MANUEL ANTÓNIO PINA

 HOMENAGEM PÓSTUMA




Manuel António Pina (Sabugal, 18 de novembro de 1943 – Porto, 19 de outubro de 2012) foi um jornalista e escritor português, galardoado em 2011 com o Prémio Camões. O autor licenciou-se em Direito em Coimbra e foi jornalista do Jornal de Notícias durante três décadas, tendo sido depois cronista do Jornal de Notícias e da revista Notícias Magazine. A sua obra incidiu principalmente na poesia e na literatura infanto-juvenil, embora tenha escrito também diversas peças de teatro e de obras de ficção e crónica. Algumas dessas obras foram adaptadas ao cinema e TV e editadas em disco. A sua obra está traduzida em França (francês e corso), Estados Unidos, Espanha (espanhol, galego e catalão), Dinamarca, Alemanha, Países Baixos, Rússia, Croácia e Bulgária. Faleceu no Hospital de Santo António no Porto, aos 68 anos.

A Poesia Vai Acabar A poesia vai acabar, os poetas vão ser colocados em lugares mais úteis. Por exemplo, observadores de pássaros (enquanto os pássaros não acabarem). Esta certeza tive-a hoje ao entrar numa repartição pública. Um senhor míope atendia devagar ao balcão; eu perguntei: «Que fez algum poeta por este senhor?» E a pergunta afligiu-me tanto por dentro e por fora da cabeça que tive que voltar a ler toda a poesia desde o princípio do mundo. Uma pergunta numa cabeça. — Como uma coroa de espinhos: estão todos a ver onde o autor quer chegar? — Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde" Tema(s): Poesia

  Bibliografia

* 1973 - "O país das pessoas de pernas para o ar" (lit. infanto-juvenil);



* 1974 - "Ainda não é o fim nem o princípio do Mundo, calma é apenas um pouco tarde" (poesia); * 1974 - "Gigões & anantes" (lit. infanto-juvenil); 
 1976 - "O têpluquê" (lit. infanto-juvenil);
* 1978 - Aquele que quer morrer (poesia);
* 1981 - "A lâmpada do quarto? A criança?" (poesia);
* 1983 - "O pássaro da cabeça" (poesia);
* 1983 - "Os dois ladrões" (teatro);
* 1984 - "Nenhum sítio" (poesia);
* 1984 - "História com reis, rainhas, bobos, bombeiros e galinhas" (lit. infanto-juvenil) ;
* 1985 - A guerra do tabuleiro de xadrez(lit. infanto-juvenil);
* 1986 - Os piratas(ficção);
* 1989 - "O caminho de casa" (poesia);
* 1987 - "O inventão" (teatro); 
* 1991 - Um sítio onde pousar a cabeça (poesia); 
* 1992 - "Algo parecido com isto, da mesma substância" (poesia); 
* 1993 - "Farewell happy fields" (poesia);
* 1993 - "O tesouro" (lit. infanto-juvenil);
* 1994 - "Cuidados intensivos" (poesia);
* 1994 - "O anacronista" (crónica);
* 1995 - O meu rio é de ouro /Mi rio es de oro (lit. infanto-juvenil);
* 1998 - "Aquilo que os olhos vêem, ou O Adamastor" (teatro);
* 1999 - Nenhuma palavra, nenhuma lembrança (poesia);
* 1999 - "Histórias que me contaste tu" (lit. infanto-juvenil);
* 2001 - "Atropelamento e fuga" (poesia);
* 2001 - "A noite" (teatro); 
* 2001 - "Pequeno livro de desmatemática" (lit. infanto juvenil);
* 2002 - "Poesia reunida" (poesia);
* 2002 - "Perguntem aos vossos gatos e aos vossos câes" (teatro);
* 2002 - "Porto, modo de dizer" (crónica);
* 2003 - Os livros (poesia);
* 2003 - "Os papéis de K." (ficção);
* 2004 - "O cavalinho de pau do Menino Jesus" (lit. infanto-juvenil);
* 2005 - "Queres Bordalo?" (ficção);
* 2005 - "História do Capuchinho Vermelho contada a crianças e nem por isso por Manuel António Pina segundo desenhos de Paula Rego" (lit. infanto-juvenil);
* 2007 - "Dito em voz alta" (entrevistas);
* 2008 - "Gatos" (poesia);
* 2009 - "História do sábio fechado na sua biblioteca" (teatro);
* 2010 - "Por outras palavras e mais crónicas de jornal" (crónica); 
* 2011 - "Poesia, saudade da prosa" (antologia poética); 
* 2011 - "Como se desenha uma casa" (poesia);
* 2012 - "Todas as palavras /Poesia reunida" (poesia).

PRÉMIOS RECEBIDOS

Prémios * 1978 - Prémio de Poesia da Casa da Imprensa (“Aquele que quer morrer”); * 1987 - Prémio Gulbenkian 1986/1987 (“O Inventão”); * 1988 - Menção do Júri do Prémio Europeu Pier Paolo Vergerio da Universidade de Pádua, Itália (“O Inventão); * 1988 - Prémio do Centro Português para o Teatro para a Infância e Juventude (CPTIJ) (conjunto da obra infanto-juvenil); * 1993 - Prémio Nacional de Crónica Press Club/ Clube de Jornalistas; * 2002 - Prémio da Crítica, da Secção Portuguesa da Associação Internacional de Críticos Literários” ("Atropelamento e fuga"); * 2004 - Prémio de Crónica 2004 da Casa da Imprensa (crónicas publicadas na imprensa em 2004); * 2004 - Prémio de Poesia Luís Miguel Nava 2003 (Os livros); * 2005 - Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores/CTT (Os Livros); * 2011 - Prémio Camões.  Foi precedido por Ferreira Gullar e sucedido por Dalton Trevisan  Prémio Camões 1989: Miguel Torga • 1990: João Cabral de Melo Neto • 1991: José Craveirinha • 1992: Vergílio Ferreira • 1993: Rachel de Queiroz • 1994: Jorge Amado • 1995: José Saramago • 1996: Eduardo Lourenço • 1997: Pepetela • 1998: Antonio Candido • 1999: Sophia de Mello Breyner • 2000: Autran Dourado • 2001: Eugénio de Andrade • 2002: Maria Velho da Costa • 2003: Rubem Fonseca • 2004: Agustina Bessa-Luís • 2005: Lygia Fagundes Telles • 2006: José Luandino Vieira • 2007: António Lobo Antunes • 2008: João Ubaldo Ribeiro • 2009: Arménio Vieira • 2010: Ferreira Gullar • 2011: Manuel António Pina • 2012: Dalton Trevisan Luís de Camões.

GASTRONOMIA DE PORTUGAL

Gastronomia de Portugal
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.



O bacalhau, introduzido na alimentação desde as viagens portuguesas do século XIV, era adequado às necessidades da época, como produto de fácil conservação.
A culinária portuguesa, ainda que esteja restrita a um espaço geográfico relativamente pequeno, mostra influências mediterrânicas (incluindo-se na chamada “dieta mediterrânica”) e também atlânticas, como é visível na quantidade de peixe consumida tradicionalmente. Muito mudou desde que Estrabão se referiu aos Lusitanos como um povo que se alimentava de bolotas. A base da gastronomia mediterrânica, assente na trilogia do pão, vinho e azeite, repete-se em todo o território nacional, acrescentando-se-lhe os produtos hortícolas, como em variadas sopas, e os frutos frescos. A carne e as vísceras, principalmente de porco, compõem também um conjunto de pratos e petiscos regionais, onde sobressaem os presuntos e os enchidos. Com o advento das descobertas marítimas, a culinária portuguesa rapidamente integrou o uso, por vezes quase excessivo, de especiarias e do açúcar, além de outros produtos, como o feijão e a batata, que foram adoptados como produtos essenciais. Note-se que a variedade de pratos regionais se verifica mesmo em áreas restritas. Duas cidades vizinhas podem apresentar, sob o mesmo nome, pratos que podem diferir bastante na forma de confecção, ainda que partilhem a mesma receita de base. As generalizações nem sempre estão correctas: as diversas culinárias regionais variam muito na mesma região.

A dieta mediterrânica

Após o 25 de Abril de 1974, alguns nutricionistas portugueses resolveram criar um esquema que resumisse as virtudes nutricionais da tradicional dieta mediterrânica. Elaborou-se uma nova versão deste esquema, a Roda dos Alimentos que mantinha, contudo, a proporção e variedade de alimentos conotados com este tipo de alimentação.
Com a adopção em Portugal da nova pirâmide dos alimentos, divulgada pela Organização Mundial da Saúde, a chamada dieta mediterrânica ganha ainda mais destaque. Estudos diversos parecem indicar que Portugal é o país "mediterrânico" que menos alterou os seus hábitos alimentares tradicionais, apesar de nem ser banhado por este mar.

O pão

Folar de Chaves
O pão é, sem dúvida, um dos alimentos base da alimentação portuguesa. Existe em diversas formas ao longo do território nacional, não se limitando ao pão de trigo, de que o pão alentejano é talvez o mais representativo, existindo também a broa de milho, típica do Norte de Portugal, ainda que apreciada em todo o país, o pão de centeio (por exemplo, da Serra da Estrela), etc. O pão alentejano, geralmente de grandes dimensões (pão de quilo) e com miolo compacto, é pensado para durar mais do que um dia (algumas variedades são ainda mais apreciadas no dia seguinte à cozedura) e é utilizado em diversos pratos como as açordas e as migas à alentejana.
Fora do Alentejo, continua a utilizar-se pão para outros pratos, como o torricado (um pão grande, torrado com azeite e que é servido como acompanhamento, próprio do centro do país), o bacalhau espiritual, diversos ensopados e, entre os doces, as rabanadas ou fatias-paridas, os mexidos, etc. Note-se que o doce de Évora designado como pão de rala não leva pão na sua confecção.
Broa de Avintes a sair do forno de lenha.
No norte de Portugal, junto ao Porto, é célebre a designada vulgarmente "broa de Avintes". Existem outras espécies de pão, como a fogaça, a rosca (o pão vulgarmente utilizado no norte, ao Domingo, dia em que o padeiro não vai levar o pão a casa), as “caralhotas” de Almeirim (pães redondos e de tamanho médio, especialmente apreciados quando acabados de sair do forno), o pão-com-chouriço (frequente em feiras e festas, onde é consumido quente, cozendo no forno com o chouriço já no seu interior), os folares (próprios da Páscoa), etc. No norte de Portugal, há ainda a referir as "bolas" (lê-se "bôlas") que tanto podem significar grandes pães com carne misturada (em Trás-os-Montes) ou pães baixos, redondos e compactos servidos com sardinhas ou carne (como acontece em algumas partes do Minho).

O azeite

Azeitonas na oliveira, base do Azeite
O azeite é o alimento indicado para a dieta dos Portugueses, principalmente utilizado como condimento nas sopas de legumes, nas migas à moda da beira (em que se misturam feijões, couve e pão de milho), no bacalhau assado, onde é acompanhado com bastante alho, etc. Mesmo na doçaria, o azeite também se faz presente, como em alguns bolos, principalmente alentejanos, mas também em diversas "broas de azeite". As batatas cozidas, servidas juntamente com diversos pratos, como peixes grelhados, são geralmente regadas com azeite, um golpe de vinagre, salsa e cebola picada.
Grande parte dos pratos começam por ser preparados a partir de um refogado de cebola e/ou alho, mais ou menos puxado (mais ou menos escuro), em azeite.

O vinho

Vinho do Porto.
Portugal orgulha-se especialmente dos seus vinhos que também apresentam uma variedade impressionante, consoante a região onde são produzidos. Os vinhos generosos, de alto teor alcoólico e sabor geralmente doce (mas nem sempre) incluem o inevitável vinho do Porto, o vinho da Madeira, o vinho de Carcavelos, o moscatel de Setúbal, entre outras variedades, como os vinhos “abafados”, em que o mosto não chega a fermentar porque é diluído em aguardente.
As regiões produtoras de vinho mais afamadas são, sem dúvida, o Alentejo e o Douro, ainda que mereçam referência outras regiões: Dão, Terras do Sado, Bairrada, Bucelas, etc.
No Minho existe a região demarcada do vinho verde, que se bebe jovem e fresco. Ao contrário do que muitas pessoas pensam (mesmo alguns portugueses), o vinho verde não é um tipo específico de vinho branco. De facto, existe vinho verde tinto (o que é, aliás, mais consumido no Minho) e vinho verde branco.

Sopas e cozidos

Caldo verde
Os produtos hortícolas são muito utilizados para diversos fins: saladas, sopas de legumes, cozidos, etc. São frequentes as sopas frias, como o gaspacho, no Alentejo, as “picadas” (pepino picado com água fria, sal, vinagre e azeite), além de diversas sopas de legumes. Estas costumam resultar da adição de legumes (nabiças, couve, espinafres, etc) a uma base de puré mais ou menos espesso (consoante os gostos) de batata, cenoura e, eventualmente, cebola. O caldo verde, composto por puré de batata e couve-galega cortada em tiras muito finas é talvez a mais famosa das sopas portuguesas. No norte de Portugal é comum acompanhar o caldo verde com rodelas de chouriço. Note-se que na região do Alentejo dá-se outro significado à palavra “sopas” que são, nessa acepção, semelhantes às açordas – pedaços de pão num meio líquido aromatizado, que acompanha outros ingredientes, geralmente ovos, carne, ou peixe.
Cozido à portuguesa tradicional e seus acompanhamentos.
Gaspacho à moda portuguesa, mas sem pão.


O cozido à portuguesa, considerado por muitos como o prato nacional, é composto por uma grande diversidade de ingredientes cozidos em água abundante – as receitas variam muito de local para local, havendo muitas que reclamam ser mais legítimas que outras. Contudo, é costume referir como ingredientes mais utilizados as diversas qualidades de couve (couve-galega, couve-lombarda, tronchuda, etc), batatas, feijão, cabeças de nabo, cenoura, enchidos (chouriço, farinheira, moura, etc), outras carnes, geralmente de porco, e, por vezes, adições de carnes de frango ou galinha.
As saladas mais confeccionadas são as de alface e de tomate. É curioso notar que existe, em algumas regiões do país, uma certa confusão na linguagem popular entre os termos que designam alface e salada, como se ambos se referissem à mesma coisa. A salada de tomate costuma ser aromatizada com orégãos.

Enchidos

Uma montra de enchidos portugueses.
Alguns produtos e enchidos portugueses fazem parte de uma lista restrita que a Comissão Europeia atribuiu a menção de Denominação de Origem Protegida nomeadamente, para a zona de Estremoz e Borba, tais como, a Paia de Toucinho, o Chouriço de Carne, a Paia de Lombo, a Morcela,os Maranhos, o Chouriço grosso.
No Nordeste de Portugal, a criatividade popular permitiu a confecção de enchidos à base de pão e carne de galinha, denominadas alheiras. Foram criadas como forma de reacção por parte dos judeus Portugueses no século XVI, ao dilema de não lhes ser permitido comer carne de porco por motivos religiosos e o imperativo de dar entender que se tinham convertido ao cristianismo.
Bolinhos de bacalhau caseiros.


Temperos

Em termos gerais, é no sul que se usam mais as ervas aromáticas. Enquanto que no norte de Portugal se usa quase exclusivamente a salsa, o louro, a cebola e o alho, no sul, especialmente no Alentejo, utilizam-se os coentros, as mentas (hortelã, poejo, etc), os orégãos, o alecrim, etc. Desde que Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia que os Portugueses utilizam a pimenta (designada no Brasil como pimenta-do-reino), a noz-moscada, o cravinho-da-índia, o açafrão, etc. A doçaria regional faz uso abundante da canela.

Peixe e marisco

Amêijoas à Bulhão Pato.
É obrigatória a referência ao peixe consumido tradicionalmente em Portugal. Além da célebre sardinha portuguesa, o bacalhau, pescado em águas mais frias e afastadas, são os peixes mais usados pela cozinha lusitana. Não nos podemos esquecer, contudo, da grande variedade de mariscos, sem ser de viveiro, como o berbigão, o mexilhão, as conquilhas, etc. As amêijoas são utilizadas não só como principal iguaria, ao natural ou à Bulhão Pato, mas também a acompanhar outras, como na carne de porco à alentejana. Existe ainda uma grande variedade de receitas de açordas e feijoadas de marisco.
Choquinhos à algarvia
Doçaria

Pão-de-ló
Pudim Abade de Priscos
A doçaria portuguesa tem grande parte da sua origem nos conventos e mosteiros portugueses no século XVI. O uso abundante de gemas de ovos em muitas destas especialidades está relacionado com o uso das claras de ovos nos conventos. As claras de ovos para a confecção de hóstias, para manterem seus hábitos (vestuário das religiosas) sempre engomados, e para a clarificação dos vinhos. Para não desperdiçarem as gemas e com o açúcar vindo do Novo Mundo, os frades e, principalmente, as freiras de Portugal aperfeiçoaram as receitas ancestrais. A criatividade conventual extravasava em doces ricos em açúcar, em gemas de ovos, em frutos secos e em amêndoas.
Entre outros doces que importa referir, há ovos moles de Aveiro, cuja fórmula e método de produção original se deve às freiras da Ordem dos Carmelitas no século XIX, o pastel de nata (incluindo os famosos pastéis de Belém que nasceram no Mosteiro dos Jerónimos), queijadas de Sintra, conhecidas desde o século XIII, e os agora já célebres travesseiros da Periquita, os pastéis de Tentúgal, queijadinhas de hóstia, as Tigeladas de Abrantes, o pudim Abade de Priscos, quartos de marmelada do Convento de Odivelas, barriga de Freira de Arouca, castanha doce de Arouca, cristas de galo (ou pastéis de Vila Real, pastéis de Toucinho, Viuvinhas), bolo de Dom Rodrigo (ou somente D. Rodrigo), fatias de Tomar (ou fatias da China), lampreia de Portalegre (ou lampreia de amêndoa, lampreia à antiga ou lampreia de Massapão), palha de Abrantes, trouxas de ovos das Caldas, rebuçados de ovos, atribuídos ao Convento de São Bernardo de Portalegre, pau de abóbora (ou abóbora coberta) entre outras especialidades mais ou menos conhecidas. No Algarve, principalmente, são típicos os doces de amêndoa e de figo seco; no Alentejo, a Sericá (ou sericaia), o pão de Rala, os nógados. No arquipélago dos Açores, na ilha da Graciosa são famosas as suas queijadas. De facto, quase todas as localidades têm o seu doce típico. No arquipélago da Madeira, destaca-se o chamado bolo de mel.


Pasteis de nata

Gastronomia portuguesa no mundo



Vindalho em primeiro plano, com outros pratos de culinária de Goa ao fundo.
A presença portuguesa no mundo ao longo da história, principalmente durante os Descobrimentos do século XV e nos territórios do império português, influenciou em ambos os sentidos, com os Portugueses a importarem técnicas e novos ingredientes e a deixar também a sua marca em países tão distantes como o Brasil, Índia e Japão.
Da Ásia, onde eram conhecidas pelo nome narang, as laranjas terão chegado à Europa através de Portugal no tempo das cruzadas. Da Índia os Portugueses trouxeram depois laranjas doces, que plantaram ao longo das suas rotas no século XV, dada a sua importância no combate ao escorbuto que afectava os marinheiros. Desde então muitos países nomearem este fruto com o seu nome, como o Búlgaro portokal, Grego portokali (πορτοκάλι), Persa porteghal (پرتقال), e Romeno portocală. Também na língua napolitana da Itália, portogallo ou purtualle, no Turco Portakal, Árabe al-burtuqal (البرتقال), e Georgiano phortokhali (ფორთოხალი).
Feijoada brasileira com diversos acompanhamentos.

Para além das especiarias vindas da Ásia, cujo comércio os Portugueses dominaram - como a canela desde então muito presente na doçaria tradicional - a influência oriental na gastronomia portuguesa pode ver-se na tradicional "canja", um caldo de galinha e arroz tradicionalmente utilizado como terapia de convalescentes, que tem o seu paralelo no asiático congee, cujo nome, ingredientes e utilização são idênticos. Também do oriente os Portugueses trouxeram o Chá  Em breve a Europa começou a importar as folhas, com a bebida a tornar-se rapidamente popular, especialmente entre as classes abastadas em França e Países Baixos. O uso do chá, bem como da compota de laranja amarga (orange marmalade) em Inglaterra é atribuído a Catarina de Bragança, princesa portuguesa que casou com Carlos II de Inglaterra cerca de 1650.
Tempura de camarão

Terão igualmente sido os Portugueses a levar a primeira pimenta malagueta do novo mundo para a Índia, através de Espanha, onde é hoje um ingrediente fundamental , baseado na sua forte presença na culinária de Goa, centro da presença portuguesa na Índia.
Bolo Castella de Nagasaki

Os Portugueses deixaram também a sua influência na culinária do Brasil, com variações da feijoada e da caldeirada. E em Goa, com pratos como o vindalho, cujo nome tem origem no tempero tradicional de marinada em vinha d'alhos, e na culinária macaense. O comércio português estendeu-se ao Japão a partir de 1542. A doçaria portuguesa deixou marcas na culinária japonesa, onde introduziu pela primeira vez o açúcar refinado, originando os chamados Kompeito e ainda na adaptação dos fios de ovos e trouxas, que originaram a especialidade japonesa keiran somen (鶏卵素麺), ou "cabelos de anjo". Esta receita tornou-se também muito popular na Tailândia com o nome "Kanom Foy Tong". O tradicional "pão de ló" derivou em Nagasaki no bolo Castela (カステラ), Kasutera. A tempura, hábito de fritar alimentos envoltos em polme, foi introduzida no Japão em meados do século XVI por missionários portugueses, sendo inspirada no prato português peixinhos da horta.

Referências bibliográficas

  • DUAL Culinária: Cozinha Portuguesa, Livro de receitas. Centro DUAL, CCILA, Lisboa, 2009, Pág. 121.

O SANFONEIRO FELIPE

GUSTAVO - SANFONISTA

D. AFONSO HENRIQUES

BIOGRAFIA DE DOM AFONSO HENRIQUES OU AFONSO I 






D. Afonso Henriques foi o primeiro rei de Portugal. Fundou o reino de Portugal em 1143, quando o tornou independente dos reinos de Leão e Castela (ainda não existia a Espanha, na altura), fundando a primeira dinastia, a de Borgonha, que durou 244 anos. Diz-se que D. Afonso Henriques era muito forte e alto, um fato pouco vulgar na época. A sua espada era tão pesada (com cerca de 15 quilos) que eram precisos dois ou três homens para a levantar sem esforço e usá-la em combate. O nosso primeiro rei era filho de D. Henrique de Borgonha, que conquistou muito território aos muçulmanos. Pela sua bravura, ele tinha sido recompensado com um grande território : o Condado Portucalense.
Como governava sozinho o Condado e tinha sido muito importante na reconquista aos mouros, D. Henrique, pai de Dom Afonso Henriques, quis tornar o Condado Portucalense independente. Mas, após sua morte, sua sua esposa, dona Tereza, mãe de Dom Afonso Henriques, começou por seguir suas ideias, mas logo se deixou influenciar por um nobre castelhano, que queria que o Condado
http://www.viagens.org/files/2011/12/Fachada,%20castelo.jpg
Castelo de Guimarães
Portucalense fosse anexado ao Reino de Castela. Quem não gostou muito da ideia foi D. Afonso Henriques, órfão desde muito novo, mas um grande admirador do pai (esta admiração foi-lhe transmitida pelo seu aio, o célebre Egas Moniz, que ficou encarregue da sua educação). É então que decide lutar contra a mãe e contra os exércitos de Castela, na Batalha de S. Mamede, em Guimarães, para tomar conta do Condado Portucalense e transformá-lo num reino. E conseguiu ! Para tal, o jovem Afonso Henriques armou-se a si próprio cavaleiro em 1125, com o apoio da nobreza da época, quando tinha apenas 14 anos de idade. Em 1128, resolve então lutar contra o exército de sua mãe, Dna.
Estátua de D. Afonso Henriques
em Guimarães
Tereza, que apoiava os nobres galegos e desprezava os fidalgos e eclesiásticos portucalenses. Sua mãe, dna. Tereza, deixou-se portanto, influenciar pelo Reino de Castela, a ponto de ficar contra a independência de Portugal e a favor da anexação deste ao reino de Castela. Daí, resultou a grande Batalha de São Mamede, travada em Guimarães em 24 de junho de 1128 entre as tropas de Castela favoráveis a dna. Tereza e as tropas de seu filho Afonso Henriques. A grande batalha se deu, onde é hoje o famoso Castelo de Guimarães e o cemitério onde repousam os restos mortais dos soldados ali tombados. As tropas Portucalenses comandadas por seu filho, acabam por derrotar as tropas de sua mãe apoiadas por Castela, pondo fim assim a 15 anos de governo desta, que acaba fugindo para Castela, confirmando assim o prestígio de Afonso Henriques, que iria se concretizar em 1139 com sua vitória na famosa Batalha de Ourique. A partir da Batalha de Ourique em 25 de julho de 1539 no Baixo Alentejo, sul de Portugal, a autonomia deste país, tornou-se cada vez mais fortalecida e reconhecida por todos. Conta-se que aconteceu um milagre durante esta Batalha, que levou os portugueses a vencerem um exército árabe muito mais forte que o seu. Um documento do Papa (a bula), muitos anos depois, confirmou finalmente Portugal como reino independente. O papa Alexandre III deu-lhe ainda o direito de conquistar territórios aos mouros para alargar o território nacional. D. Afonso Henriques morreu em 1185, deixando ao filho, D. Sancho I, um território perfeitamente definido e independente : não apenas um Condado, mas já um verdadeiro Reino!




Igreja de São Miguel do Castelo
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Attēls:Guimarães-Capela São Miguel do Castelo.jpg
Igreja (ou Capela) de São Miguel do Castelo, Guimarães.

A Igreja de São Miguel do Castelo, também referida como Capela de São Miguel do Castelo, localiza-se junto ao Castelo de Guimarães, na freguesia de Oliveira do Castelo, cidade e concelho de Guimarães, distrito de Braga, em Portugal.

 

História

De acordo com a lenda aqui foi batizado o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, o que parece carecer de fundamento, dado o templo datar do século XIII. Ainda assim, guarda-se aqui a pretensa pia baptismal que utilizada na cerimónia.
O templo foi mandado construir pela Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira, tendo sido sagrada pelo então primaz de Braga, Silvestre Godinho, em 1239. Pela sua datação, o românico já não é perfeito, e parece prenunciar em alguns aspectos a ascensão do gótico.
Ao longo dos séculos foi caindo em ruínas, estado em que se encontrava em meados do século XIX, quando a Sociedade Martins Sarmento decidiu restaurá-la.
Encontra-se classificada como Monumento Nacional desde 16 de junho de 1910, em simultâneo com os vizinhos Castelo de Guimarães e Paço dos Duques de Bragança, formando assim um complexo de grande importância não só histórica, como também arquitectónica.

Características

Trata-se de uma igreja de pequenas dimensões, em estilo românico. Pela sua datação, o românico já não é perfeito, e parece prenunciar em alguns aspectos a ascensão do gótico.
 
Matéria em construção...

VOLTAREI À MINHA TERRA

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