OS 500 ANOS DO DESCOBRIMENTO DO BRASIL E A UNIDADE NACIONAL


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Se existe algo que devemos comemorar com muito orgulho neste país, durante os festejos de seus 500 anos, é sem dúvida, a sua invejável "Unidade Nacional". Unidade linguística, territorial e religiosa. Invejável, porque num mundo cada dia mais dividido por conflitos étnicos, fronteiriços, religiosos e culturais, o Brasil ainda permanece unido, receptivo a todos os povos, recebendo-os com carinho, integrando-os rapidamente e sem traumas à vida nacional.
Mas, esta unidade nacional não aconteceu por acaso. Foi construída, principalmente, nos dois primeiros séculos de nossa história-comum, à custa de muito sacrifício, de muito sangue derramado e de muitos momentos de incerteza. Um desses momentos aconteceu no dia 20 de janeiro de 1567, quando o Brasil caiu em poder dos calvinistas franceses. Do Maranhão ao Rio de Janeiro , tudo parecia perdido! Os franceses, com um exército mais poderoso e com o apoio dos tamoios, estavam finalmente vitoriosos! Porém, um grito estridente assusta o inimigo. Era o grito-apelo de Nóbrega, ali bem no centro da cidade do Rio de Janeiro, na praça XV de novembro, que ao ver o seu Brasil tomado, implora desesperado: "Ó Deus fazei com que esta Terra continue sempre lusitana e católica!... Deus ouviu o seu grito e em poucos dias o Brasil voltou a ser luso-brasileiro.
Em 1645 eram os calvinistas holandeses, que ameaçavam novamente a "Unidade Nacional", através do massacre de Canhaú, no Rio Grande do Norte. Era um domingo, 16 de julho daquele mesmo ano e cerca de 70 fiéis haviam se reunido para a missa dominical na capela Nossa Senhora das Candeias, próximo ao engenho de Canhaú, a 65km de Natal, quando os calvinistas holandeses e alguns índios seus aliados, entraram na igreja, trancaram as portas e começaram uma chacina generalizada! O padre André de Soveral, paulista de São Vicente, ainda tentou convencer os índios, falando-lhes em sua própria língua, de que não matassem uma só pessoa! Ao mesmo tempo, exortou os fiéis a bem morrer, rezando com eles apressadamente o "Ofício da Agonia"! O padre, entretanto, foi o primeiro a ser sacrificado!
Ainda, em 03 de outubro desse mesmo ano, as autoridades holandesas, arrancaram do forte dos Reis Magos em Natal, um grupo de católicos, que ali se refugiara em companhia do padre Ambrósio Francisco Ferro e os conduziram para perto do engenho de Uruaçu, onde aconteceu novo massacre!
Em 15 de junho de 1556, a nau Nossa Senhora da Ajuda, regressava a Portugal, levando a bordo o primeiro bispo do Brasil, D. Pêro Fernandes Sardinha, dois padres e mais cem pessoas ligadas à Corte, quando na altura do Coruripe, a seis léguas do rio São Francisco, próximo à divisa de Sergipe com Alagoas, é atingida por violento temporal. Seus passageiros e tripulantes conseguem salvar-se. Mas, quando se dirigiam a Maceió para pegarem outro navio, que completaria a viagem para Portugal, na foz do rio São Miguel, foram surpreendidos pelas flexas dos caetés, só escapando um português, que falava o dialeto destes, e mais um índio, que também ía para Portugal. D. Pêro Fernandes Sardinha foi o último a ser sacrificado!
E nessa heróica luta pela construção da "Unidade Nacional", até os jesuítas espanhóis, que, no começo da colonização tanto haviam cooperado com a mesma, mais tarde, acabam por ameaçá-la! Durante a guerra das missões, dizendo-se defensores dos índios, ajudavam os separatistas a contrabandear o gado bovino dos estados do sul para a Europa. Esta guerra, a princípio, mobilizou cerca de 900 brancos e 3000 índios, que partiram da então vila de São Paulo em agosto de 1628 com destino a Guairá, sob o comando de Raposo Tavares, a fim de expulsá-los, o que só aconteceu, porém em 30 de janeiro de 1629, após forte resistência dos jesuitas e de seus aliados.
Em Santo Antônio, Encarnación, São Miguel e em outras missões espanholas da região, a destruição foi total! Em San Miguel, o padre Cristóbal de Mendonza, perplexo, indagou as razões da guerra e Raposo Tavares respondeu. " Temos de expulsar-vos de uma "Terra que é nossa e não de Castela".


Foto de: São Miguel das Missões

E assim, as "Bandeiras, foram alargando as nossas fronteiras, entregando-nos este continente chamado Brasil, inclusive o Uruguai.
Anchieta, Nóbrega, Jerônimo de Albuquerque, Martim Afonso de Souza, Mem de Sá, Estácio de Sá, Tomé de Souza, Duarte Coelho, Raposo Tavares, Fernão Dias, Araribóia, Tibiriçá, Felipe Camarão e Henrique Dias, são alguns dos obreiros da "Unidade Nacional". Mas, para que a obra fosse realizada, tiveram que construir ao longo do litoral brasileiro, aproximadamente 350 fortes, cujos canhões garantiram a demarcação de nossas fronteiras, a transformação de mais de 1000 dialetos então existentes numa só língua e o surgimento da nova e pacífica família luso brasileira.
Este separatismo perverso, que nos acompanha há mais de 500anos e que está presente em todas as camadas sociais, tanto daqui como de além-mar, porém, continua impedindo que povos de mesma língua e mesma História, se conheçam e aproximem e juntos comemorem o 22 de abril! Hoje não temos aqueles heróis do passado. Os heróis de hoje, somos todos nós, que lutamos para que um dia tenhamos o direito de comemorar o nosso 22 de abril e evitar que este país vire um desses infernos separatistas, que tanto sofrimento vem causando a outros povos.



Jorge Pedroso de Lima---Fundador do 1º Centro Cultural Luso Brasileiro
Fontes de consulta: Grandes Personagens de Nossa História(Abril Cultural)
História do Brasil(Pedro Calmon)

2 comentários:

nestor disse...

Olá, gostei muito do Blog. Parabéns!

alberto.dornelles disse...

Parabéns pela iniciativa!

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