Fado no Brasil: Manoel Monteiro
Por mundolusiada | 10 maio, 2012 as 2:43 pm | 4 comentários
Por Thais Matarazzo
O primeiro cantor de fados no Rádio brasileiro foi Manoel Monteiro.
Iniciou suas atividades artísticas por volta de 1931 na radiofonia
carioca, sempre cantando em programas avulsos da Rádio Educadora do Rio
de Janeiro.
Nascido aos 15 de maio de 1909, na freguesia de Cimbres, concelho de
Armamar, distrito de Viseu. Filho de António dos Santos Monteiro e
Carlota dos Santos Trindade Monteiro. Teve duas irmãs: Maria e Fernanda
(que mais tarde se tornaria cantora de rádio no Brasil e participou dos
coros das gravações de Manoel Monteiro na década de 1940).
Manoel Monteiro veio com seu pai e um tio para o Brasil em dezembro de 1923, aos 14
anos. Procuravam melhores condições de sobrevivência. Em 1927, seu pai
ficou tuberculoso e precisou retornar a Portugal, Manoel ficou aos
cuidados de alguns parentes que residiam na Ilha de Paquetá, no Rio de
Janeiro. Passou a trabalhar no comércio. Até que em 1929, resolveu
tentar a sorte no Rio de Janeiro.
Já gostava de cantar desde menino, quando auxiliava os pais na
lavoura, seu pai sempre repetia que a cantoria não o levaria a nada. Já
na Cidade Maravilhosa ingressou na escola de balé do TeatroMunicipal, onde se manteve até 1930, quando foi proibido de dançar devido a problemas cardíacos.
Desde 1929, Monteiro assistia a todos os espetáculos que as
companhias de revistas portuguesas apresentavam nos teatros cariocas,
especialmente, no Teatro República. O rapaz aprendia os fados em voga e
vivia a cantarolar para quem o quisesse ouvir. Certa tarde de 1933,
Manoel, ao passar por uma Casa de Discos ouviu uma vitrola a tocar um
disco de música portuguesa, parou e começou a cantar junto com o disco,
naquele momento, também estavam na loja o guitarrista Manoel Caramês (já
bastante afamado) e o compositor Carlos Campos, que ficaram
impressionados com a bonita voz e interpretação do jovem e o convidaram
para ele gravar um disco na etiqueta Odeon. Ainda em 1933 era lançado o
primeiro disco 78 rotações do artista com os fados “O teu olhar” e “O
último fado”, ambos compostos por Carlos Campos.
Seus primeiros sucessos aconteceram com as gravações dos fados “Santa
Cruz”, “Minha bandeira” e “Fado Manoel Monteiro”. Nesta época, a
comunidade portuguesa no Brasil era muito grande devido à maciça
imigração lusa para o Brasil. Não foi difícil Monteiro conseguir
patrocínio junto aos seus patrícios para ter seu próprio programa
radiofônico, intitulado “Programa Manoel Monteiro”, que teve sua
primeira emissão em 1934. Permaneceu no ar por mais de 15 anos.
Do seu vasto repertório musical destacamos que realizou mais de 100
gravações. Tendo gravado também obras de autores brasileiros,
principalmente do gênero carnavalesco, como seu grande sucesso de 1935,
“Salada Portuguesa” (também conhecida como “Caninha verde”), de Vicente
Paiva e Paulo Barbosa, esta marcha foi por ele apresentada no filme
“Alô, alô, Brasil”, da Cinédia, onde Monteiro aparece ao lado de grandes
nomes da música popular brasileira como: Carmen Miranda, Francisco
Alves e Elisinha Coelho.
Esteve em Portugal diversas vezes a cantar. Gozou de enorme prestígio
no Rádio brasileiro. Excursionou por diversas cidades brasileiras, se
apresentou em um sem-número de restaurantes típicos, em circos, em
teatros, na Rádio e na televisão.
Auxiliou muitos colegas em início de carreira, como, por exemplo, a
cantora e radialista paulista Irene Coelho. Foi Manoel Monteiro o
responsável por abrir caminho para outros artistas lusos ingressarem no
meio artístico, pois é considerado o primeiro cantor português a fazer
sucesso no Brasil. Foi alvo de muitas homenagens durante sua trajetória
artística.
Manoel Monteiro nunca se casou. Sempre residiu no Rio de Janeiro,
cidade em que veio a falecer aos 81 anos em 26/11/1990. Em 1992, em
Portugal, foi lançado um pequeno livro-biografia sobre o artista,
escrito por J. Gonçalves Monteiro, com colaboração de Fernando Pinto,
sobrinho de Manoel Monteiro.
Por Thais Matarazzo
Jornalista, escritora e pesquisadora musical. Autora do livro “Irene
Coelho, uma brasileira de coração português”. Membro da UBE – União
Brasileira de Escritores. E colunista do Mundo Lusíada Online.