Paula Costa é agora Co-Piloto da TAP.
Para a RCM escreveu o jornalista NUNO MENDONÇA (*)
MARIA DA LUZ RÉGIO MENDONÇA CELEBROU 100 ANOS RODEADA DE FILHOS, NETOS, BISNETOS E OUTROS FAMILIARES E AMIGOS.
No dia 12 de Março cheguei à aldeia de Monsanto junto de
minha avó para um abraço de parabéns que ela me deu com prazer, mas logo
me lembrou:"só faço 100 anos às 4 da tarde, a minha mãe sempre me disse
que nasci às quatro da tarde de 12 de Março de 1910." A resposta diz tudo. A "avó Luz", como eu e os meus
primos a conhecemos toda a vida, continua com a lucidez que sempre lhe
conhecemos. Esta senhora nasceu a escassos meses do fim da
monarquia em Outubro de 1910, viu os pais alimentar refugiados durante a
guerra civil de Espanha nos anos 30, foi crescendo na vida a pulso,
apoiando sempre o marido Manuel Bernardo de Mendonça ("Paveias" para os
amigos) educando os filhos Raúl, José, António e Luísa, em tempos duros
onde a fome e miséria grassavam. Foi enfim testemunha de todo o século 20 e tem ainda
os olhos, os ouvidos (a única dificuldade que lhe encontramos) e os
sentidos postos no século 21. Nunca Maria da Luz faltou com alimento aos filhos,
nunca Maria da Luz lhes faltou também com lições de vida, de disciplina,
de fé. Foi educadora, como pôde e soube, mas foi-o. A maior lição
talvez foi ensinar-lhes que deviam respeitar toda a gente para serem
respeitados. E sempre acrescentava "viver não custa nada, mas saber
viver custa muito." E os filhos lembraram-se e emocionaram-se com a
memória da mãe do passado e do presente, na festa do Forno com que
celebrámos em grande o centenário de Maria da Luz Régio. Filhos, netos e bisnetos, sobrinhos, familiares e
amigos vieram de Lisboa, Coimbra, Évora, Alcobaça e Macau. As
celebrações começaram com a missa presidida pelo cónego Victor Vaz, que
lembrou a fé de uma mulher que à beira dos 100 anos ainda se ajoelha à
passagem da procissão do Santíssimo. Chegar aos 100 com fé em Deus e na vida é um exemplo
único num tempo em que achamos que não temos tempo para nada, nem para
nós próprios. Maria da Luz viveu sob o lema do saber viver, e viver cada
dia de cada vez, um mandamento intemporal de que nos esquecemos quase
todos os dias. Despedindo-nos dela no fim da festa, prometeu-nos como
sempre rezar a oração da boa-viagem para que Deus nos proteja no
regresso a casa. Nós queremos agora regressar para o ano, para os 101.
Bem-haja e que conte muitos, avó!
16 de setembro de 1907,
Santo Amaro da Purificação, BA
Morte
25 de dezembro de 2012 (105 anos),
Santo Amaro da Purificação, BA
Nacionalidade
Brasileira
Claudionor Viana Teles Velloso (Santo Amaro da Purificação, 16 de setembro de 1907 — 25 de dezembro de 2012), mais conhecida como Dona Canô, foi uma cidadã baiana centenária. Mãe de oito filhos, entre eles os músicos Caetano Veloso e Maria Bethânia, sendo duas criadas, era viúva de José Teles Velloso (Seu Zeca), funcionário público dos Correios, falecido em 13 de dezembro de 1983, aos 82 anos.
Considerada uma das mais ilustres cidadãs de Santo Amaro da
Purificação, teve publicadas suas memórias no livro “Canô Velloso,
lembranças do saber viver”, escrito pelo historiador Antônio Guerreiro
de Freitas e por Arthur Assis Gonçalves da Silva, falecido antes do
término da obra. Organizava periodicamente Terno de Reis na cidade.
Dona Canô e Lula
Em 2009, Caetano Veloso, em entrevista a O Estado de São Paulo ao qual declara seu apoio à candidatura de Marina Silva, disse:
“
Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama
ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o
Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona
falando, grosseiro. Ela fala bem.
”
— Caetano Veloso, O Estado de São Paulo
Esta frase em especial causou grande repercussão, chegando a fazer com que Dona Canô quisesse ligar para o presidente Lula para pedir desculpas por Caetano.
“
Lula não merece isso. Quero
muito bem a ele. Foi uma ofensa sem necessidade. Caetano não tinha que
dizer aquilo. Vota em Lula se quiser, não precisa ofender nem procurar
confusão.
”
— Dona Canô,
A polêmica praticamente se encerrou após Lula ligar pessoalmente para Dona Canô e perdoar Caetano.
“
Não fique chateada, preocupada, porque gosto muito da senhora e gosto do Caetano também. Está tudo bem, essas coisas acontecem.
”
— Presidente Lula,
Sobre a fama
Quando perguntada sobre a própria fama, Dona Canô dizia que não entende a razão:
Apenas fiquei conhecida por causa de meus dois filhos que nunca se esqueceram de onde vieram nem da mãe que têm.
Um tributo à garra da mulher italiana imigrante: Caxias do Sul prepara comemorações dos 130 anos de Ana Rech Martedì - 13/03/2007
Foto: Divulgação
Em
frente à igreja de N.S.do Caravaggio, a escultura de Ana Rech, uma
imigrante italiana que superou as dificuldades de ser uma mulher
"sozinha".
Uma comunidade surgida a partir da
tenacidade de uma imigrante italiana comemorará, nos dias 21 e 22 de
abril, 130 anos. A Prefeitura de Caxias do Sul e a Associação dos
Amigos da localidade já trabalham na organização dos preparativos para
as comemorações da região que levou o nome de uma mulher que é
considerada uma verdadeira heroína: Ana Rech.
A comissão reuniu-se
com o Prefeito José Ivo Sartori e secretários no último final de
semana.. Estiveram no gabinete o subprefeito Hélio Dall'Alba, o pároco
Bruno Barbieri, o presidente da Samar, Afrânio Basso, a
diretora-executiva, Lorena Steffli e o escritor Luiz Antônio Alves, além
dos secretários Daniel Guerra (Turismo), Antônio Feldmann (Cultura),
Nestor Pistorello (Agricultura), Jair Bastos de Souza (SMEL) e), bem
como a a diretora de Memória e Patrimônio Cultural, Lilliana Henrichs,
que já estão envolvidos com o evento.
A HISTÓRIA DE ANNA MARIA PAULETTI RECH
Anna Maria
Pauletti Rech partiu de Pedavena, da Província de Belluno, no Norte da
Itália, em 12 de outubro de 1876, rumo ao Brasil. Ela tinha, então, 48
anos de idade. Era viúva e trazia consigo os oitos filhos. Não lhe
restava outra opção, em face da mísera realidade oferecida pela pátria
de origem. A viagem de navio durou quatro meses.
Em abril de
1877, Anna Rech se fixava no lote 104 do Travessão Leopoldina, na
Colônia de Caxias. O local fora escolhido por indicação de que ali, rota
de tropeiros, seria um bom lugar para a abertura de uma pequena casa de
comércio e de hospedagem.
Determinada, superando as dificuldades
intrínsecas à vida de uma mulher "sozinha" naquela época, Anna
construiu um galpão de comércio e hospedagem, e cercou o potreiro com
boa pastagem e água. Logo os viajantes perceberam no estabelecimento um
bom lugar para descansar e, na manhã seguinte, alcançar, a 10 km, o
centro comercial do Campo dos Bugres - atualmente, Caxias do Sul.
Com
o tempo, a localidade, cujo nome originalmente era 8ª Légua, passou a
se chamar Ana Rech, graças à familiaridade de colonos, tropeiros e
comerciantes com "o galpão de Ana Rech".
A imigrante italiana faleceu em 16 de maio de 1916, aos 88 anos.
Além
de denominar a comunidade caxiense, Anna Rech é também o nome de uma
escola em Pedavena. Em frente à Igreja Matriz de Caxias do Sul, a figura
de Anna Rech encontra-se imortalizada em monumento de autoria do
escultor caxiense Bruno Segalla. E ainda: Caxias do Sul e Pedavena
tornaram-se co-irmãs, mediante o gemelaggio.
Anna
Anna
Pauletti, questo il suo vero nome, nacque a Pren, frazione di Pedavena
nel 1828. Nel 1847, a 19 anni, andò sposa a Osvaldo Rech dal quale ebbe
sette figli e che la lasciò vedova nel 1875 quando aveva 47anni.
Le
misere condizioni economiche della famiglia, esasperate dalla presenza
di due figlie minorate, indussero Anna a cercare fortuna nel nuovo
mondo, che per lei, come per migliaia di altri veneti, si identificò nel
Brasile. Partì da Pedavena il 12 dicembre 1876. La più giovane dei
sette figli aveva dodici anni.
Il cammino della speranza per la
famiglia Rech si concluse dopo quattro mesi di viaggio, nell’aprile del
1877, quando giunse sui terreni avuti in concessione, due lotti di 25
ettari ciascuno nello stato più meridionale del Brasile, il Rio Grande
do Sul.
Il terreno assegnato aveva il vantaggio di trovarsi tra i
punti obbligati di passaggio per quanti scendevano o salivano le piste
della Serra do Mar.
Analfabeta ma dotata di senso pratico e
spirito d’iniziativa, Anna adattò la baracca dove viveva ad osteria e a
spaccio di pochi generi di prima necessità e poi anche a locanda, dove i
viandanti potevano trovare sosta e riposo.
La vedova riuscì a
"lanciare" il locale e il nome del suo piccolo emporio si diffuse in
tutto il vicinato e si impose tra i coloni, i commercianti e gli
allevatori locali. La possibilità di fermarsi a bere un bicchiere, a
mangiare un boccone e ad incontrare altra gente con la quale parlare di
affari divenne una locuzione di riferimento topografico: ci troviamo da
Anna Rech. Con tale nome la località finì sugli atti notarili, sui
rapporti dei funzionari governativi e, infine, sulle carte geografiche.
Negli anni che seguirono, il nome Anna, adattandosi alla lingua locale,
diventò Ana, mentre il piccolo nucleo abitato iniziale si espandeva
progressivamente, in un processo di crescita favorito dalla vicinanza
dell'importante centro di Caxias.
Attorno ai Rech e nel vasto
circondario erano sopravvenute ondate di altri coloni, molti provenienti
dal Feltrino e dal Bellunese, altri dalle province venete.
Non
furono risparmiate ad Anna sofferenze e dolori. Alle figlie minorate si
aggiunse il disadattamento del figlio Giuseppe che all'arrivo in colonia
contava 18 anni e che non riuscì mai a inserirsi nella nuova realtà,
morendo in un incidente.
Anna si spense all'età di 88 anni, dopo
averne trascorsi 39 in Brasile, il 16 maggio del 1916, mentre il Veneto,
e tutta l’Europa, era sconvolto da quella che fu poi chiamata la Grande
Guerra.
La sua figura non fu però dimenticata, né in Brasile né
in Veneto. A Caxias, sulla porta della Chiesa di San Pellegrino, opera
dello scultore Augusto Murer eseguita in occasione delle celebrazioni
per il primo centenario della colonizzazione italiana, tra le figure in
altorilievo di bronzo, compare anche quella di Anna e il sobborgo che
porta il suo nome eresse un monumento alla fondatrice, posto nella
piazza della chiesa. Il comune di Pedavena a sua volta dedicò al suo
nome, nel 1990, la nuova scuola media.
OBS. As Grandes Sesmarias da Serra Gaúcha em posse dos grandes fazendeiros portugueses, como Bento Lisboa e outros, foram cedidas aos imigrantes italianos a preços baixos e a longo prazo e às vezes até gratuitamente.
Foi o próprio Bento Lisboa, que vendo neles uma grande capacidade profissional, principalmente na atividade vinícula, lhes sugeriu que organizassem todos os anos uma grande festa da uva, que perdura até hoje, com grandes desfiles de carros alegóricos com produtos da terra e lindas moças com trajes típicos.
Logo à entrada do pátio da Exposição em Caxias do Sul, encontra-se uma estátua de Bento Lisboa, homenagem da colônia italo - brasileira.
A Madonna na Tristeza, por Sassoferrato
Século XVII
Nascimento
Desconhecido
Celebrado no dia 8 de Setembro
Residência
Nazaré, Galiléia
Nacionalidade
Israelita, Império Romano
Etnia
Judia
Cônjuge
José
Filho
Jesus
Pais
Joaquim e Ana (de acordo com o protoevangelho de Tiago)
Venerada por
Cristãos
Festa
1 de Janeiro
Casa Real
Judá
Maria (hebraico: מִרְיָם, Miriam; aramaico: Maryām; árabe: مريم, Maryam; grego: Μαρία, María), também conhecida como Maria de Nazaré, Santa Maria, Mãe Maria, Virgem Maria, Nossa Senhora, Santíssima Virgem Maria, Theotokos, Maria, Mãe de Deus e, no Islã, como Maria, Mãe de Isa, foi uma mulher israelita de Nazaré, Galiléia, que viveu no final do século 1 a.C. e início do século 1 d.C., é considerada pelos cristãos como a primeira adepta ao cristianismo. Ela é identificada no Novo Testamento e no Alcorão como a mãe de Jesus através da intervenção divina (Mateus 1:16-25, Lucas 1:26-56, Lucas 2:1-7). Jesus é visto como o messias — o Cristo — em ambas as tradições, dando origem ao nome comum de Jesus Cristo.
Os evangelhos canônicos de Mateus e Lucas descrevem Maria como uma virgem (grego: παρθένος, parthenos). Tradicionalmente, os cristãos acreditam que ela concebeu seu filho milagrosamente pela ação do Espírito Santo. Os muçulmanos acreditam que ela concebeu pelo comando de Deus. Isso ocorreu quando ela estava noiva de José e aguardava o rito do casamento, que tornaria a união formal. Ela se casou com José e o acompanhou a Belém, onde Jesus nasceu.
De acordo com o costume judaico, o noivado teria ocorrido quando ela
tinha cerca de 12 anos, o nascimento de Jesus aconteceu cerca de um ano
depois.
O Novo Testamento começa o seu relato da vida de Maria com a anunciação, quando o anjo Gabriel
apareceu a ela anunciando que Deus a escolheu para ser a mãe de Jesus. A
tradição da Igreja e os escritos apócrifos afirmam que os pais de Maria
eram um casal de idosos, São Joaquim e Santa Ana.
A Bíblia registra o papel de Maria em eventos importantes da vida de Jesus, desde o seu nascimento até a sua ascensão. Escritos apócrifos falam de sua morte e posterior assunção ao céu.
Os cristãos da Igreja Católica, da Igreja Ortodoxa, da Igreja Ortodoxa Oriental, da Igreja Anglicana e da Igreja Luterana acreditam que Maria, como mãe de Jesus, é a Mãe de Deus (Μήτηρ Θεοῦ) e a Theotokos, literalmente Portadora de Deus. Maria foi venerada desde o início do cristianismo. Ao longo dos séculos ela tem sido um dos assuntos favoritos da arte, da música e da literatura cristã.
Há uma diversidade significativa nas crenças e práticas devocionais marianas entre as grandes tradições cristãs. A Igreja Católica tem uma série de dogmas marianos, como a Imaculada Conceição de Maria e Assunção de Maria. Os católicos se referem a ela como Nossa Senhora e a veneram como a Rainha do Céu e Mãe da Igreja, porém, a maioria dos protestantes não compartilham dessas crenças. Muitos protestantes vêem um papel mínimo de Maria dentro do Cristianismo, com base nas poucas referências bíblicas.
O Novo Testamento relata sua
humildade e obediência à mensagem de Deus e faz dela um exemplo para
cristãos de todas as idades. Fora das informações fornecidas no Novo
Testamento pelos Evangelhos sobre a dama da Galileia, a devoção cristã e
a teologia construíram uma imagem de Maria, que cumpre a previsão
atribuída a ela no Magnificat: «Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada.» (Lucas 1:48)
”
— "Mary." Web: 29Sep2010 Encyclopædia Britannica Online.,
O nome "Maria" vem do grego Μαρία, que é uma forma abreviada de Μαριάμ. O nome do Novo Testamento foi baseado em seu nome original em hebraico, מִרְיָם ou Miryam. Ambos, Μαρία e Μαριάμ, aparecem no Novo Testamento.
Maria, a mãe de Jesus, é chamada pelo nome cerca de vinte vezes no Novo Testamento.
Família e infância
Os primeiros sete passos de Maria,
Mosaico do séc. XII na Igreja de Chora, Istambul.
Segundo uma tradição católica estima-se que a Virgem teria nascido a 8 de setembro, num sábado, [carece de fontes?] data em que a Igreja festeja a sua Natividade. Também é da tradição pertencer à descendência de Davi - neste sentido existem relatos de Inácio de Antioquia, Santo Irineu, São Justino e de Tertuliano - consta ainda dos "apócrifos" Evangelho do nascimento de Maria e do Protoevangelion e é também de uma antiga tradição que remonta ao século II que seu pai seria São Joaquim, descendente de Davi, e que sua mãe seria Sant'Ana, da descendência do Sacerdote Aarão.
Alguns autores afirmam que Maria era filha de Eli, mas a genealogia fornecida por Lucas alista o marido de Maria, São José, como "filho de Eli". A Cyclopædia de M'Clintock e Strong diz:
"É bem conhecido que os judeus, ao elaborarem suas tabelas
genealógicas, levavam em conta apenas os varões, rejeitando o nome da
filha quando o sangue do avô era transmitido ao neto por uma filha, e
contando o marido desta filha em lugar do filho do avô materno. (Números 26:33)."
Possivelmente por este motivo Lucas diz que José era filho de Eli (Lucas 3:23).
Pelo texto Caverna dos Tesouros, atribuído a Efrém da Síria, Ana (Hannâ ou Dînâ) era filha de Pâkôdh e seu marido se chamava Yônâkhîr.. Yônâkhîr e Jacó eram filhos de Matã e Sabhrath. Jacó foi o pai de José, desta forma, José e Maria eram primos. Maria nasceu sessenta anos depois que seu pai, São Joaquim, tomou Santa Ana por esposa.
De acordo com o costume judaico aos três anos, Maria teria sido apresentada no Templo de Jerusalém, é também da tradição que ali teria permanecido até os doze anos no serviço do Senhor, quando então teria morrido seu pai, São Joaquim.
Com a morte do pai teria se transferido para Nazaré, onde São José morava. Três anos depois realizar-se-iam os esponsais. Os padres bolandistas, que dirigiram a publicação da Acta Sanctorum de 1643 a 1794, supõem em seus estudos que São Joaquim era irmão de São José, o que caracterizaria um caso de endogamia, o que era comum entre os judeus.
Palavras de Maria
A Anunciação por Eustache Le Sueur, um exemplo da arte Mariana do século XVII. O anjo Gabriel anuncia a Maria que ela dará a luz a Jesus e lhe oferece lírios brancos.
Nos Evangelhos Maria faz uso da palavra por sete vezes, três delas dirigidas ao Anjo da Anunciação, o Magnificat
em resposta a Isabel, duas dirigidas ao seu Filho e uma só e última vez
dirigida aos homens (aos servos das bodas de Caná) que a Igreja
Católica conserva com todo o valor de um testamento:
Na Anunciação:
Como poderá ser isto, se não conheço varão? (Lucas 1:34).
"Eis aqui a serva do senhor, faça-se em mim, segundo a Tua palavra (Lucas 1:38)
Na Visitação (o Magnificat):
"A minha alma engrandece o Senhor." (Lucas 1:46-55)
Jesus entre os doutores:
"Filho, porque fizeste isto conosco? eis que teu pai e eu te procurávamos angustiados." (Lucas 2:48).
Bodas de Caná:
"Não têm mais vinho"... (João 2:3).
"Fazei tudo o que Ele vos disser" (João 2:5).
Palavras dirigidas a Maria
Nos Evangelhos por oito vezes a palavra é dirigida a Maria:
Na Anunciação:
A saudação do anjo: Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo. (Lucas 1:28).
Theotokos de Vladimir, ícone bizantino de Maria.
O anúncio da Encarnação: Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho a quem porás o nome de Jesus. (Lucas 1:30-33).
Por obra e graça do Espírito Santo: O Espírito Santo descerá
sobre ti e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso
também o que nascer será chamado Santo, Filho de Deus. (Lucas 1:35-37).
A Profecia de Simeão:
Simeão Lhe fala da espada que trespassará o coração: ...e uma espada trespassará a tua própria alma a fim de que se descubram os pensamentos de muitos corações. (Lucas 2:34).
Na Visitação:
Isabel ao responder à sua saudação: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! (Lucas 1:42-45).
Jesus entre os doutores:
O Menino-Deus a responde no templo: Por que me buscáveis? Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai? (Lucas 2:49)
Nas Bodas de Caná:
Cristo:Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou. (João 2:4)
Stabat Mater:
Por Cristo na Cruz: Jesus, vendo a sua Mãe e, junto d'Ela, o discípulo que amava, disse à sua Mãe: "Mulher,
eis aí o teu filho." Depois disse ao discípulo: "Eis aí a tua Mãe." E
daquela hora em diante o discípulo a levou para sua casa. (Lucas 19:26-27).
As sete dores de Maria
A historiografia de Maria colhe uma tradição fundada nos evangelhos que venera as suas Sete Dores, são sete momentos da sua vida em que passou por sofrimento humano notável:
Primeira dor: a profecia de Simeão.
Segunda dor: a fuga para o Egipto.
Terceira dor: Jesus perdido no Templo.
Quarta dor: Maria encontra o seu Filho com a cruz a caminho do Calvário.
Quinta dor: Jesus morre na Cruz.
Sexta dor: Jesus é descido da Cruz e entregue a sua Mãe.
Sétima dor: o corpo de Jesus é sepultado.
Devoção cristã
2ª a 5º Século
Série de artigos sobre Mariologia católica
Maria, mãe de Jesus
Devoção
Hiperdulia • Companhia de Maria • Imaculado Coração • Sete Dores • Títulos • Santo Rosário • Escapulário do Carmo • Direito Canônico
Orações marianas famosas
Ave Maria • Magnificat • Angelus • Infinitas graças vos damos • Lembrai-vos • Salve Rainha
Dogmas e Doutrinas
Mãe de Deus • Pérpetua Virgindade • Imaculada Conceição • Assunção • Mãe da Igreja • Medianeira • Corredentora • Rainha do Céu
Aparições
Crenças reconhecidas ou dignas de culto
Guadalupe • Medalha Milagrosa •
La Salette • Lourdes • Fátima • Caravaggio • Prouille
Doutrina da Igreja Católica
A devoção cristã a Maria remonta ao século II e antecede o surgimento
de um sistema específico litúrgico mariano no século V, após o Primeiro Concílio de Éfeso em 431. O próprio conselho foi realizado em uma igreja que havia sido dedicada a Maria cerca de cem anos antes. No Egito, a veneração a Maria tinha começado no século III e o termo Theotokos foi usado por Orígenes, o pai da Igreja de Alexandria.
A mais antiga oração mariana que se conhece (o sub tuum praesidium, ou sob vossa proteção) é do 3º século e seu texto foi redescoberto em 1917 em um papiro no Egito. Após o Édito de Milão
em 313, imagens artísticas de Maria começaram a aparecer em público e
grandes igrejas estavam sendo dedicadas a ela, como por exemplo, a Basílica de Santa Maria Maior, em Roma.
Idade Média
Durante a Idade Média muitas lendas surgiram sobre Maria, sobre seus pais e até mesmo avós.
Após a Reforma
Ao longo dos séculos, a devoção a Maria tem variado entre as
tradições cristãs. Por exemplo, enquanto os protestantes dão pouca
atenção aos hinos e orações marianas, os ortodoxos veneram a mãe de
Jesus e a consideram "mais ilustre do que os Querubins e mais gloriosa que os Serafins."
O teólogo ortodoxo Sergei Bulgakov
escreveu: "O amor e a veneração a Virgem Maria é a alma da devoção
ortodoxa. A fé em Cristo, que não inclui sua mãe, é uma outra fé."
Embora os católicos honrem e venerem Maria, não a vêem como divina e
muito menos a adoram. Os católicos creem que Maria é subordinada a
Cristo, mas ainda assim, ela está acima de todas as outras criaturas. Da mesma forma, o teólogo Sergei Bulgakov
escreveu que, embora a Igreja Ortodoxa acredite em Maria como superiora
a todos os seres criados e incessantemente ore por sua intercessão, ela
não é considerada uma "substituta do único mediador", que é Cristo. Também escreve "Que Maria seja honrada, mas a adoração deve ser dada ao Senhor".
Os católicos utilizam o termo hiperdulia para definir a veneração a Maria, ao invés de latria, que se aplica exclusivamente a Deus e dulia, que se aplica aos outros santos e santas. A definição da hierarquia de culto em três níveis, latria, hiperdulia e dulia, remonta ao Segundo Concílio de Niceia, em 787.
As devoções a representações artísticas de Maria variam entre as
tradições cristãs. Existe uma longa tradição da arte mariana Católica
Romana e nenhuma imagem permeia essa arte como a Virgem com o Menino Jesus. O ícone da virgem é sem dúvida o ícone mais venerado entre os ortodoxos. Tanto católicos romanos quanto ortodoxos veneram as imagens e ícones de Maria, dado que o Segundo Concílio de Niceia,
em 787, permitia essa veneração dos católicos com o entendimento de que
aqueles que veneram a imagem estão venerando na realidade a pessoa que
ela representa, e o Sínodo de Constantinopla em 842, estabeleceu o mesmo para os ortodoxos. Os ortodoxos, no entanto, apenas oram e veneram imagens bidimensionais e não estátuas tridimensionais.
A posição anglicana
em relação a Maria é mais conciliadora do que os protestantes em geral e
em um livro sobre a oração com os ícones de Maria escrito por Rowan Williams, Arcebispo de Cantuária,
ele diz: "Não se trata apenas de não podermos compreender Maria sem
vê-la fazendo referência a Cristo; não podemos entender a Cristo sem dar
atenção a Maria."
Títulos
Títulos para homenagear Maria ou para pedir a sua intercessão por
determinadas causas são usados por algumas tradições cristãs (tais
como a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica) e por outras não (por exemplo, o Protestantismo). Os títulos mais conhecidos são Maria, Mãe de Deus (Theotókos), Santíssima Virgem Maria, Nossa Senhora e Rainha do Céu (Regina Caeli).
Títulos específicos variam entre os pontos de vista ecumênicos, católicos, ortodoxos, anglicanos, luteranos, protestantes, islâmicos e mórmons.
Maria é chamada de Theotokos pela Igreja Ortodoxa, Igreja Ortodoxia Oriental, Igreja Anglicana e Igreja Católica, um título reconhecido no Terceiro Concílio Ecumênico (realizada em Éfeso, para abordar os ensinamentos de Nestório, em 431). Theotokos (e seu equivalente em latim, Deipara e Dei genetrix) significa literalmente "portadora de Deus". A frase equivalente "Mater Dei" (Mãe de Deus) é mais comum na América e na Igreja Católica de Rito Latino. O Concílio declarou que os pais da Igreja "não hesitaram em falar da Santa Virgem como Mãe de Deus".
Alguns títulos possuem base bíblica, como por exemplo, Mãe Rainha,
título dado a Maria por ela ser a mãe de Jesus, que por vezes é chamado
de "Rei dos Reis" devido à sua linhagem que remonta ao rei Davi. A base bíblica para a o termo rainha pode ser vista em Lucas 1:32 e no livro do profeta Isaías 9:6, e Mãe Rainha a partir de 1 Reis 2:19-20 e Jeremias 13:18-19. Outros títulos surgiram a partir de milagres relatados, aparições ou ocasiões especiais, como por exemplo, Nossa Senhora do Bom Conselho, Nossa Senhora dos Navegantes ou Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
Os três principais títulos de Maria usados pelos ortodoxos são Theotokos ou Mãe de Deus (em grego Θεοτόκος), Aeiparthenos ou Sempre Virgem (em grego ἀειπαρθὲνος), como confirmado no Quinto Concílio Ecumênico em 553, e Panagia ou toda santa (em grego Παναγία).
Um grande número de títulos são dados a Maria pelos católicos, e estes
títulos têm, por sua vez, dado origem a muitas representações
artísticas, por exemplo o título de Nossa Senhora das Dores, que resultou em obras-primas como Pietà de Michelangelo.
Festas Marianas
Decorações durante a Festa da Assunção
em Għaxaq, Malta.
As primeiras festas relacionadas a Maria cresceram fora do ciclo de festas que celebravam a natividade de Jesus. Segundo o Evangelho de Lucas (Lucas 2:22-40),
quarenta dias após o nascimento de Jesus, juntamente com a apresentação
de Jesus no templo, Maria foi purificada de acordo com os costumes
judaicos, a Festa da Purificação começou a ser celebrada por volta do século V e se tornou a Festa de Simeão em Bizâncio.
Nos séculos VII e VIII, quatro festas marianas foram criadas na Igreja Oriental. Na Igreja Católica de Rito Latino uma festa dedicada a Maria, pouco antes do Natal, foi comemorada nas Igrejas de Milão e Ravenna,
na Itália, no século VII. As quatro festas marianas da Purificação,
Anunciação, Assunção e Natividade de Maria foram gradativamente e
esporadicamente, introduzidas na Inglaterra no século XI.
Com o tempo, o número e a natureza das festas (e dos títulos associados a Maria)
e as práticas venerativas que as acompanham têm variado muito entre as
diversas tradições cristãs. De um modo geral, são significativamente
mais títulos, festas e práticas venerativas marianas entre os católicos
do que quaisquer outras tradições.
Algumas festas fazem referência a eventos específicos, por exemplo, a
festa de Nossa Senhora da Vitória foi baseada na vitória em 1571 dos Estados Papais na Batalha de Lepanto.
A diferenças nas festas também podem se originar a partir de questões doutrinárias – a Assunção de Maria e a Dormição de Maria são um exemplo, dado que não há um acordo entre todos os cristãos sobre as circunstâncias do fim da mãe de Jesus. Enquanto a Igreja Católica celebra a festa da Assunção em 15 de Agosto, alguns católicos orientais celebram a Dormição da Theotokos em 28 de Agosto, se eles seguirem o calendário juliano. A Igreja Ortodoxa
também celebra a Dormição da Theotokos, uma de suas doze grandes
festas. Os protestantes não celebram estas ou quaisquer outras festas
marianas.
Doutrina cristã
Há uma diversidade entre as doutrinas marianas das igrejas cristãs,
as principais delas podem ser descritas resumidamente da seguinte forma:
Mãe de Deus: afirma que Maria, por ser a mãe de Jesus é, portanto, a mãe de Deus.
Nascimento virginal de Jesus: afirma que Maria concebeu Jesus milagrosamente pela ação do Espírito Santo, permanecendo virgem após o parto.
Dormição: afirma que Maria entrou em sono profundo, antes de sua morte natural.
Assunção: afirma que Maria foi levada de corpo e alma para o céu.
Imaculada Conceição: afirma que Maria foi concebida sem pecado original.
Perpétua Virgindade: afirma que Maria permaneceu virgem durante toda a sua vida.
A aceitação destas doutrinas por cristãos podem ser classificadas como se segue:
Doutrina
Definida em
Aceita por
Mãe de Deus
Primeiro Concílio de Éfeso, 431
Católicos Romanos, Ortodoxos, Anglicanos, Luteranos, Metodistas
Mórmons (como Mãe do Filho de Deus)
Munificentissimus Deus
encíclica do Papa Pio XII, 1950
Católicos Romanos, Ortodoxos, alguns Anglicanos e alguns Luteranos
Imaculada Conceição
Ineffabilis Deus
encíclica do Papa Pio IX, 1854
Católicos Romanos, alguns Anglicanos e alguns Luteranos
Perpétua Virgindade
Segundo Concílio de Constantinopla, 533
Artigos de Esmalcalde, 1537
Católicos Romanos, Ortodoxos, alguns Anglicanos e alguns Luteranos
No Credo de Nicéia (constituído no Primeiro Concílio de Niceia, em 325) a Igreja se referia a Jesus Cristo como o próprio Deus. Posteriormente, no Primeiro Concílio de Éfeso, realizado na Igreja de Maria em 431, o dogma Mãe de Deus (Theotokos) foi proclamado. Esta doutrina é aceita por algumas das principais tradições cristãs. A New Catholic Encyclopedia
diz: "Maria é realmente a mãe de Deus, se se satisfizerem duas
condições: que ela é realmente a mãe de Jesus e que Jesus é realmente
Deus." O termo Mãe de Deus já havia sido usado na mais antiga oração a Maria que se conhece, sub tuum praesidium, que data de aproximadamente 250 AC. Segundo São Tomás de Aquino: "A Santíssima Virgem, por ser Mãe de Deus, possui uma dignidade, de certo modo infinita, derivada do bem infinito que é Deus".
O nascimento virginal de Jesus tem sido uma crença universalmente aceita entre os cristãos desde o século II, ela está incluída nos dois credos cristãos mais utilizados, o Credo Niceno-Constantinopolitano e o Credo dos Apóstolos. O Evangelho de Mateus descreve Maria como a virgem que cumpre a profecia de Isaías 7:14.
Os autores dos Evangelhos de Mateus e Lucas consideram a concepção de
Jesus não como resultado de relações sexuais com José ou qualquer outra
pessoa (afirmam que Maria "não teve relações com homem algum" antes do
nascimento de Jesus em Mateus 1:18, 25 e Lucas 1:34), mas sim como obra de Deus, pela ação Espírito Santo.
As doutrinas da Assunção ou Dormição de Maria estão relacionadas com a morte e assunção corpórea da virgem ao céu. Enquanto a Igreja Católica Romana criou o dogma da assunção (ou seja, que a Maria foi para o céu diretamente, sem uma morte física habitual) a Igreja Ortodoxa acredita na Dormição (ou seja, que Maria adormeceu, rodeada pelos Apóstolos, tendo uma morte natural).
Os católicos romanos acreditam na Imaculada Conceição de Maria, proclamada em Ex Cathedra pelo Papa Pio IX
em 1854. Este dogma afirma que ela estava cheia de graça, desde o
momento de sua concepção no ventre de sua mãe, sendo preservada da
mancha do pecado original. A Igreja Católica Romana tem uma festa litúrgica com esse nome, que é comemorada em 8 de Dezembro.
A Igreja Ortodoxa rejeita a Imaculada Conceição, principalmente porque a
sua compreensão do pecado original difere das idéias da Igreja Católica
Romana.
A virgindade perpétua de Maria afirma que Maria foi virgem antes, durante e após o nascimento do filho de Deus feito homem. O termo Sempre Virgem (do grego ἀειπάρθενος) é aplicado neste caso, afirmando que Maria permaneceu virgem durante toda a sua vida, fazendo com que a concepção e nascimento de Jesus, seu filho único, sejam considerados atos milagrosos.
Perspectivas sobre Maria
Perspectivas cristãs
As perspectivas cristãs marianas incluem uma grande variedade de
opiniões. Enquanto alguns cristãos, como os católicos romanos e
ortodoxos orientais, têm bem estabelecido tradições marianas,
protestantes em geral dão pouca atenção para esse tema. A Igreja
Católica Romana, Igreja Ortodoxa, Igreja Ortodoxa Oriental, Igreja
Anglicana e Igreja Luterana veneram a virgem maria, cada um de um modo
diverso.
A veneração pode assumir a forma de oração, pedindo a intercessão
dela juntamente com o seu Filho, Jesus Cristo, e também de composições
de poemas e canções, pinturas e esculturas, títulos em sua homenagem,
revelando uma posição de destaque em relação aos demais santos e santas.
No Catolicismo Romano
A virgem com os anjos, por William-Adolphe
Bouguereau, 1900
Na Igreja Católica, Maria é reconhecida pelo título de bem-aventurada, em reconhecimento a sua assunção
ao céu e a sua capacidade de interceder em favor daqueles que recorrem a
ela por meio de orações e práticas devocionais. Os ensinamentos
católicos deixam claro que Maria não é considerada divina e orações a
ela dirigidas não são respondidas por ela, mas por Deus. Os cinco dogmas católicos em relação a Maria são: Mãe de Deus, Nascimento virginal de Jesus, Perpétua Virgindade de Maria, Imaculada Conceição e Assunção de Maria.
Mais do que em qualquer outro grupo cristão, a Santíssima Virgem
ocupa um lugar destacado entre os católicos, que além de possuírem
doutrinas e ensinamentos teológicos relacionados a Maria, também
celebram as festas em honra aos seus títulos, cantam hinos, rezam uma
variedade de orações e peregrinam a templos marianos. O Catecismo da Igreja Católica diz que "A devoção da Igreja à Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão".
Os católicos romanos têm realizado atos de consagração a Maria em
diferentes níveis, seja pessoal, social ou regional. Ensinamentos
católicos afirmam que a consagração a Maria não diminui ou substitui o
amor por Deus, muito pelo contrário, o reforça, portanto, todas as
consagrações são de certa forma feitas a Deus.
O crescimento da devoção mariana no século XVI, inspirou santos católicos a escreverem livros como Glórias de Maria (de Afonso de Ligório) e Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria (de Louis-Marie Grignion), que enfatizam a veneração mariana e ensinam que "o caminho para Jesus é por intermédio de Maria". Devoções marianas são, às vezes, ligadas à devoção cristocêntrica, como por exemplo, a Aliança dos Corações de Jesus e Maria.
As principais devoções a Maria incluem as Sete Dores de Maria, o Santo Rosário e o Escapulário, e as principais orações são Ave Maria, Angelus, Salve Rainha, Lembrai-vos e o Magnificat.
Os meses de Maio e Outubro são meses tradicionalmente marianos para os
católicos romanos. Em Outubro, o rosário diário é incentivado e em Maio,
práticas devocionais tem o seu ápice em muitas regiões.
Papas emitiram uma série de encíclicas e cartas apostólicas marianas para incentivar a devoção e veneração a Virgem Maria, como por exemplo, Redentoris Mater de João Paulo II, onde ele começou com a frase "A Mãe do Redentor tem um lugar bem preciso no plano da salvação", enfatizando a participação de Maria no processo de salvação e redenção.
Católicos colocam grande ênfase sobre o papel de Maria como protetora e intercessora, o Catecismo da Igreja Católica se refere a Maria como "Mãe de Deus cuja proteção é fiel em todos os perigos e necessidades".
No século XX, João Paulo II e o cardeal Joseph Ratzinger enfatizaram o foco mariano na Igreja. O futuro Bento XVI,
quando sugeriu um redirecionamento de toda a Igreja ao programa do Papa
João Paulo II, a fim de assegurar uma abordagem autêntica à cristologia
através de um retorno à "verdade sobre Maria"., escreveu:
É necessário voltar-se a Maria se quisermos retornar à verdade sobre
Jesus Cristo, a verdade sobre a Igreja e a verdade sobre o homem.
Protestantes em geral rejeitam a veneração e invocação dos santos.
Protestantes sustentam que Maria era a mãe de Jesus, porém, era uma
mulher comum dedicada a Deus, portanto, não há nenhuma veneração,
festas, peregrinações, artes, músicas ou algum tipo de espiritualidade
dedicada a Maria nas comunidades protestantes de hoje. No âmbito destas
opiniões, crenças e práticas católicas romanas, são por vezes
rejeitadas. O teólogo Karl Barth, por exemplo, escreveu que "a heresia da Igreja Católica é a sua Mariologia".
Alguns dos primeiros protestantes veneravam e honravam Maria. Martinho Lutero
escreveu que: "Maria é cheia de graça, proclamada para ser inteiramente
sem pecado. A graça de Deus enche-la com tudo de bom e faz com que ela
desprovida de todo o mal". No entanto, a partir de 1532, Lutero deixou de celebrar a festa da Assunção de Maria e também interrompeu o seu apoio a Imaculada Conceição.
No texto do Magnificat (registrado em Lucas 1:46-55), Maria proclama Minha alma se alegra em Deus meu Salvador.
A necessidade de um salvador pessoal é vista pelos protestantes como a
expressão de que Maria nunca pensou em si mesma como "concebida sem
pecado".
João Calvino disse: "Não se pode negar que Deus, na escolha e destinação de Maria para ser a Mãe do seu Filho, concedeu-lhe a maior honra". No entanto, Calvino rejeitou firmemente a idéia de que alguém, além de Cristo, tenha poder de interceder pelo homem.
Embora Calvino e Ulrico Zuínglio honrem Maria como a Mãe de Deus no século XVI, eles fizeram-no menos do que Martinho Lutero.
Assim, a idéia de respeitar e honrar Maria não foi rejeitada pelos
primeiros protestantes, porém, chegaram a criticar os católicos romanos
pelo modo como veneravam Maria. Após o Concílio de Trento
no século XVI, a veneração mariana tornou-se associada aos católicos e o
interesse protestante em Maria diminuiu. Durante a idade do Iluminismo,
o interesse em Maria dentro de igrejas protestantes quase desapareceu,
embora anglicanos e luteranos continuassem a honrá-la de algum modo.
Protestantes reconhecem que Maria é "bendita entre as mulheres"
(Lucas 1:42), mas eles não concordam que Maria deve ser venerada. Ela é
considerada um excelente exemplo de uma vida dedicada a Deus.
No século XX, os protestantes reagiram em oposição ao dogma católico da Assunção de Maria. O tom conservador do Concílio Vaticano II
começou a reparar as diferenças ecumênicas e protestantes começaram a
demonstrar interesse em temas marianos. Em 1997 e 1998, houve diálogos
ecumênicos entre católicos e protestantes, mas até agora, a maioria dos
protestantes dão pouca atenção a questões marianas, muitas vezes
enxergam esse assunto como um desafio à autoridade das Escrituras.
Alguns livros de orações luteranos e anglicanos contém a oração "Ave Maria" em sua versão pré-Trindentina que não possuia a frase: Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós agora e na hora de nossa morte, que foi adicionada pela Igreja Católica Romana em 1566
No Luteranismo
Vitral de Jesus deixando sua mãe em uma
Igreja Luterana, Carolina do Sul.
Apesar de ásperas polêmicas de Martinho Lutero
contra os seus adversários católicos romanos sobre questões relativas à
Maria e aos santos, teólogos parecem concordar que Lutero aderiu ao
decretos marianos dos concílios ecumênicos e dos dogmas da igreja. Ele apegou-se à crença de que Maria era virgem perpétua e Mãe de Deus (Theotokos).
Uma atenção especial é dada a afirmação de que Lutero, cerca de
trezentos anos antes da dogmatização da Imaculada Conceição pelo Papa
Pio IX em 1854, era um firme adepto dessa visão. Outros sustentam que
Lutero, nos últimos anos, mudou sua posição em relação a Imaculada
Conceição, que naquele tempo era indefinido na Igreja (entretando,
mantinha-se a idéia da impecabilidade de Maria ao longo de sua vida). Para Lutero, nos primeiros anos de sua vida, a Assunção de Maria
foi um fato compreendido, embora posteriormente ele tenha deixado de
celebrar essa festa afirmado que a Bíblia não diz nada sobre isso.
"Ao longo de sua carreira como um padre, professor e reformador, Lutero
pregou, ensinou e argumentou sobre a veneração a Maria com uma
verbosidade que variava de piedade infantil a polêmicas sofisticadas.
Suas opiniões estão intimamente ligadas à sua teologia cristocêntrica e
suas conseqüências para a liturgia e a piedade".
Lutero, ao mesmo tempo em que reverenciava Maria, chegou a criticar os
"papistas" por ofuscar a admiração da alta graça de Deus com serviços
religiosos dados a outras criaturas. Ele considerou a prática católica
romana de celebrar o dia dos santos e fazer pedidos de intercessão dirigindo-se a eles e a Maria como idolatria.
Suas considerações finais sobre a devoção e veneração mariana são
preservadas em um sermão em Wittenberg, um mês antes de sua morte:
Portanto, quando pregamos a fé de que não devemos adorar nada além de
Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, como dizemos no Credo: "Creio
em Deus Pai todo-poderoso e em Jesus Cristo", então estamos permanecendo
no templo de Jerusalém. Mais uma vez, "Este é meu Filho amado,
ouvi-lo". "Você vai encontrá-lo numa manjedoura". Ele somente faz isso.
Mas a razão diz o oposto: "O que, nós? Devemos adorar somente a Cristo?
Na verdade, não deveríamos também homenagear a santa mãe de Cristo? Ela é
a mulher que esmagou a cabeça da serpente. Ouve-nos, Maria, porque o
teu Filho a ti honra e ele não pode recusar-te nada. Aqui Bernardo foi longe demais em sua Homilies on the Gospel: Missus est Angelus.
Deus ordenou que devemos honrar os pais, por isso clamo a Maria. Ela
vai interceder por mim com o Filho e o Filho com o Pai, que vai ouvir o
Filho. Então você tem a imagem de Deus com raiva e Cristo como juiz;
Maria mostra a Cristo seu seio e Cristo mostra suas chagas para o Pai
irado (...) Maria é a mãe de Cristo, certamente Cristo irá ouvi-la;
Cristo é um juiz severo, por isso clamo a São Jorge ou a São Cristóvão.
Não, temos sido por ordem de Deus batizados em nome do Pai, do Filho e
do Espírito Santo, assim como os judeus eram circuncidados.
No entanto, certas igrejas luteranas, como a Igreja Católica Anglo-Luterana,
continuam a venerar Maria e os santos da mesma forma que os católicos
romanos fazem, sustentando todos os dogmas marianos como parte de sua
fé.
No Metodismo
Nossa Senhora de Częstochowa, Polônia.
Na Igreja Metodista Unida, bem como em outras igrejas metodistas,
não há escritos oficiais ou ensinamentos sobre a Virgem Maria, exceto o
que é mencionado na Bíblia e nos credos ecumênicos. Acreditam que
Cristo foi concebido no ventre de Maria por meio do Espírito Santo e que
ela deu à luz como uma virgem. John Wesley, clérigo anglicano
fundador do movimento metodista, acreditava que a Virgem Maria foi uma
virgem perpétua, ou seja, ela nunca teve relações sexuais.
A Igreja sustenta que Maria era virgem antes, durante e imediatamente
após o nascimento de Cristo. Enquanto muitos metodistas rejeitam este
conceito, outros acreditam.
John Wesley, em uma carta a um amigo católico romano, declarou que:
"A Santíssima Virgem Maria, que, assim como depois, quando ela o trouxe, continuou uma pura e imaculada virgem."
O artigo II dos Artigos de Religião da Igreja Metodista afirma que:
O Filho, que é a Palavra do Pai, o Deus verdadeiro e eterno, de uma
substância com o Pai, tomou a natureza humana no ventre da Virgem
Maria, de modo que duas naturezas inteiras e perfeitas, isto é, a divina
e a humana, foram unidas em uma só pessoa, para nunca mais ser
dividida, e do qual é Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que
realmente sofreu, foi crucificado, morto e sepultado, para reconciliar
seu Pai conosco, para ser um sacrifício, não só pela culpa original, mas
também pelos pecados atuais dos homens.
A partir daí, a Virgem Maria é considerada a Theotokos (ou Mãe de Deus) na Igreja Metodista, embora o termo normalmente seja usado pela "Alta Igreja" e por evangélicos católicos.
O artigo II de A Confissão de Fé do Livro da Disciplina" afirma:
Nós acreditamos em Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro
homem, em quem as naturezas divina e humana são perfeitamente e
inseparavelmente unidas. Ele é o Verbo eterno feito carne, o Filho
unigênito do Pai, nascido da Virgem Maria pelo poder do Espírito Santo.
Como servo ele viveu, sofreu e morreu na cruz. Ele foi sepultado,
ressuscitou dos mortos e subiu ao céu para estar com o Pai, de onde ele
deve retornar. Ele é eterno Salvador e Mediador, que intercede por nós e
por ele todas as pessoas serão julgadas.
A partir desta afirmação, metodistas rejeitam as idéias católicas de Maria como corredentora e medianeira da fé. As Igrejas Metodistas não concordam com a veneração
dos santos, de Maria e de relíquias, acreditando que a reverência e
louvor são unicamente para Deus. No entanto, estudando a vida de Maria e
as biografias de santos, é considerado adequado a visão deles como
exemplos de bons cristãos. As Igrejas Metodistas rejeitam as doutrinas da Imaculada Conceição e da Assunção de Maria, afirmando que Cristo foi a única pessoa a viver uma vida sem pecado e subiu de corpo e alma ao céu.
Na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias
Na primeira edição do Livro de Mórmon (1830), Maria foi referida como "a mãe de Deus, à maneira da carne", frase que foi alterada por Joseph Smith para "mãe do Filho de Deus" em todas as seguintes edições (1837 -).
No Antitrinitarismo
Antitrinitários, como os unitaristas, cristadelfianos e as testemunhas de Jeová consideram Maria como a mãe de Jesus. Eles não consideram Jesus como Deus e não consideram Maria como a Mãe de Deus. Igrejas não trinitárias costumam crer no mortalismo,
orações e práticas devocionais a Maria (a quem eles consideram estar em
"sono profundo" aguardando a ressurreição) não fazem parte de suas
doutrinas. Emanuel Swedenborg
diz que Deus não poderia abordar diretamente os maus espíritos para
resgatar os bons espíritos sem destruí-los (Êxodo 33:20, João 1:18),
assim, Deus engravidou Maria dando a Jesus Cristo o acesso para o mal da
hereditariedade da raça humana, a qual ele poderia se aproximar,
redimir e salvar.
No Islamismo
Maryam (Maria) com seu filho
Isa (Jesus), miniatura persa.
Maria, a mãe de Jesus, é mencionada como Maryam no Alcorão, onde aparece mais do que em todo o Novo Testamento. Ela desfruta de uma posição singularmente distinta e honrada entre as mulheres no Alcorão. Uma Sura (capítulo) do Alcorão é intitulada "Maryam" (Maria), a única Sura do Alcorão com o nome de uma mulher, em que a história de Maria (Maryam) e Jesus (Isa) é contada segundo a visão islâmica.
Ela é mencionada no Alcorão com o título de Nossa Senhora (syyidatuna), filha de Imran e Hannah.
Ela é a única mulher nomeada diretamente no Alcorão, declarada (junto com Jesus) ser um sinal de Deus para a humanidade (Al-Muminun, 23:50); aquela que guardava a sua castidade; a obediente (At-Tahrim, 66:12); escolhida por sua mãe e dedicada a Deus, enquanto ainda estava no ventre (Al-i-Imran, 3:36); exclusivamente (entre mulheres) aceita em serviço de Deus, entregue aos cuidados de um dos profetas do Islã, Zakariya (Zacarias) (Al-i-Imran, 3:37); em sua infância residiu no Templo de Salomão e tinha acesso exclusivo ao Al-Mihrab (entende-se como o Santo dos Santos) (Al-i-Imran, 3:37).
Maria também é chamada de a escolhida, a purificada (Al-i-Imran, 3:42); a sinceríssima (Al-Ma'ida, 5:75); seu filho foi concebido por meio da ação de Deus (Al-i-Imran, 3:45); e exaltada acima de todas as mulheres da humanidade (Al-i-Imran, 3:42).
O Alcorão relata narrativas detalhadas de Maryam (Maria) em dois lugares, Sura 3 e Sura 19. As crenças de que Maria foi concebida sem pecado e que ela permaneceu virgem após o parto são aceitas pelos muçulmanos.
O relato feito na Sura 19 do Alcorão é quase idêntica ao Evangelho de
Lucas, ambos começam com a visita de um anjo a Zakariya (Zacarias) com a
boa nova do nascimento de Yahya (João Batista), seguido pela anunciação.
Na tradição islâmica, Maria e Jesus eram as únicas crianças que não poderiam ser tocadas por Satanás no momento de seu nascimento, pois Deus impôs um véu entre eles e o anjo caído. Segundo o autor Shabbir Akhtar, a perspectiva islâmica sobre a Imaculada Conceição de Maria é compatível com a doutrina católica de mesmo nome.
O Alcorão diz que Jesus foi o resultado de um nascimento virginal. O
relato mais detalhado da anunciação e nascimento de Jesus é fornecido na
Sura 3 e 19 do Alcorão, onde está escrito que Deus enviou um anjo para
anunciar que ela em breve teria um filho, apesar de ser uma virgem.
Outras perspectivas
No Paganismo Romano
Desde o início do cristianismo, a crença na virgindade de Maria e na
concepção virginal de Jesus (como indicado nos evangelhos, fenômenos
santos e sobrenaturais), foram usadas por detratores, políticos e
religiosos, como tópicos de discussões, debates e escritos,
especificamente destinados a desafiar a divindade de Jesus e, portanto,
os cristãos e o cristianismo.
No século II, o filósofo grego Celsus, defensor do politeísmo, sugeriu
que Jesus era o filho ilegítimo de um soldado romano chamado Panthera,
essa foi uma das primeiras polêmicas anti-cristãs. As opiniões de Celsus chamaram a atenção de Orígenes, padre da Igreja em Alexandria, Egito, que considerou o ponto de vista dele uma história inventada. O quanto Celsus se baseou em fontes judaicas continua a ser um tema de discussão.
No Judaísmo
A questão dos parentes de Jesus no Talmude também afeta a visão de sua mãe. No entanto, o Talmude não menciona Maria pelo nome e é atencioso ao invés de apenas polêmico. A história sobre Panthera também é encontrada no Toledot Yeshu,
as origens literárias não podem ser rastreadas com toda a certeza, mas é
improvável que seja anterior ao século IV, sendo tarde demais para
incluir lembranças autênticas de Jesus. The Blackwell Companion to Jesus
afirma que o Toledot Yeshu não tem fatos históricos e talvez tenha sido
criado como uma ferramenta para afastar as conversões ao cristianismo. O nome Panthera pode ser uma distorção do termo parthenos
(virgem), Raymond E. Brown considera a história uma explicação
fantasiosa do nascimento de Jesus, que inclui pouquíssimas evidências.
Na Arábia do quarto século
De acordo com o heresiologista do século IV, Epifânio, em sua obra intitulada Panarion, a Virgem Maria era adorada como uma deusa mãe na seita árabe conhecida como coliridianismo,
grupo composto principalmente por mulheres, tendo ainda muitas
sacerdotisas que faziam oferendas de pães para a Virgem Maria,
juntamente com outras práticas. O grupo foi condenado como herético pela
Igreja Católica Romana.
Estudo do Jesus histórico
Até hoje estudiosos continuam a discutir a data do nascimento de
Jesus a partir de várias perspectivas, incluindo análise textual,
registros históricos e testemunhas pós-apostólicas. Bart D. Ehrman sugeriu que o método histórico nunca poderá comentar sobre a possibilidade de aspectos sobrenaturais.
A declaração em Mateus 1:25 de que "José não conheceu Maria até que
ela deu à luz um filho" tem sido debatida entre os estudiosos, alguns
sugerindo que Maria não permaneceu virgem durante toda a sua vida. Outros estudiosos afirmam que palavra grega hoes
(ou seja, até) denota um estado até certo ponto, mas não significa que o
estado terminou depois desse ponto, e que Mateus 1:25 não confirma ou
nega a virgindade de Maria após o nascimento de Jesus.
Outros versos bíblicos também foram debatidos, como por exemplo, a
referência em Romanos 1:3 de que Jesus vinha "da descendência de Davi
segundo a carne", supondo-se que São José é o pai de Jesus. No entanto, a maioria dos estudiosos rejeitam essa interpretação, dado que Paulo usou a palavra grega genomenos (ou seja, tornar-se), a "descendência de Davi" provavelmente se refere a linhagem de Maria.
Representação nas artes
A Pietá de Miguelângelo
A devoção e o culto à Virgem Maria têm sido expresso nas artes em especial na arte sacra e na arte religiosa desde os tempos dos Padres da Igreja até os tempos modernos, ressaltando-se sobre o tema os grandes mestres do Renascentismo e do Barroco. No barroco mineiro as obras do Aleijadinho, tanto os afrescos como as esculturas, são também obras notáveis de representação da Virgem.
Literatura
Muitos autores escreveram sobre Maria e suas virtudes e predicados, dentre eles Dante Alighieri na sua obra A Divina Comédia: És
tão grande, Senhora, e tão poderosa, que quem pretenda alcançar uma
graça sem recorrer a ti, deseja o impossível de voar sem asas. (Paraíso XXXIII, 13-15). Miguel de Cervantes, em "El licenciado Vidriera"; García Lorca, em "Romancero Gitano"; Tagore, em "La luna nueva" e famoso ainda é o "Poema à Virgem" de José de Anchieta, dentre muitas outras obras literárias e poéticas.
Escultura
São inúmeras as esculturas representando Maria. A sua mais famosa representação é a Pietà de Michelangelo que se encontra na Basílica de São Pedro no Vaticano. No Brasil destacam-se, principalmente no período barroco, as obras de Aleijadinho.
Música
A música mais conhecida é Ave Maria de Franz Schubert e de Gounod. Vários outros compositores escreveram música para o texto da "Ave Maria", entre os quais pode-se citar também Giuseppe Verdi, Giacomo Puccini e Bonaventura Somma.
Pintura
A Virgem, o Menino e Santa Ana,
por Leonardo da Vinci, 1510,
Museu do Louvre, Paris, França.
É grande a quantidade de pinturas contendo cenas da vida da Virgem Maria, são inúmeras as obras de pintores europeus do barroco e do renascimento que se encontram principalmente nos museus do Louvre em Paris, do Prado em Madri e do Vaticano.
Dentre as inúmeras pinturas de cenas da vida de Maria ou que buscaram retratá-La destacam-se as obras de Antonello da Messina, Bayerischer Meister, Caravaggio, Dante Gabriel Rossetti, Diego Velázquez, Dirck Bouts, Domenico di Bartolo, Domenico Ghirlandaio, El Greco, Fra Angelico, Fra Filippo Lippi, Francisco de Zurbarán, Gabriel Wuger, Geertgen tot Sint Jans, Georges de La Tour, Gertrude Psalter, Giotto di Bondone, Gregorio Fernández, Jacques Daret, Jean Malouel, Leonardo da Vinci, Lorenzo Monaco, Luigi Crosio, Melozzo da Forlì, Michelangelo Buonarroti,Murillo, Parmigianino, Peter Paul Rubens, Pietro Lorenzetti, Pietro Perugino, Pompeo Batoni, Raffaello Sanzio, Rogier van der Weyden, Salvador Dalí, Sandro Botticelli, Teófanes, o Grego e Tiziano Vecellio, dentre vários outros.
Cinema
A figura de Maria de Nazaré tem sido retratada em vários filmes, inclusive em:
Das Mirakel (1912 film)
The Miracle (1959)
Saint Mary (filme iraniano)
Mary Mother of Christ
Mary, Mother of Jesus (film)
Jesus de Nazaré (filme)
Color of the Cross
Ben-Hur
A Maior História de Todos os Tempos
The Living Christ Series
The Nativity Story
The Miracle of Our Lady of Fatima
A Canção de Bernadette
A Paixão de Cristo
The Passion (TV serial)
O Rei dos Reis
Bibliografia
AQUINO, São Tomás de. Summa Theologiae.
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NEWMAN, John Henry. Reflexões sobre a Virgem Santíssima. Tradução de Rodrigo Matsuki. São Paulo: Factash Editora, 2006. ISBN 85-89909-29-8
MESSORI, Vittorio. Hipóteses sobre Maria: fatos, indícios, enigmas. Tradução Ubenai Fleuri. - Aparecida, São Paulo: Editora Santuário, 2008. ISBN 978-85-369-0119-0
OROSCO, Antonio. Mirar a María. Madrid: Rialp, 1992.
OROZCO, Antonio. Mãe de Deus e nossa Mãe. Iniciação à Mariologia. Lisboa: Diel, 1997. ISBN 972-8040-11-3
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