Crato (Ceará)
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| Município do Crato |
"Terra de Alencar"
"Princesa do Cariri" |
Cidade durante a tarde |
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| Fundação |
21 de junho de 1764 (249 anos) |
| Gentílico |
cratense |
| Prefeito(a) |
Ronaldo Sampaio Gomes de Matos (PMDB)
(2013–2016) |
| Localização |
|
Localização do Crato no Ceará
Localização do Crato no Brasil |
07° 14' 02" S 39° 24' 32" O |
| Unidade federativa |
Ceará |
| Mesorregião |
Sul Cearense IBGE/2008 |
| Microrregião |
Cariri IBGE/2008 |
| Região metropolitana |
Cariri |
| Municípios limítrofes |
ao norte Farias Brito; a leste Caririaçu, Juazeiro do Norte e Barbalha; a oeste Nova Olinda e Santana do Cariri e a sul Exu e Moreilândia no estado de Pernambuco. |
| Distância até a capital |
567 km2 |
| Características geográficas |
| Área |
Total: 1 009,202 km²
Urbana: 4,9059 km² |
| População |
123 963 hab. IBGE/2012 |
| Densidade |
122,83 hab./km² |
| Altitude |
426 m |
| Clima |
tropical |
| Fuso horário |
UTC−3 |
| Indicadores |
| IDHM |
0,713 alto PNUD/2010 |
| PIB |
R$ 726,944 mil IBGE/2010 |
| PIB per capita |
R$ 6,968 67 IBGE/2010 |
| Página oficial |
Crato é um município brasileiro do interior do estado do Ceará. Localiza-se no sopé da Chapada do Araripe no extremo-sul do estado e na Microrregião do Cariri, integrante da Região Metropolitana do Cariri e, em 2012, tinha cerca de 123.963 Habitantes.
Divisa com o estado de Pernambuco, constituindo também um entroncamento rodoviário que a interliga ao Piauí, Paraíba e Pernambuco, além da capital do Ceará, Fortaleza.
A cidade situa-se no Cariri Cearense, conhecido por muitos como o
"Oásis do Sertão" pelas características climáticas mais úmidas e
favoráveis à agropecuária. É uma das cidades mais importantes e antigas
do Ceará, situando-se atualmente como a 6ª cidade mais populosa , a 3ª mais desenvolvida e o 9ª maior PIB do Estado.
Etimologia
O topônimo
Crato vem do latim curatus, que significa
padre ou designação de lugares com condições de tornar-se paróquia, podendo ser uma alusão a:
- a vila portuguesa de Crato, no Distrito de Portalegre, região Alentejo e sub-região do Alto Alentejo;
- Curato de São Fidélis de Sigiarina, que corrompeu-se depois para Curato de São Fidélis, Cutato, Crato.
Já o topônimo
Miarada é uma alusão ao um dos chefes da tribo do Kariri, batizado com esse nome.
Sua denominação original era
Missão do Miranda, depois
Missão dos Cariris Novos,
Aldeia do Brejo Grande e
Vila Real do Crato e, desde 1842,
Crato.
História
As terras as margens do rio Jaguaribe-Mirim (e seus afluentes) e da Chapada do Araripe eram habitadas por diversas etnias indígenas, dentre elas os Kariri, Aquijiró, Guariú, Xocó, Quipapaú e tantas outras, antes da chegada das entradas e/ou missões religiosas dos portugueses, italianos, baianos, paraibanos e sergipanos.
Entradas dos Sertões de Dentro e a Missão Capuchinha
Com a expulsão dos neerlandeses do nordeste brasileiro, os portugueses e outros brasileiros puderam adentrar e explorar melhor a terra do Siará Grande.
Acredita-se que primeira penetração no território do Cariri
aconteceu durante século XVII, com a bandeira dos irmãos Lobato Lira.
Desta bandeira, participaram dois religiosos: um padre secular e um
frade capuchinho, que ganharam a confiança dos índios kariri e conseguiram aldeá-los. Estes exploradores subiram o leito do Jaguaribe-Mirim e instalaram nos arredores da cachoeira dos Karirys (cachoeira de Missão Velha).
Tempos depois, o frei capuchinho Carlos Maria de Ferrara organizou,
às margens do rio Itaitera (água que corre entre pedras), o maior e mais
importante aldeamento de silvícolas na região. Este recebeu o nome de
"Missão do Miranda", em homenagem a um dos chefes da tribo batizado com
esse nome. Mais tarde, também aparecem as denominações "Miranda" e
"Cariris Novos". A Missão do Miranda, sob a administração dos capuchinhos,
prosperou, devido à fertilidade do solo e abundância de água, que
possibilitaram o cultivo da cana-de-açúcar, mandioca e cereais. Manuel
Carneiro da Cunha e Manuel Rodrigues Ariosto requereram, através da lei
de sesmaria, a posse das terras adjacentes ao Rio Salgado, fato que culminou na elevação da missão a povoação.
 |
A Praça da Sé, no centro comercial
da cidade, com a catedral ao fundo. |
A primeira manifestação de apoio eclesiástico aconteceu em terras
doadas pelo capitão-mor Domingos Álvares de Matos e sua mulher, Maria
Ferreira da Silva. Essa doação localizava-se, inicialmente, em terras
encravadas a dois quilômetros a sudeste da povoação, transferindo-se, em
data posterior, para a margem direita do rio Granjeiro. Os trabalhos da primitiva Igreja, dedicada a Nossa Senhora da Penha de França, tiveram início em 1745,
tendo como responsável, o frei Carlos Maria de Ferrara e seu
companheiro frei Fidélis de Sigmaringa. Em 1762, foi criada a Paróquia,
na aldeia do Miranda, sob a invocação de Nossa Senhora da Penha.
A edificação desse primitivo templo
revela o atraso de sua época, considerando sua estrutura como as
paredes de taipa, piso de barro batido e coberta de palhas, tendo ainda
os caibros e ripas trançados de cipós. A permanência desses religiosos,
no que se chamou de Missão do Miranda, estendeu-se por espaço de dez
anos.
A freguesia criou-se por provisão de março do ano de 1762 e inaugurou-se a 4 de janeiro de 1768,
tendo como seu primeiro vigário o padre Manuel Teixeira de Morais. Com o
desgaste do tempo, a estrutura física entra em deterioração, situação
que levou o padre Antônio Lopes de Macedo Júnior, pároco da Freguesia de
Nossa Senhora da Penha, a endereçar requerimento à Junta do Real
Erário, solicitando fundos necessários à construção da capela-mor ou
igreja matriz. Atendido o seu pedido, iniciaram-se os trabalhos cuja
conclusão data de 1817, constando os atos inaugurais de 3 de maio do mesmo ano.
A povoação de Miranda elevou-se à categoria de vila em 16 de dezembro de 1762, tendo sido instalada em 21 de junho
de 1764 como Vila Real do Crato, no século XVIII, constituindo um dos
mais importantes núcleos de povoamento na época colonial no interior do Nordeste. Foi tornada cidade pela Lei Provincial nº 628, de 17 de outubro de 1853.
Século XIX: influências de Pernambuco
 |
| Seminário São José, no bairro Seminário. |
No século XIX, já habitavam na vila do Crato famílias que enviavam seus filhos para estudar em Recife, capital da província de Pernambuco. Foi por lá que muitos entraram em contato com os ideais de independência e adoção do regime republicano no país. Assim, José Martiniano de Alencar, subdiácono e estudante do Seminário de Olinda,
deflagrou o movimento republicano no conservador Vale do Cariri, a ter o
Crato como palco principal. Repercutindo os ideais da Revolução Pernambucana de 1817,
Martiniano "proclama" a independência do Brasil no púlpito da matriz da
cidade em 3 de maio de 1817. Com isso, a cidade do crato foi
considerada um pais por um dia. O proprietaro Leandro Bezerra Monteiro, o
mais importante proprietário rural do Cariri, católico e monarquista,
pôs fim ao intento republicano. Os revolucionários foram presos e
enviados para as masmorras de Fortaleza e posteriormente para as de Salvador, na Bahia. Entre os prisioneiros estavam Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e Dona Bárbara de Alencar, irmão e mãe de José Martiniano. Recebem a anistia pela autoridade real posteriormente.
Em 1824 eclode em Pernambuco a Confederação do Equador. Tristão Gonçalves de Alencar Araripe mais uma vez adere ao movimento e é aclamado pelos rebeldes Presidente da Província do Ceará. Em 31 de outubro de 1825 morre em combate com forças contrárias ao movimento. Após tais acontecimentos, em Crato, assim como no Cariri, muitos se dividem entre monarquistas e republicanos. Entre os primeiros estava Joaquim Pinto Madeira, chefe político da Vila de Jardim
e Capitão de Ordença que prendera os revolucionários, entre eles
Tristão Gonçalves de Alencar Araripe . Com a renúncia de D. Pedro I,
inimigos do monarquista aproveitam para se vingar e Pinto Madeira em sua
defesa arma dois mil jagunços com a ajuda do vigário de Jardim, padre
Antônio Manuel de Sousa. Invadem o Crato em 1832
para derrotar os inimigos políticos. Apesar de vitoriosos no começo,
Pinto Madeira e Antônio Manuel sofrem reveses e, finalmente presos, são
enviados ao Recife e Maranhão. Retorna ao Crato em 1834 e é condenado a forca, sentença posteriormente comutada para fuzilamento, em face do réu ter alegado sua patente militar de Coronel. Tanto Tristão Gonçalves quanto Pinto Madeira dão nome a rua e bairro, respectivamente, na cidade nos dias de hoje.
Segunda metade do século XIX: Criação da Diocese, Caldeirão e outras mudanças
No início do século XX, a cidade dividiu com o recém criado município de Juazeiro do Norte a liderança política do vale do Cariri.
Joaseiro,
como era conhecido, era uma localidade pertencente à Crato e seu
processo de autonomia política seria encabeçado por, entre outros, padre
Cícero Romão Batista.
Em 20 de outubro de 1914, é criada a Diocese de Crato pelo papa Bento XV através da Bula "
Catholicae Ecclesiae".
A Igreja Católica foi responsável pelo progresso material e social de
Crato inicialmente, pois aí fundou o Seminário menor de São José
(primeiro do Interior cearense), a pioneira cooperativa de crédito
(Banco do Cariri), escolas, hospitais e a Faculdade de Filosofia de
Crato, embrião da atual Universidade Regional do Cariri fundada no ano de 1986. Ainda em 1914, Crato foi palco de confrontos da Sedição de Juazeiro, levante que levaria à deposição do Governador Marcos Franco Rabelo.
 |
Estação da RFFSA,
Desativada e hoje Centro Cultural em Crato. |
Em 1926, o Crato ligou-se a Fortaleza, através da inauguração da estação de trem do Crato, o ponto final da extensão da Estrada de Ferro de Baturité, que teve início a partir de 1910.
Durante a seca de 1932, o Crato é um dos locais onde é instalado pelo governo estadual um dos Campos de Concentração no Ceará ou mais conhecido como
os Currais do Governo. Os flagelados da seca que procuravam a ajuda do padre Cícero foram então alojados no sítio da localidade de
Buriti. O campo do concentração do Crato foi um episódio marcante na História do Ceará.
Com o fim de canudos, o beato José Lourenço Gomes da Silva vem morar em Crato e, com o aval do Padre Cícero, funda a irmandade da Santa Cruz do Deserto. A primeira base desta comunidade localizava-se no Sítio Baixa Dantas. Em 1926 a irmandade sai deste sítio e vai para o
Caldeirão dos Jesuítas. O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto, um experimento sócio-religioso que incomodou as principais forças regionais da época, teve o seu fim em 1937
e entrou para a História do Ceará como um massacre no qual, pela
primeira vez História do Brasil, aviões foram usados como objetos de
arma.
O município, atualmente, mantém um padrão de vida significativo se
comparado com algumas cidades não muito distantes da região do Cariri.
Seu último e atual bispo, o ítalo-brasileiro Dom Fernando Panico,
deu início ao processo de reabilitação do Padre Cícero, abrindo, assim,
uma possibilidade para que o sacerdote seja oficialmente beatificado e,
futuramente, canonizado pela Igreja Católica.
Geografia
Clima
A pluviosidade no município é de 1090,9 mm anuais com chuvas
concentradas de janeiro a maio. As temperaturas médias ao longo do ano
variam entre 24ºC e 26ºC , com médias mínimas de 18º até médias máxima de 33ºC. Nas zonas altas da cidade, no topo da Chapada do Araripe,
as temperaturas costumam ser mais frias devido à altitude. Na vizinha
Barbalha, situada em altitude similar, a estação meteorológica local
demonstra que, da região do Araripe, as mínimas absolutas (no período
1961-1990) variaram entre 10ºC e 18ºC, enquanto as máximas absolutas
foram de 34ºC a 37ºC, conforme o mês do ano.
| Valores climáticos para Clima no Crato (CE) |
| Mês |
Jan |
Fev |
Mar |
Abr |
Mai |
Jun |
Jul |
Ago |
Set |
Out |
Nov |
Dez |
Ano |
| Média da temperatura máxima °C (°F) |
31.7
(89) |
29.9
(86) |
29.9
(86) |
29.7
(85) |
29.5
(85) |
28.8
(84) |
29.5
(85) |
31.1
(88) |
31.9
(89) |
33.6
(92) |
32.7
(91) |
32.8
(91) |
30,9
(88) |
| Temperatura média diária °C (°F) |
26.8
(80) |
25.9
(79) |
25.3
(78) |
25.1
(77) |
24.6
(76) |
24.0
(75) |
24.0
(75) |
24.8
(77) |
26.3
(79) |
27.3
(81) |
27.4
(81) |
27.2
(81) |
25,7
(78) |
| Média da temperatura mínima °C (°F) |
21.5
(71) |
20.8
(69) |
21.1
(70) |
20.7
(69) |
19.9
(68) |
19.0
(66) |
18.8
(66) |
18.6
(65) |
19.9
(68) |
21.2
(70) |
21.8
(71) |
21.6
(71) |
20,4
(69) |
| Precipitação mm (polegadas) |
90.4
(3.56) |
155.9
(6.14) |
213.3
(8.4) |
114.4
(4.5) |
35.4
(1.39) |
12.5
(0.49) |
2.9
(0.11) |
11.4
(0.45) |
16.3
(0.64) |
10.1
(0.4) |
31.5
(1.24) |
51.3
(2.02) |
745,4
(29,35) |
| Fonte: Jornal do Tempo (UOL) e DCA 19 de janeiro de 2011. |
Hidrografia
As principais fontes de água fazem parte da bacia do rio Salgado, sendo seus afluentes os rios: Carás e das Batateiras
riachos: Correntinho, Carão, dos Carneiros, São José e outros tantos.
Existem ainda diversos açudes, sendo os de maior porte o Açude dos
Gonçalves e o Açude Tomaz Osterne.
Relevo
As terras do Crato fazem parte da Depressão Sertaneja,
com um relevo que é constituído ao norte por formas suaves, pouco
dissecadas, com maciços residuais, e a sul pela uniformidade da Chapada do Araripe. Por estar localizada no sopé de uma chapada
de altitudes consideráveis (chegando a até 920m) em meio a uma área
semi-árida. Os solos da região são solos podzólicos, latossolos,
litólicos e solos aluviais.
Geologicamente, o substrato compõe-se de xistos,
quartzitos, gnaisses e migmatitos do Pré-Cambriano indiviso,
conglomerados, arenitos, grauvacas e argilitos do Eocambriano, arenitos e
calcários do Paleozóico.
 |
Vista parcial do Vale do Cariri
a partir do Clube Serrano,
na vertente da Chapada do Araripe. |
Vegetação
O Crato possui uma grande variedade de paisagens naturais, incluindo áreas de mata seca floresta subcaducifólia tropical pluvial, cerrado, caatinga
arbórea (floresta caducifólia espinhosa), mata úmida (floresta
subperenifólia tropical plúvio-nebular) e carrasco (vegetação de
transição presente em algumas regiões do Ceará). De acordo com dados
oficiais do governo, reconhecem-se as seguintes vegetações no território
do Crato: carrasco, floresta caducifólia espinhosa, floresta
subcaducifólia tropical pluvial, floresta subperenifólia tropical
pluvio-nebular e floresta subcaducifólia tropical xeromorfa.
Dada a variedade de paisagens, a cidade do Crato possui grande biodiversidade, que está relativamente bem preservada graças à Floresta Nacional do Araripe, que foi a primeira floresta nacional estabelecida no Brasil, em 1946, e abrange parte do território de Santana do Cariri, Crato, Barbalha e Jardim,
totalizando 39.262,326 hectares. Por sua riqueza biológica, o Crato é
um dos locais mais importantes para a preservação do degradado
patrimônio ecológico no Ceará e para a preservação dos resquícios de mata atlântica, vegetação que quase desapareceu em todo o Nordeste.
Subdivisão
O município também é dividido em dez distritos: Crato (sede), Baixio
das Palmeiras, Belmonte, Campo Alegre, Dom Quintino, Monte Alverne, Bela
Vista, Ponta da Serra, Santa Fé e Santa Rosa.
Estrutura socioeconômica
 |
Uma das muitas praças da
cidade. Praça Alexandre Arraes. |
A vasta maioria da população cratense, 83,11%, mora na zona urbana. A
maior parte dos moradores urbanos dispõe de serviços de água encanada
(90,03%), energia elétrica (99,70%) e coleta de lixo (92,23%),
representando um significativo progresso em relação a 1991, quando esses
serviços estavam disponíveis para 52,59%, 77,77% e 50,22% dos
cratenses, respectivamente.
Outros serviços largamente disponíveis na cidade são transporte
público, serviço telefônico, internet, correios e telégrafos, serviços
bancários, hospitais e educação pública e privada do fundamental ao
nível superior. Em relação ao resto do Ceará, o Crato se destaca como o
3º município com maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal
(IDHM), composto por índices de longevidade, educação e renda, quesitos
nos quais o Crato está também em 3º lugar.
A cidade apresenta altíssima desigualdade de renda, porém esta
diminuiu razoavelmente ao longo da década de 2000, reduzindo o nível de
concentração da riqueza de 0,64 em 2000 para 0,57 em 2010. Apesar disso,
8,61% dos cratenses ainda são extremamente pobres e outros 24,54%
sofrem com a pobreza, o que, entretanto, demonstra grande avanço em
relação à pobreza extrema de 38,42% e à pobreza de 65,85% em 1991.
O Crato enfrenta problemas de ordem ambiental, em decorrência da
ocupação desordenada nos bairros mais altos da cidade, a exemplo no
Parque Grangeiro, onde se verifica uma explosão imobiliária ao longo do
leito do rio Grangeiro,
que atravessa o centro da cidade, na área mais baixa. Tal ocupação
ocasionou o assoreamento e a destruição da mata ciliar do rio, o que
veio a causar, nos últimos anos, violentas inundações durante a quadra
invernosa (muito intensa em Crato nos meses de janeiro a abril).
Saúde
 |
| Hospital e
Maternidade São Francisco de Assis |
O Crato possui expectativa de vida de 74,3 anos e mortalidade
infantil (até 1 ano de idade) de 16,5 por mil nascidos vivos, ambos
ligeiramente melhores que a média nacional. Houve significativa melhoria
nos índices básicos de saúde do cratense desde 1991: a longevidade
subiu de 61,8 para 74,3 anos (+20,2%), enquanto a mortalidade infantil
caiu de 61,4 para 16,5 por mil (-73,1%). Paralelamente, houve
significativa queda na taxa de fecundidade da mulher cratense, passando
de 3,7 em 1991 para apenas 2,2 em 2010.
A rede hospitalar do município possui cinco hospitais (Hospital e
Maternidade São Francisco de Assis, Hospital São Miguel, Casa de Saúde
Joaquim Bezerra de Farias, Hospital Manuel de Abreu e Casa de Saúde
Santa Teresa, sendo este último hospital psiquiátrico) além de diversas
clínicas especializadas e postos de saúde dispersados em vários pontos
do município, atraindo uma grande demanda de cidades vizinhas bem como
de outros estados limítrofes.
Educação
 |
| Campus da UFC |
A cidade conta com extensa rede educacional, tanto pública como
privada, nos três níveis de ensino. Sua rede de ensino superior é
formada pelas seguintes instituições: Universidade Regional do Cariri (URCA), Universidade Vale do Acaraú - Unidade Crato, Campus da UFC no Crato,
Faculdade Católica do Cariri e Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia - Campus Crato. Frequentam-se também as faculdades e
universidades localizadas nas cidades vizinhas de Juazeiro do Norte e Barbalha, conurbadas ao Crato.
O Crato experimentou largo avanço educacional entre 1991 e 2010,
subindo do IDHM-Educação de 0,267 para 0,673. Contribuíram para isso os
fortes aumentos na escolarização média da população: hoje 56,82% dos
cratenses de 18 anos ou mais têm o ensino fundamental completo (eram
29,27% em 1991), enquanto 48,25% dos jovens de 18 a 20 anos têm ensino
médio completo (face a 11,40% em 1991). Dentre os adultos de 25 ou mais
anos, 10,8% completaram o ensino superior, porém 19,3% ainda são
analfabetos. Como um todo, os habitantes do Crato têm 10,47 anos
esperados de estudo, acima da média cearense de 9,82 e uma marcante
melhoria em relação aos 6,96 anos de estudo em 1991.
Transporte público e intermunicipal
 |
O VLT do Cariri, que liga as cidade de Crato e
Juazeiro do Norte, no Ceará (Foto: Cesar Coelho/SSC) |
Inaugurado em 1 de dezembro de 2009 , o Metrô do Cariri é um veículo leve sobre trilhos que liga Crato ao município vizinho Juazeiro do Norte. Iniciativa do Governo do estado em parceria com as prefeituras dos municípios envolvidos, o VLT foi construído pela empresa Bom Sinal Indústria e Comércio Ltda.
O sistema público de transportes é deficitário, sendo feito por
"lotações", usando-se "vans" e caminhonetes que fazem linhas para os
diversos bairros e distritos do município. Existe uma pequena empresa de
ônibus (Transfreire), que liga o
 |
| Vista da rua Pres. Kennedy. |
Centro ao bairro do Granjeiro, e duas
linhas intermunicipais (Crato-Juazeiro), operadas pela empresa Via
Metro. Porém a cidade carece de um transporte público que interligue os
outros bairros mais distantes ao centro. O terminal intermunicipal de
passageiros é considerado pequeno para o movimento da cidade, de onde
saem várias linhas de ônibus que ligam o Crato a quase todas as Regiões
brasileiras.
A partir de Fortaleza o acesso ao município pode ser feito por via terrestre através da rodovia Fortaleza/Crato (BR-122).
As demais vilas, lugarejos, sítios e fazendas são acessíveis (com
franco acesso durante todo o ano) através de estradas estaduais, algumas
asfaltadas.
Economia
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| Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcanti. |
A economia local é baseada na agricultura de feijão, milho, mandioca, arroz, monocultura de algodão, cana-de-açúcar, castanha de caju, hortaliças, banana, abacate e diversas frutas. Na pecuária extensiva destaca-se criação de bovinos, ovinos, caprinos, suínos e de aves. O extrativismo vegetal
também estimula a economia local com a extração de madeiras diversas
para lenha e construção de cercas, uso em padarias e fabricação de
carvão vegetal; atividades com babaçu, oiticica e carnaúba. O artesanato, também é uma outra fonte de renda, de redes e bordados é bastante difundido no município. Já a piscicultura desenvolve-se nos córregos e açudes.
A mineração
gera fonte de renda através da extração de rochas ornamentais, rochas
para cantaria, brita, fachadas e usos diversos na construção civil. Bem
com a extração da areia, argila (utilizada no fábrico de telhas e
tijolos) e de rocha calcária (calcinada para obtenção de cal e gipsita). Registram-se ainda nas terras do Crato a ocorrência de gipsita, utilizado na fabricação de cimento Portland, gesso e na correção de solos salinos, e chumbo.
No parque industrial do Crato localizam-se 95 indústrias.
 |
| Centro comercial de Crato. |
A cidade do Crato tem expressiva importância econômica regional.
Destaca-se na tradicional função de comercialização de produtos rurais,
provenientes do desenvolvimento da agricultura no sopé dos vales
irrigados da região do Cariri. Nessa área, destaca-se a famosa Expocrato,
feira agropecuária que inclui também shows com bandas e cantores
famosos e da qual participam cerca de 500 mil pessoas todos os anos
incluindo milhares de visitantes de fora da cidade, em todo mês de
julho. A cidade também comercializa produtos industriais, tais como (alumínio, calçados, cerâmica e aguardente, para os demais centros urbanos do Ceará.
A cidade conta com várias agências bancárias e, conforme o IBGE, o
PIB da cidade era de 846,429 milhões de reais em 2010, o que lhe valia
um PIB per capita relativamente baixo de R$ 6.968,67. A principal
atividade econômica da cidade é o setor de comércio, cerâmica vermelha e
serviços, que, segundo dados de 2002, é responsável por 68,8% do PIB
municipal. Ainda pelos mesmos dados, a indústria responde por 27,6% do
PIB e o setor agropecuário, embora bastante destacado na cidade graças à
famosa feira agropecuária da Expocrato, é responsável por apenas 3,6%. Em 2005 o PIB de Crato foi R$ 116.122.000 maior que no ano anterior, totalizando o valor de R$
459 764 000.
O setor de comércio e serviços continua a ser o maior empregador da
cidade, a verificar-se a presença de lojas de rede regional e nacional.
Uma parcela significativa da população dedica-se à prestação de serviços.
Turismo
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| Cachoeira de Batateira, no Crato. Foto de Dulcinea Gil |
O turismo também é uma importante fonte de renda para o município: a Chapada do Araripe e as suas belezas naturais e a arquitetura do Centro Histórico do Crato, que é datada do século XVIII.
Cultura
 |
| Catedral de Nossa Senhora da Penha. |
O município conta instituições que promovem a cultura como:
- a tradicional Sociedade de Cultura Artística do Crato (SCAC). No mês no novembro, de cada ano, a unidade SESC da cidade promove uma mostra de teatro com companhias de todo país;
- a banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto
sua principal expressão de cultura popular, embora existam muitos
outros grupos folclóricos. A cidade reúne pequenos festivais de
tradições populares nordestinas;
- antiga estação ferroviária, hoje um Centro Cultural;
- o Seminário São José, a Igreja da Sé e seu entorno;
 |
| Museu Histórico |
- o Museu Histórico com várias peças do século XVIII e XIX e artefatos dos primeiros habitantes (os índios cariús);
- Museu Paleontológico (edificação mais antiga do Crato em cujo interior encontra-se fósseis de animais que viveram na região há milhões de anos).
Os principais eventos culturais do Crato são:
- Festa da Padroeira: Nossa Senhora da Penha (1 de setembro);
- Carnaval (fevereiro);
- Semana do Município (21 de julho);
- Expocrato (julho).