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Itamaraty planeja conceder visto humanitário no Brasil para refugiados do Afeganistão, diz mídia

Sputnik Brasil

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Brasil

Segundo a ONU, cerca de 600 mil afegãos já tiveram de deixar suas casas para se protegerem dentro do próprio país. Com contexto trágico, governo brasileiro estuda oferecer refugio para número específico de pessoas.

Fontes no Itamaraty confirmaram hoje (18) à coluna de Jamil Chade no UOL, que o governo brasileiro considera o estabelecimento de uma espécie de visto humanitário para um número específico de pessoas provenientes do Afeganistão, diante da conjuntura conturbada em que se encontra o país da Ásia Central, segundo a mídia.

Na segunda-feira (16), Brasília fez seu primeiro pronunciamento sobre a questão a relacionando aos direitos humanos.

Já hoje (18), o governo assinou uma declaração junto a Europa e Estados Unidos afirmando estar "profundamente preocupado" com a situação de mulheres e meninas afegãs após a tomada de poder total do país pelo Talibã (organização proibida na Rússia e em diversos países).

Segundo a mídia, enquanto o governo avalia as diretrizes a serem adotadas, a bancada do PSOL na Câmara dos Deputados enviou um requerimento ao Itamaraty e ao Conselho Nacional para os Refugiados (Conare) para pedir que o Brasil assuma uma postura no sentido de ajudar a população afegã.

Um cidadão afegão reage em uma reunião para exortar a comunidade internacional a ajudar os refugiados afegãos, em Nova Deli, Índia, 18 de agosto de 2021
© REUTERS / ANUSHREE FADNAVIS
Um cidadão afegão reage em uma reunião para exortar a comunidade internacional a ajudar os refugiados afegãos, em Nova Deli, Índia, 18 de agosto de 2021

No documento, assinado pela deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) e outros parlamentares do PSOL, é solicitado ao Conare que "permita a concessão, por razões humanitárias, de visto apropriado, em conformidade com a Lei nº 2 13.455, de 24 de maio de 2017, a pessoas afetadas pela situação de grave e generalizada violação aos direitos humanos no Afeganistão".

Segundo a ONU, cerca de 600 mil pessoas já tiveram de deixar suas cidades e residências desde o começo deste ano, buscando proteção dentro do próprio país. Entretanto, as entidades internacionais insistem que a comunidade internacional precisa se preparar para um eventual êxodo.

O governo dos EUA já anunciou um pacote de US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) para desenvolver um plano para chegada de pessoas oriundas do país afegão.

A Europa, por sua vez, ainda avalia de que forma poderá auxiliar os refugiados sem pressionar as fronteiras do continente.

No entanto, alguns países da União Europeia (UE), como Alemanha, Áustria e Dinamarca, se manifestaram através de uma carta enviada ao bloco no dia 10 pedindo à Comissão Europeia que mantenha deportações de refugiados afegãos apesar da guerra, conforme noticiado.

Na segunda-feira (16), a Alemanha voltou atrás, e disse que retiraria urgentemente até dez mil pessoas de Cabul que, por sua vez, passarão a ser responsabilidade do país europeu. Entretanto, das dez mil, somente sete foram retiradas até agora.

Ainda de acordo com a coluna de Jamil Chade, na próxima semana, o Brasil vai patrocinar uma reunião de emergência do Conselho de Direitos Humanos da ONU para discutir o assunto. 

A Cultura do Afeganistão tem seu registro traçado pelo menos até o tempo do Império Aquemênida em 500 aC. É bastante influenciada pelo Islãmismo, porém recebeu, ao longo dos séculos, influências do budismo e do zoroastrismo. Há objetos da Arte Gandara do século I ao século VII, com marcante influência greco-romana.

O que torna único o centro de pesquisa nuclear na Bolívia em construção junto com Rússia?

Representantes da Rosatom e Luis Acre na abertura do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear em El Alto, Bolívia, 26 de julho de 2021

© Foto / Rosatom
#SputnikExplica

Na semana passada, os lados russo e boliviano deram início à construção do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear da Bolívia. A Sputnik explica o que torna o projeto excepcional e sem paralelo no mundo.

Em 26 de julho, durante uma cerimônia do derrame do primeiro concreto, o presidente boliviano Luis Arce e o vice-diretor da corporação russa Rosatom, Kirill Komarov, inauguraram a construção de um reator de pesquisa na Bolívia, um elemento-chave do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CIDTN, na sigla em espanhol) boliviano.

Altos funcionários visitaram as instalações já concluídas – o Complexo Cíclotron-Radiofarmácia e Pré-Clínica (CCRP) e o Centro de Irradiação Multiuso – que serão colocadas em operação nos próximos meses.

Além do mais, no final de junho foi iniciada a construção do edifício que abrigará o reator de pesquisa, previsto para ser terminado até o ano de 2024.

A Sputnik Brasil ouviu Oleg Bochkin, diretor de comunicações estratégicas da Rusatom Oveseas JSC, empresa da Corporação Estatal de Energia Nuclear Rosatom da Rússia, que contou em detalhes as peculiaridades deste projeto único.

Escolha do local

O contrato entre a empresa Rosatom e a Agência Boliviana de Energia Nuclear (ABEN) que prevê a criação do centro de pesquisa nuclear na cidade boliviana de El Alto foi assinado em 2017.

A cidade onde será localizado o futuro centro foi escolhida pelo lado boliviano. O diretor entrevistado explica os vários fatores importantes para a escolha. O primeiro ponto é a questão da acessibilidade de transporte. Além de que El Alto se encontra perto da capital econômica da Bolívia, La Paz, a plataforma do centro fica na proximidade do aeroporto de El Alto, que é a porta de entrada da cidade em relação a La Paz.

"Essa infraestrutura permite que esse tipo de radiofármacos, que nossos parceiros bolivianos vão produzir, possam ser facilmente fornecidos a outras cidades bolivianas e países próximos", ressalta Oleg Bochkin a importância da logística em vista da alta demanda deste negócio.

O segundo momento não menos relevante é a aceitação social. Conforme constata ele, os residentes da cidade aceitam bem o projeto de construção do centro devido ao desenvolvimento da infraestrutura da cidade, à prevista criação de novos postos de trabalho e também porque a qualidade de vida no geral vai aumentar.

Já está sendo construída uma nova rodovia na cidade. Além do mais, o diretor expressa orgulho especial pelo fato de que o centro é construído por cidadãos da Bolívia. Agora, no local da construção trabalham cerca de 500 trabalhadores bolivianos. No centro, no futuro, também vão trabalhar especialistas bolivianos.

Adicionalmente, tanto La Paz quanto El Alto são grandes centros urbanos com grande população, e o centro permitirá "auxiliar a solucionar questões da esfera médica, principalmente no tocante ao diagnóstico e tratamento de doenças oncológicas".

Projeto sem análogos no mundo

O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear em El Alto é um projeto excepcional, apesar de atualmente mais de 50 países estarem construindo reatores de pesquisa.

"Em primeiro lugar, [o projeto] é único por um simples motivo: ninguém no mundo nunca construiu esse tipo de estrutura a uma altitude de 4.000 metros" acima do nível do mar, de acordo com as palavras do diretor.

Embora isso por si só coloque algumas limitações no processo da construção, o projeto está sendo realizado de acordo com todos os padrões impostos pela corporação Rosatom, assegura ele.

Projeto é 'estímulo' para o país

A principal contribuição que o projeto fornecerá para o Estado boliviano são as vantagens médicas. Os produtos radiofarmacêuticos que serão fabricados no CCRP permitirão realizar o diagnóstico de doenças oncológicas e cardiovasculares em seus estágios iniciais.

Segundo dados do diretor, mais de cinco mil pessoas por ano terão oportunidade de aproveitar os serviços de centros médicos recebedores desses radiofármacos.

"Para a Bolívia essa questão é de grande importância, e nós temos a esperança que a Rússia e a Rosatom possam fazer a sua contribuição para o desenvolvimento de seu sistema de saúde pública", ressaltou.

Mais do que isso, o Centro de Irradiação Multiuso vai possibilitar a esterilização de uma ampla gama de produtos e materiais, esclarece Oleg Bochkin. Primeiramente, a esterilização de insumos e equipamentos médicos, contribuindo assim para o combate à pandemia da COVID-19, e também de produtos agrícolas. Quanto aos últimos, isso permite aumentar o período de conservação e proteger esses produtos de uma ampla gama de micróbios prejudiciais.

Logo da corporação estatal russa Rosatom
© Sputnik / Vladimir Astapkovich
Logo da corporação estatal russa Rosatom

Assim, "a Bolívia depois poderá exportar esses produtos agrícolas para países terceiros com tranquilidade", assegura o diretor.

Além do mais, há vantagens para a indústria: o próprio reator de pesquisa vai permitir a produção de isótopos para uma ampla e diversificada gama de pesquisas e desenvolvimentos científicos, para uso desde industrial, geológico, até a construção de aeronaves.

Finalmente, no sentido mais global, quando o reator estiver em operação, a Bolívia obterá o status de potência que usa a energia nuclear para fins pacíficos e entrará no clube desses países privilegiados, que podem usar tecnologia nuclear para o bem de seu país.

De acordo com o diretor, o projeto é um estímulo para o país, já que "um centro como esse muda a vida e a economia de um país, colocando-o em um novo nível". Isso exige a criação de uma nova classe de profissionais e a qualificação de estudantes em física nuclear e outras ciências. A Rosatom, por seu lado, diz que apoia seus parceiros no sentido da qualificação. Desde a assinatura do contrato, foram reservadas mais de 100 bolsas para que estudantes bolivianos se qualifiquem em instituições de ensino superior russas, contou ele.

Representantes da Rosatom e Luis Acre na abertura do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear em El Alto, Bolívia, 26 de julho de 2021
© Foto / Rosatom
Representantes da Rosatom e Luis Acre na abertura do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear em El Alto, Bolívia, 26 de julho de 2021

"É uma nova abordagem em relação à medicina. Um novo nível de colaboração com cientistas dos países da região", segundo o diretor, que prevê que especialistas de toda a América Latina vão visitar a Bolívia para compartilhar experiências, o que, sem dúvida, "um grande ponto positivo" para esse país.

O diretor da empresa salientou também a importância do projeto para a corporação Rosatom do lado russo, sendo um "bom exemplo de exportação de soluções russas de alta tecnologia".

"Podemos dizer que esse é o maior projeto que temos na América Latina, no qual podemos mostrar todas as vantagens da Rússia no tocante à construção desse tipo de instalações, tais como reatores de pesquisa."

É importante salientar que a Rússia cumpre rigorosamente as obrigações do Tratado de Não Proliferação Nuclear e o reator de pesquisa em construção não pode ser usado categoricamente para fins não pacíficos. Isso é proibido pelas leis internacionais e, além disso, é impossível do ponto de vista das leis da física.

Entretanto, qualquer equipamento que use tecnologias nucleares funciona sob salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica, e o centro boliviano não será exceção. O combustível para o reator de pesquisa vai ser produzido na Rússia conforme todos os padrões da AIEA e, acentua o diretor, "de maneira nenhuma constitui [combustível de] urânio altamente enriquecido".

Quanto à reciclagem dos resíduos nucleares, é preciso ser cuidadoso com a definição. Existe o combustível nuclear gasto, usado no reator de pesquisa, que é de fato uma matéria valiosa. Após este esgotar suas propriedades, ele é recuperado e será enviado para a Rússia para processamento.

Se falarmos da geração de lixo radiológico, a construção do centro prevê que ele seja mínimo. E esse lixo será acomodado de acordo com os padrões mais modernos, explica o especialista.

"Muitos países têm reatores de pesquisa, e pouquíssimos países possuem armas nucleares. São tecnologias completamente diferentes", garante o diretor.

Congressistas dos EUA anunciam vazamento da COVID-19 por 'interesses egoístas', diz MRE da China

COVID-19 no mundo
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Ásia e Oceania

O Ministério das Relações Exteriores chinês criticou o relatório dos congressistas norte-americanos sobre o suposto vazamento do coronavírus do laboratório de Wuhan, cujo objetivo seria "difamar e desacreditar a China".

O relatório do Partido Republicano dos EUA sobre o alegado vazamento do vírus do laboratório de Wuhan é baseado em mentiras e fatos distorcidos. A Pequim é contra as tentativas de congressistas norte-americanos de difamar e desacreditar a China, afirmou o Ministério das Relações Exteriores chinês.

"O relatório em questão é inteiramente baseado em mentiras fabricadas e fatos distorcidos, não conseguiu fornecer quaisquer provas e carece de credibilidade e rigor científico", declarou a chancelaria chinesa.

"As ações dos congressistas americanos envolvidos são motivadas apenas por interesses egoístas com o objetivo de difamar e desacreditar a China, nos opomos veementemente e condenamos firmemente suas ações imorais e desprezíveis", de acordo com o MRE chinês.

Quanto às pesquisas sobre o ganho de função dos coronavírus, segundo as autoridades chinesas, os Estados Unidos são o maior patrocinador de tais estudos. A chancelaria recomendou aos políticos norte-americanos realizarem uma investigação em seu próprio país.

"Apelamos aos EUA para respeitarem os fatos e a ciência, para se focarem na luta contra a epidemia e em salvar vidas, pararem de usar a epidemia para manipulação política e para responsabilizar os outros", disse a chancelaria chinesa.

Na segunda-feira (2), a Fox News divulgou um relatório do Partido Republicano dos EUA, declarando que a "maioria de evidências" apoia a teoria de que o vírus que causou a pandemia de COVID-19 "vazou" de um laboratório chinês.

Em março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um relatório após ter passado quatro semanas na cidade de Wuhan e arredores com pesquisadores chineses. A OMS disse que o vírus provavelmente foi transmitido de morcegos para humanos por meio de outro animal. A versão de vazamento da COVID-19 do laboratório chinês foi chamada de "pouco provável".

Portugal usa e é usado em jogos diplomáticos com China e EUA, segundo analista

 

  • Sputnik Brasil
23:09 27 Julho 2021
 
COVID-19 no mundo
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Europa
 
Por Lauro Neto

Apesar de a China ter pedido apoio a Portugal para combater a politização sobre a origem da COVID-19 e ter atribuído ao chanceler português uma declaração de que o rastreamento da origem não deve culpar certos países, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) enviou à Sputnik uma nota diferente.

Confrontado com a declaração publicada pela imprensa chinesa e atribuída a Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, o MNE deixou claro o posicionamento do país a favor de uma investigação da Organização Mundial da Saúde (OMS). No mesmo dia em que o chanceler português se reuniu com seu homólogo chinês, Wang Yi, Pequim rejeitou os termos da OMS para uma segunda fase de análise mais aprofundada sobre as origens do novo coronavírus.

"Na reunião com o seu homólogo chinês, o ministro dos Negócios Estrangeiros português exprimiu a posição de que a OMS deve fazer o seu trabalho de investigação sobre as origens da pandemia, no plano técnico-científico, sem interferências políticas e com vista a que fiquemos todos mais bem preparados para combater próximas crises semelhantes", lê-se na nota do MNE enviada à Sputnik Brasil.

Questionada se confirmava a declaração de que Portugal não vê a China como uma ameaça, frase também atribuída por Pequim ao chanceler português, a pasta comandada por Santos Silva fez questão de reforçar o pertencimento do país à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). 

"Portugal considera a China um país parceiro, com o qual tem interesses comuns, designadamente numa transição bem-sucedida em Macau. O sistema de alianças a que Portugal pertence é naturalmente o da NATO e da União Europeia", lê-se em outro trecho. 
Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, em 20 de maio de 2021
© REUTERS / Francisco Seco
Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, em 20 de maio de 2021

Em entrevista à Sputnik Brasil, Paulo Duarte, professor das universidades do Minho e Coimbra, Paulo Duarte diz que Portugal tem um desafio muito grande na política externa de fazer o equilíbrio entre os Estados Unidos, a União Europeia e a China. Doutor em Ciências Políticas e Sociais pela Universidade Católica de Lovaina (Bélgica) e investigador-convidado da Universidade Normal de Pequim, ele elogia o desempenho do MNE.

"Portugal é usado e, ao mesmo tempo, usa da sua diplomacia para saber jogar com ofertas e propostas dos chineses e americanos. Augusto Santos Silva é muito cuidadoso com as palavras. Tem o feito com uma política diplomática exemplar. A mídia chinesa tem todo interesse em trocar um bocadinho as palavras. Não me espanta", avalia Duarte, em referência às declarações atribuídas por Pequim ao chanceler português.

'É normal pedir à China para prestar contas', diz analista

Em uma analogia semântica com a Gripe Espanhola, o especialista ressalta que, em que pese Donald Trump ter apelidado o SARS-CoV-2 de vírus chinês, a origem do novo coronavírus é mesmo chinesa, pois foi o país onde foi detectado primeiramente. Membro do Observatório da China em Portugal, ele considera natural que se queira identificar detalhes a respeito das origens de uma doença que já matou mais de 4,1 milhões de pessoas.

"Isso é uma questão séria demais. Estamos a falar de um vírus que está a mudar a vida do mundo inteiro. É normal que a humanidade, e não só os Estados Unidos, peça à China prestar contas. Do ponto de vista da ética e da moral, a China tem a responsabilidade de não ter protegido o meio ambiente até hoje", analisa.

Duarte destaca que, apesar de Trump ter lançado uma campanha de suspeita sobre a OMS e, por sua vez, a China ter interesse na organização, ainda se trata de uma entidade com credibilidade. Quando muito, recomenda que duas entidades neutras façam investigações paralelas. Ele faz a ressalva de que Portugal não pode deixar uma entidade ligada aos Estados Unidos investigar as origens do vírus. 

"Portugal não pode preferir nem americanos nem chineses. Tem que preferir a ciência neutra. Então que se coloquem duas entidades a fazer o trabalho de campo, e tiramos as conclusões. Se forem neutras, não podem ser muito diferentes. Creio que não é do interesse de Portugal encobrir uma falsidade. Dou algum benefício da dúvida a Santos Silva em separar aquilo que é ciência daquilo que é politização da ciência", pondera. 

Indagado pela Sputnik Brasil sobre o discurso chinês de tentar evitar a politização do vírus, mas, ao mesmo tempo, criar dificuldades para os técnicos da OMS para investigação in loco, ele diz que, ao assumir essa posição, a China está indo contra o princípio da transparência. 

E acrescenta que outro problema sério é a proibição de jornalistas estrangeiros no país para tentar confirmar as suspeitas levantadas por Trump, de que o vírus teria sido criado em laboratório. 

"É preciso deixar as entidades credíveis visitarem o país e terem acesso aos espaços e materiais que necessitam para tirar suas conclusões. Não quer dizer que corroborem a tese do vírus chinês. Essa dificuldade que pode estar a ser criada não joga em benefício da China, obviamente", afirma. 
Paulo Duarte, professor da Universidade do Minho, em Portugal
Paulo Duarte, professor da Universidade do Minho, em Portugal

Duarte, que já foi investigador-convidado do Ministério do Comércio da China, salienta que, por trás do embate sobre a politização do vírus, existe uma guerra comercial muito maior entre chineses e norte-americanos, com os portugueses como fiéis da balança. Ele cita alguns exemplos, como o do leilão do 5G em Portugal, que está se arrastando há meses. 

O especialista recorda que, em setembro do ano passado, George Glass, embaixador norte-americano, afirmou que o país lusitano deveria escolher entre os Estados Unidos e a China, ameaçando retaliações.

"Ora, Portugal nasceu em 1143, mais antigo que os Estados Unidos. Não estamos em condição de aceitar nenhum ultimato. Foi um recado muito duro, mas de que a China aproveita. Santos Silva procura não hostilizar a China, pois percebe que é um parceiro poderoso em Portugal e, ao mesmo tempo, sabe que os Estados Unidos não estão a ver com bom tom a presença da China, seja através dos vistos gold, seja da emissão de dívida pública portuguesa em moeda chinesa", exemplifica.  

Porto de Sines e Ilha Terceira têm importância geoestratégica 

Por outro lado, Portugal é considerado um país importante do ponto de vista geopolítico e geoestratégico pelos norte-americanos, por conta do Porto de Sines, como porta de entrada do gás dos Estados Unidos para a União Europeia. Em contrapartida, o professor aponta que a base aérea de Lajes, na Ilha Terceira dos Açores, tem sido abandonada gradualmente pelos militares americanos, mas interessa aos chineses.

Isso porque, na vizinha Praia da Vitória, aventa-se a construção de um porto de águas profundas. Segundo Duarte, autor do livro "La nouvelle route de la soie chinoise et l’Asie centrale" (A nova rota da seda chinesa e a Ásia Central), a China tem muito interesse em concretizar a parceria e a sua Rota da Seda Marítima do Século XXI.

"Estamos a assistir um jogo entre uma superpotência, os Estados Unidos, e uma superpotência em formação. Não demorará muito para a China passar o nível econômico dos americanos, e estima-se que em duas décadas atingirá a paridade militar", prevê.

O professor assinala que já houve três "escalas técnicas" em Lajes com governantes portugueses e chineses e observa que Portugal não adotou uma postura mais pragmática devido aos compromissos com a OTAN. Apesar de frisar que na Cimeira da OTAN, em junho, a China foi apontada como uma ameaça, ele faz a ressalva de que não existem fronteiras proibidas. 

"Se Portugal conseguir ver reconhecida a legitimidade da candidatura que apresentou à ONU de duplicar a sua plataforma marítima, isso significa que há chance de vir a conceder aos chineses a possibilidade de explorar o fundo do mar. Quem manda nisso? Vamos negar e fechar portas aos chineses se for uma proposta milionária só porque os EUA nos ameaçam?", questiona retoricamente. 
Porto de Sines, em Portugal, é alvo de interesse dos Estados Unidos e da China
© Sputnik / Caroline Ribeiro
Porto de Sines, em Portugal, é alvo de interesse dos Estados Unidos e da China

De acordo com ele, essa é uma questão que já está tendo muita ponderação na UE: até que ponto o dinheiro pode comprar tudo? Apesar de reconhecer que Portugal é um país pequeno, Duarte avalia que o país tem um peso diplomático enorme, não só por ter encerrado recentemente o mandato rotativo da presidência do Conselho da UE, mas também por ter um português (António Guterres) como secretário-geral da ONU.

Segundo o investigador, esse peso pende mais para o lado norte-americano da balança, da qual Portugal é fiel. Mas a fidelidade tem o seu preço e pode ter também os dias (ou anos) contados.

"Portugal não coloca a relação com a China à frente da relação com os Estados Unidos. Se houver dois competidores, um americano e um chinês, não há dúvidas de que Portugal vai privilegiar um americano", conclui.

Depósitos em bancos da China atingem US$ 1 trilhão, diz mídia

 Sputnik Brasil

20:13 25 Junho 2021
COVID-19 no mundo
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Ásia e Oceania

De acordo com dados referidos pela agência norte-americana Bloomberg, o país asiático conseguiu atingir um valor recorde de depósitos bancários em meio a uma economia resiliente à crise pandêmica mundial.

Os depósitos em moeda estrangeira mantidos por bancos chineses aumentaram em mais de US$ 250 bilhões (R$ 1,24 trilhão) em um ano até maio de 2021, ultrapassando pela primeira vez US$ 1 trilhão (R$ 4,95 trilhões) e dando maior liberdade para que o capital flua para fora do país, escreveu na quinta-feira (24) a agência norte-americana Bloomberg.

Tal fato se deve à maior demanda de produtos chineses em meio à pandemia da COVID-19, que aumentou os lucros dos exportadores, ao mesmo tempo que uma economia resiliente e a valorização da moeda levaram os investidores a vender dólares por yuans para comprar ações e títulos chineses.

Da mesma forma, os credores comerciais chineses registraram um recorde de US$ 1,38 trilhão (R$ 6,84 trilhões) em moeda estrangeira até o final de maio, a maior parte deles mantidos em depósitos, segundo dados do Banco Popular da China, o banco central do país, que também alcançou as maiores reservas nos últimos cinco anos. Os bancos usaram o volume acumulado principalmente para empréstimos no país e no exterior.

"A forte entrada de capital proporciona uma boa janela para a China realizar reformas na conta de capital e relaxar os fluxos de capital nos dois sentidos", disse à mídia Linan Liu, uma macroestrategista do banco Deutsche Bank em Hong Kong, China.

"Espero um maior relaxamento das saídas de capital através de esquemas de investimento", previu.

As entradas de capital já fizeram cair para mínimos históricos as taxas de depósitos do dólar dos EUA na China. Ao mesmo tempo, o Banco Popular da China está tomando medidas para reduzir a liquidez do dólar, afrouxando o controle sobre o capital, entre outras medidas.

Segundo George Magnus, um pesquisador associado do Centro da China da Universidade de Oxford, Reino Unido, alguns funcionários "podem ver a liquidez da moeda como uma fonte de orgulho para a China, e alguns podem se preocupar que a ascensão seja inconstante".

Na sua opinião, "está bem quando os fluxos estão entrando, mas é um grande problema para a estabilidade financeira quando eles tentam ir em outra direção", e acredita que o aumento dos depósitos em dólares é "aleatório e provavelmente temporário", e diminuirá à medida que outros países se recuperarem da crise do coronavírus.

Bolsonarismo: derrotado ou vitorioso nas eleições municipais?

 COVID-19

Casos confirmados no mundo: 53.999.543

Pacientes recuperados: 34.787.307

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© REUTERS / Ricardo Moraes

Análise

22:56 15.11.2020(atualizado 23:00 15.11.2020)


As eleições municipais não apontam uma vitória do bolsonarismo nas urnas, embora, ao mesmo tempo, não seja possível dizer que ele sai enfraquecido, disse especialista à Sputnik Brasil. 

No sábado (14), o presidente Jair Bolsonaro publicou em suas redes sociais os nomes de alguns candidatos que apoiava nas eleições realizadas neste domingo (15). Um dia depois, porém, ele apagou o post. 

Ele citou os nomes de Celso Russomanno (Republicanos), que disputa a prefeitura de São Paulo; do atual prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos); Delegada Patrícia (Podemos), em Recife; Bruno Engler (PRTB), em Belo Horizonte; Coronel Menezes (Patriota), em Manaus; e Capitão Wagner (Pros), em Fortaleza. 

Destes, apenas Crivella e Capitão Wagner foram para o segundo turno. No Rio, com cerca de 30% das urnas apuradas, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) tem 37% dos votos e o atual alcaide, 21%. Em Fortaleza, com quase 100% da apuração completada, Sarto (PDT) tem 36% dos votos, enquanto Capitão Wagner surge com 33%. 

'Vai muito mal' no Sudeste

Segundo ​Carlos Sávio Gomes Teixeira, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF), "sem dúvida essas eleições municipais não apontam uma vitória do bolsonarismo". 

"Nas três principais capitais da região Sudeste, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, onde está está concentrado a maioria do eleitorado, o bolsonarismo vai muito mal. Em São Paulo o Russomanno teve um desempenho pífio, embora isso não possa ser colocado totalmente na conta do Bolsonaro, pois o candidato já teve resultados pífios outras vezes. Mas, dessa vez, se esperava que fosse para o segundo turno. No Rio, o Crivella, com apoio da máquina, do Bolsonaro e da Universal, conseguirá ir ao segundo turno, mas apontando uma derrota fragorosa para o Paes no segundo. Em Belo Horizonte, o atual prefeito, Alexandre Kalil [PDS], opositor de Bolsonaro, teve uma vitória avassaladora", disse o especialista. 

Em São Paulo, com 37% de urnas apuradas, o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), tem 33%; Guilherme Boulos (Psol) aparece com 20%; Márcio França (PSB) surge com 14%; e Russomanno é apenas o quarto, com 10%. Em Belo Horizonte, com cerca de 85% dos votos apurados, Kalil tem 63% e Engler, 10%. 

Celso Russomanno

© Folhapress / Adriano Vizoni

 

Apoiado por Bolsonaro, Celso Russomanno (Republicanos) aparecia na liderança nas primeiras pesquisas. Pouco a pouco, foi perdendo terreno. Ele ficou com cerca de 10% dos votos em São Paulo

Eleições municipais x presidenciais

Por outro lado, Sávio afirma que, pelas características do pleito municipal, é difícil afirmar que o bolsonarismo sai realmente enfraquecido. 

"O bolsonarismo não sai fortalecido das eleições, mas ele sai derrotado? Nesse ponto entra a questão da discussão da relação entre as eleições municipais e presidenciais. É óbvio que há uma relação, as municipais acontecem no meio do mandato presidencial, mas, essa relação precisa ser qualificada, para entendermos a sutileza desse relacionamento", disse o cientista político.

Para exemplificar, ele cita o exemplo de Niterói, onde, com 56% dos votos apurados, Axel Grael (PDT) tem 61% e vencerá no primeiro turno. 

"Bolsonaro tinha 33% de bom e ótimo na última pesquisa em Niterói. No entanto, o candidato a prefeito do PDT, de oposição ao presidente, vencerá no primeiro turno. Como se explica isso? Em boa medida, parte do eleitorado que avalia bem o Bolsonaro na cidade, também avalia bem o governo local [o atual prefeito é Rodrigo Neves, do PDT], a despeito da completa disparidade ideológica entre os dois, e faz uma certa separação entre eleição municipal e nacional", disse o especialista. 

'Não é possível falar em derrota de Bolsonaro'

O cientista político Paulo Baía, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), concorda que as eleições municipais têm características próprias e são "movidas pelas pautas das cidades". Segundo ele, não é possível falar em "derrota de Bolsonaro". 

"Ele não entrou nas campanhas, teve o nome usado por poucos candidatos. Efetivamente, ele apoiou o Crivella e o Russomanno, que tem uma tradição de subir e cair. Agora, no Rio, a presença do presidente ajudou o Crivella, que foi melhor do que se esperava. Esperava-se em torno de 15% dos votos para ele, e Crivella teve cerca de 20%. Credito ao Bolsonaro essa agregação de dois ou três por cento", disse o especialista à Sputnik Brasil. 

Para Baía, "o presidente não quis se expor em uma eleição que ele sabe que não é nacionalizada em nenhuma capital, e não foi em nenhuma das 95 cidades com mais de 200 mil habitantes". 

'Dissipação da direita'

Já para o sociólogo Marcelo Seráfico, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o "bolsonarismo parece sair enfraquecido na maioria das cidades de médio e grande porte", mas é "preciso saber o que se passa nas pequenas cidades para ver o impacto geral desse enfraquecimento". 

Segundo ele, "houve uma ampliação do leque de candidatos que buscou se identificar com algumas bandeiras do bolsonarismo, assumindo-se ou não bolsonaristas", o que, "combinado às condições conjunturais de cada cidade, levou a uma espécie de dissipação do eleitorado de direita".

"Ocorreu na direita uma diversificação, multiplicação, que não se verifica na esquerda nem no centro. Novos partidos, reivindicando pautas bolsonaristas, mas cujos lastros, muito frequentemente, estão em velhos partidos. Talvez isso tenha levado os eleitores a escolher a tradição, o conhecido, atenuando os efeitos do oportunismo eleitoral de vários candidatos", disse à Sputnik Brasil.