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E SE O PRESIDENTE DO BRASIL FOSSE FERNANDO HENRIQUE? TERÍAMOS ESSES PROTESTOS?
Numa resposta curta e objetiva, afirmo com toda a certeza, que não!!!
Esses protestos ocorrem de fora para dentro e não acontecem somente no Brasil. Acontecem em todos os países onde os políticos, que gostam de seu povo, tentam fazer algo por ele. Acontecem na Venezuela, na Argentina, na Bolívia, Equador, Síria, enfim, em qualquer lugar do mundo onde os interesses econômicos dos grandes grupos internacionais estão ameaçados.
Todos sabemos que o futebol sempre foi o ópio do povo, afastando a atenção deste, de seus problemas reais, que são o desemprego, a fome ou sub-nutrição, a falta de saúde, de educação, de salário dígno, etc., etc.
Mas, isso sempre foi assim durante séculos e séculos, mesmo antes do famoso circo de Roma, onde por ainda não existir futebol, se distraía o povo com lutas de gladiadores, corridas e encenações, onde a coragem, a honra e a força eram virtudes admiradas pelos romanos, enfim, era a política do Pão e do Circo.
Mas sendo o futebol um esporte tão popular, devido à sua prática ser possível a baixo custo, pois basta um par de meias velhas enchido de pano para as pessoas correrem atrás, se divertirem e esquecerem seus problemas reais
é que o futebol veio substituir aquela política dos Césares de Roma, pois pão e circo em nossos dias não distraem ninguém, devido seu alto preço! Para os Césares de hoje, a bola, agora de couro e colorida fica mais barata e ainda lhes dá lucro, pois lota hotéis, aviões, ônibus, etc., e ainda sobra um pouquinho para o povão assalariado, que vibra nas ruas com a vitória do Brasil! Sem falar no comércio, que fatura com a venda de camisetas, bandeirinhas, botons, etc., etc.. para o povo comemorar nas ruas a vitória de "seu país".
Sempre foi assim em todas as copas do mundo! É verdade que gastar tanto dinheiro na construção de estádios, principalmente num país onde a saúde e o ensino sempre foram tão desprezados, é um absurdo, se não um crime!!!
Acontece porém, que não foi o governo de Dilma que assinou a autorização para a realização da copa de 2014 no Brasil. Mas, pelo contrário, foi Dilma, que pediu ao Congresso Nacional e não foi atendida, a maior verba para a educação em todos os tempos no Brasil, ou seja 100% dos royalties do petroleo do pré-sal, que iria colocar todas as crianças em tempo integral nas escolas do Brasil.
E por quê estes movimentos, que hoje tanto enfatizam a saúde e a educação em seus protestos, naquela altura não foram para as ruas protestar contra o Congresso Nacional, que vetou este projeto da Presidente!!!
A verdade simples e direta é que estes movimentos, inspirados por governos e grupos privados estrangeiros com grande respaldo do grande capital nacional e parte da classe média, não toleram o atual governo brasileiro, simplesmente por este estar seguindo uma linha nacionalista e tentando governar para o povo. Ao contrário do governo Fernando Henrique, que além de entregar nossas rentosas estatais ao capital estrangeiro ainda deixou uma dívida externa de mais de 120 bilhões de dólares, que acabou sendo paga pelo governo Lula com o suor de todos os brasileiros.
Portanto, os violentos protestos contra a copa do mundo no Brasil não partem da classe trabalhadora brasileira, que em verdade está mais preocupada é com o sustento de sua família e sem tempo para essas manifestações de rua provocadas por pessoas bem vestidas e nutridas!
Por quê não protestam contra essas corridas de fórmula 1, que além da poluição ambiental que provocam, com excessivo consumo de combustível ainda incentivam os jovens à alta velocidade e suas graves consequências nas estradas?
Por quê não protestam contra o carnaval que deixa o país parado por mais de uma semana, sem nenhum recompensa para o povo?
Por quê não reclamam da remessa de lucros para o exterior, que com certeza é muito mais prejudicial à Economia Nacional que os gastos com a copa?
Enfim, a copa representa um perigo para estes Césares de nosso tempo, pois se o Brasil for campeão do mundo, fica bem mais difícil impedir a vitória da Presidente Dilma.
Com a derrota da seleção canarinha e com os sucessivos aumentos dos alimentos e outros produtos domésticos, provocados pelas classes produtoras até 05 de outubro, a tarefa fica mais facilitada para esta gente, que nasce aqui, vive aqui, mas tem o coração bem longe daqui e não tolera um país do presente, um país desenvolvido e para todos! Para eles o Brasil tem que ser sempre o país do futuro!!! Os estádios estão lotados deste tipo de gente, pois o povo em sua grande maioria não teve acesso aos mesmos, devido ao alto preço dos bilhetes. Daí as vaias contra a Presidente, com grande ressonância na mídia "brasileira" e internacional. Mas, resta o consolo de que este ópio, sempre tão usado contra este bom e domesticado povo brasileiro, o futebol, num dia bem próximo possa ajudar a libertá-lo!!!
JPL
OS SEGREDOS DA COZINHEIRA
Purê de feijão preto
Ingredientes1 kg de feijão preto
2 colheres de sopa de alho picado
2 cebolas médias picadas
2 folhas de louro
½ maço de cebolinha
50 ml de óleo de soja
100 gr de bacon
Sal
Pimenta do reino
Modo de preparo
Cozinhe o feijão com água e a folha de louro. Frite o bacon no óleo, adicione o alho e cebola. Refogue junto o feijão já cozido com pouco caldo. Tempere com sal, pimenta a gosto. Bata tudo no liquidificador. Acrescente a cebolinha com o purê já pronto.
Cozinhe o feijão com água e a folha de louro. Frite o bacon no óleo, adicione o alho e cebola. Refogue junto o feijão já cozido com pouco caldo. Tempere com sal, pimenta a gosto. Bata tudo no liquidificador. Acrescente a cebolinha com o purê já pronto.
Sugestão do chef Waldomiro, da rede Estanplaza de Hotéis.
Ibero-América
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
A Ibero-América é uma região geográfica que compreende os três países da Península Ibérica (Portugal, Espanha e Andorra) e os da América Latina hispanófona e lusófona por afinidade histórica, cultural e linguística.
O termo Ibero-América é formado a partir das palavras Ibéria e América e utiliza-se para designar o grupo de países formado por Espanha, Portugal e as nações americanas independentes que foram antigas colónias destes países. O gentílico é ibero-americano ou ibero-americana.
As nações ibero-americanas integram a Comunidade Ibero-Americana de Nações que anualmente realiza uma Conferência Ibero-Americana em que comparecem os chefes de estado e de governo dos países ibero-americanos. Na mesma integrou-se Andorra e existe o projecto de incorporar outras nações africanas e asiáticas que foram colónias portuguesas ou espanholas.
Não deve confundir-se este termo com os conceitos de América latina e Hispano-América, devido a estes termos serem exclusivamente referidos a países americanos, excluindo os países ibéricos.
Geografia
Apesar de um pequeno território do sul de França e a colónia britânica de Gibraltar estarem geograficamente na Península Ibérica, nem a França, nem Gibraltar fazem parte da Ibero-América. A quase totalidade do estado francês está fora da península, excetuando a comarca da Alta Sardanha e além disso, este país faz parte do mundo francófono com as suas antigas colónias na América: Haiti e Canadá (Quebec e Acádia), e na África, Ásia e Oceania. No mapa é possível melhor visão e melhor entendimento.
OS PRIMEIROS HABITANTES DO CONTINENTE AMERICANO
O POVOAMENTO DO CONTINENTE AMERICANO
POR THIAGO FARIAS
O povoamento do continente americano é um enigma a ser decifrado
para a compreensão da evolução de nossa espécie, chamada pelos
cientistas de Homo sapiens. Ao deixar a África, onde surgiu
aproximadamente entre 200 mil e 100 mil anos, o homem primitivo deu
início à sua dispersão territorial e colonizou novos continentes,
adaptando-se a novas regiões de clima e recursos naturais variados. Num
movimento cuja direção levou ao estreito de Bering, a porta de entrada
das Américas, nossos ancestrais deixaram vestígios nos lugares por onde
passaram e fixaram residência. Esses locais, conhecidos como sítios
arqueológicos foram encontrados em maior número na Europa, Ásia e
Oceania do que na América do Norte, Central e do Sul que também são mais
recentes. Essa lacuna na história do desenvolvimento humano há muito
tempo mobiliza arqueólogos, lingüistas, antropólogos físicos e sociais,
biólogos e geólogos, que procuram conhecer a origem, as características e
quando e como chegou à América a nossa espécie.
"Hoje, as perguntas que estão sendo feitas sobre o povoamento da América são: de onde vieram os primeiros colonizadores? Que rota seguiram? A migração foi contínua ou interrompida por lapsos de tempo? Quando ocorreu essa migração, ou quando ocorreram essas migrações?", explica Francisco Salzano, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), empenhado em desvendar as origens do homem americano por meio da análise genética de grupos indígenas. Para ele, existe o consenso entre os cientistas de que não existiram populações originadas no continente, pois aqui ainda não foram encontrados vestígios muito antigos de fósseis humanos. Além disso, a hipótese mais aceita é a de que a rota de entrada no continente passou pelo estreito de Bering. "Mesmo com relação a este último ponto, no entanto, há vozes discordantes. As discussões quanto à região original de migração envolvem ou a Mongólia ou a Sibéria, numa ou mais rotas de migração, que podem ter sido terrestres, interiores, costeiras ou marítimas", diz Salzano.
Um dos debates mais intensos sobre o surgimento do homem americano diz respeito ao tempo de sua chegada ao continente. Até meados do século passado, os achados arqueológicos que ofereciam dados mais antigos sobre a presença humana nas Américas derivavam de materiais encontrados no Novo México, EUA. Trata-se da cultura Clóvis, assim batizada com o mesmo nome do sítio arqueológico em que foram encontrados artefatos produzidos por pessoas que habitaram a região entre 10.500 e 11.400 anos atrás. Esse grupo era formado por caçadores de grandes animais, tais como mamutes e mastodontes, que eram abatidos por pontas de pedra lascada bastante afiadas, cuja técnica de produção permitia que fossem colocadas na ponta de um cabo.
"Hoje, as perguntas que estão sendo feitas sobre o povoamento da América são: de onde vieram os primeiros colonizadores? Que rota seguiram? A migração foi contínua ou interrompida por lapsos de tempo? Quando ocorreu essa migração, ou quando ocorreram essas migrações?", explica Francisco Salzano, pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), empenhado em desvendar as origens do homem americano por meio da análise genética de grupos indígenas. Para ele, existe o consenso entre os cientistas de que não existiram populações originadas no continente, pois aqui ainda não foram encontrados vestígios muito antigos de fósseis humanos. Além disso, a hipótese mais aceita é a de que a rota de entrada no continente passou pelo estreito de Bering. "Mesmo com relação a este último ponto, no entanto, há vozes discordantes. As discussões quanto à região original de migração envolvem ou a Mongólia ou a Sibéria, numa ou mais rotas de migração, que podem ter sido terrestres, interiores, costeiras ou marítimas", diz Salzano.
Um dos debates mais intensos sobre o surgimento do homem americano diz respeito ao tempo de sua chegada ao continente. Até meados do século passado, os achados arqueológicos que ofereciam dados mais antigos sobre a presença humana nas Américas derivavam de materiais encontrados no Novo México, EUA. Trata-se da cultura Clóvis, assim batizada com o mesmo nome do sítio arqueológico em que foram encontrados artefatos produzidos por pessoas que habitaram a região entre 10.500 e 11.400 anos atrás. Esse grupo era formado por caçadores de grandes animais, tais como mamutes e mastodontes, que eram abatidos por pontas de pedra lascada bastante afiadas, cuja técnica de produção permitia que fossem colocadas na ponta de um cabo.
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| PONTA DE FLEXA TIPO CLÓVIS |
Esses achados permitiram a construção do modelo teórico chamado
"Clóvis-Primeiro", segundo o qual uma única leva de pessoas adentrou a
América aproximadamente há 12 mil anos. Esse período correspondia a uma
era geológica, o final do período Pleistoceno, em que, entre o Alasca e o
estreito de Bering, formou-se um corredor de terra chamado Beríngia,
graças ao rebaixamento do nível do mar, numa era glacial em que a água
era retida em grande volume na forma de gelo. Além desse fato geológico,
a teoria foi corroborada por outras descobertas em sítios arqueológicos
nos Estados Unidos, onde os artefatos de pedra lascada encontrados eram
bastante semelhantes aos da cultura Clóvis. Desse modo, passou-se a
acreditar que dessa cultura descendiam os demais grupos humanos
espalhados pelo continente, idéia defendida ferrenhamente pelos
pesquisadores norte-americanos, que olham com ceticismo a produção
científica sul-americana.
Mas a teoria de que a cultura Clóvis era a primeira e mais antiga da América, aos poucos, foi perdendo espaço diante das novas descobertas arqueológicas que atestaram uma presença humana mais remota em algumas regiões fora da América do Norte, tornando mais acirradas as discussões sobre a origem do homem em nosso continente. No final dos anos 90, trabalhos publicados por cientistas norte-americanos sobre escavações realizadas na América do Sul indicavam datas de ocupação de períodos contemporâneos aos de Clóvis.
No sítio de Monte Verde explorado pelo arqueólogo Tom Dillehay, ao sul do Chile, foram encontrados vestígios arqueológicos que sugerem uma presença humana há 12.300 anos. Os estudos da pesquisadora Anna Roosevelt sobre Pedra Pintada, sítio localizado na cidade de Monte Alegre, Pará, indicam a ocupação do homem na floresta amazônica por volta de 11.300 anos atrás. Os resultados obtidos nesse local levaram a pesquisadora a apresentar um outro modelo teórico de explicação da ocupação da América, o qual foi chamado de "Clóvis em contexto". Segundo esse modelo, a cultura Clóvis não era a mais antiga ocupação no continente da qual derivam todas as demais populações americanas.

Achados em outros sítios arqueológicos espalhados pela América do Sul reforçam a teoria de uma ocupação pré-Clóvis do continente, no final do período Pleistoceno, anterior a 10 mil anos, e no início do Holoceno, nossa atual era geológica. Em Taima-Taima, sítio venezuelano, há indícios de presença humana que remontam a 15 mil anos. Na Argentina, nos sítios de Piedra Museo e Los Toldos, existem vestígios humanos de aproximadamente 13 mil anos. Os sítios de Tibitó, Colômbia, e os de Quebrada Jaguay e Pachamachay, no Peru, possuem datações antigas de até 11.800 anos. No Brasil, em Lapa do Boquête, Vale do Peruaçu, e em Lapa Vermelha e Santana do Riacho, Lagoa Santa, todos estes em Minas Gerais, e no Boqueirão da Pedra Furada, São Raimundo Nonato, Piauí, foram encontradas evidências remotas, anteriores a 10 mil anos.
Atualmente, reivindica-se ao sítio arqueológico do Boqueirão da Pedra
Furada, os vestígios mais antigos deixados pelo homem nas Américas.
Datações feitas a partir de carvões originados de fogueiras e pedras
lascadas indicam uma ocupação humana que remonta a cerca de 60 mil anos.
Porém, entre os arqueólogos, é discutido se realmente tais vestígios
foram produzidos por homens ou se são resultado de algum tipo de ação
natural. Para a arqueóloga Niéde Guidon, que escava a região desde os
anos 80, não há dúvidas de interpretação a respeito da ação humana nesse
contexto. "Colegas americanos da Texas A & M University, EUA,
analisaram as peças líticas e, como nós, as consideram indubitavelmente
feitas pelo homem. Para rebater a idéia de que o carvão podia vir de
incêndios naturais, fizemos sondagens em todo o vale da Pedra Furada e o
carvão somente existe dentro do sítio. Incêndios naturais deixam carvão
para todos os lados", explica a pesquisadora.
Para Niéde Guidon, a partir dos vestígios do sítio de Pedra Furada, considerando dados da paleoclimatologia, da paleoparasitologia e da genética, seria possível propor uma teoria sobre a ocupação da América por grupos humanos diferentes, vindo de diferentes regiões, em diferentes épocas, ao longo dos últimos 100 mil anos. Mas, como ressalta a pesquisadora, sua proposta não é a de desvendar as origens do homem americano, mas sim descrever a história do homem na região do sudeste do Piauí.
"Todos partem do pressuposto de que estamos estudando a origem do homem americano. Nosso programa de pesquisa é outro. Iniciei as pesquisas partindo da hipótese de que, tratando-se de uma região de fronteira entre duas grandes formações brasileiras, o escudo pré-cambriano da depressão periférica do São Francisco e a bacia sedimentar Maranhão Piauí do período devoniano-permiano, haveria uma profusão de ecossistemas diferentes, o que aumentaria a quantidade e diversidade dos produtos naturais disponíveis. Esse fato poderia ser o gerador de condições favoráveis para o desenvolvimento de culturas diferentes e, principalmente, de grandes culturas nesta região. Estudamos também todo o processo de evolução climática e da paisagem, desde a chegada do homem até hoje. Essa hipótese se mostrou verdadeira e até hoje estamos descobrindo novos sítios, figuras rupestres que foram comparadas pelos técnicos da Unesco às pinturas das grutas francesas, sendo classificadas como obras primas da humanidade. A quantidade de sítios, de pinturas, gravuras, material lítico e cerâmico demonstra uma presença antiga e contínua. Portanto, se enganam aqueles que pensam que estamos pesquisando para descobrir o mais velho ocupante da América. Se os sítios mais antigos tivessem 9.000 anos continuaríamos com o mesmo programa", diz Guidon.
Achados arqueológicos pré-Clóvis, ou seja, mais antigos que 11.400 anos, também têm ajudado a embaralhar ainda mais outras duas peças do quebra-cabeça sobre a colonização primitiva da América que são: a origem do homem americano e o número de levas migratórias que o trouxeram para o continente. Na década de 80, a explicação mais aceita era fornecida pelo Modelo das Três Migrações, uma combinação de análises dentária, lingüística e de genética clássica. Segundo esse modelo, três populações originárias da Sibéria e do nordeste-asiático - ameríndios, na-denes e esquimós - adentraram respectivamente o território americano há 11 mil, 9 mil e 4 mil anos.
Porém, novos estudos em genética baseados na análise do DNA mitocondrial (mtDNA) e do cromossomo Y de populações indígenas americanas fornecem modelos alternativos sobre os grupos fundadores de novas culturas na América. Os pesquisadores Francisco Salzano (UFRGS) e Sandro Bonatto (PUCRS), baseados em resultados com mtDNA, sugerem uma entrada única no continente, por volta de 16 mil a 20 mil anos atrás. Mas Salzano explica que tais projeções sobre o tempo de presença do homem na América variam conforme a base de referência utilizada para estudos nesse sentido. Citando o exemplo da genética, o pesquisador diz que algumas pesquisas baseadas em análises do cromossomo Y, por exemplo, propõem números diferentes de migrações colonizadoras, uma ou mais, que ocorreram em épocas distintas.
Pesquisas em antropologia física, baseadas no estudo da morfologia craniana, também apresentam modelos distintos de ocupação da América, sugerindo a existência de quatro ondas migratórias ocorridas em períodos diferentes. Em artigo publicado na revista brasileira Scientific American, em agosto deste ano, os pesquisadores Walter Neves e Mark Hubbe, ambos da USP, defendem a idéia de que uma população distinta dos atuais índios americanos adentrou o continente através do estreito de Bering aproximadamente a 15 mil anos. Essa hipótese faz parte da teoria denominada "Modelo dos Dois Componentes Biológicos Principais", segundo a qual houve uma migração não mongolóide, que antecedeu a chegada dos ameríndios, na-denes e esquimós ao continente.
Essa teoria é sustentada pelo antropólogo físico Walter Neves desde meados dos anos oitenta, época em que ele analisou uma série de crânios encontrados no sítio Lapa Vermelha IV, região de Lagoa Santa, Minas Gerais, escavado por franceses e brasileiros sob a liderança da arqueóloga Annete Laming Emperaire, entre os anos de 1974 e 1976. A morfologia desses crânios apresenta traços característicos aos dos aborígines africanos e australianos, que são distintos dos traços característicos de povos com origem asiática, tais como chineses, japoneses e atuais indígenas americanos.
A idéia de que o território americano foi ocupado por populações de componentes biológicos distintos ganhou visibilidade com a publicação, em 1998, de um estudo feito por Neves a partir de um esqueleto encontrado na Lapa Vermelha, considerado um dos mais antigos encontrados na América. Com a idade entre 11 mil e 11.500 anos atrás, esse esqueleto pertencia a uma mulher jovem batizada pelos arqueólogos de Luzia. O estado de conservação de seu crânio permitiu a realização de uma reconstituição facial, cuja aparência revela traços semelhantes aos de africanos e australianos.
A busca continua
Mas a teoria de que a cultura Clóvis era a primeira e mais antiga da América, aos poucos, foi perdendo espaço diante das novas descobertas arqueológicas que atestaram uma presença humana mais remota em algumas regiões fora da América do Norte, tornando mais acirradas as discussões sobre a origem do homem em nosso continente. No final dos anos 90, trabalhos publicados por cientistas norte-americanos sobre escavações realizadas na América do Sul indicavam datas de ocupação de períodos contemporâneos aos de Clóvis.
No sítio de Monte Verde explorado pelo arqueólogo Tom Dillehay, ao sul do Chile, foram encontrados vestígios arqueológicos que sugerem uma presença humana há 12.300 anos. Os estudos da pesquisadora Anna Roosevelt sobre Pedra Pintada, sítio localizado na cidade de Monte Alegre, Pará, indicam a ocupação do homem na floresta amazônica por volta de 11.300 anos atrás. Os resultados obtidos nesse local levaram a pesquisadora a apresentar um outro modelo teórico de explicação da ocupação da América, o qual foi chamado de "Clóvis em contexto". Segundo esse modelo, a cultura Clóvis não era a mais antiga ocupação no continente da qual derivam todas as demais populações americanas.
Achados em outros sítios arqueológicos espalhados pela América do Sul reforçam a teoria de uma ocupação pré-Clóvis do continente, no final do período Pleistoceno, anterior a 10 mil anos, e no início do Holoceno, nossa atual era geológica. Em Taima-Taima, sítio venezuelano, há indícios de presença humana que remontam a 15 mil anos. Na Argentina, nos sítios de Piedra Museo e Los Toldos, existem vestígios humanos de aproximadamente 13 mil anos. Os sítios de Tibitó, Colômbia, e os de Quebrada Jaguay e Pachamachay, no Peru, possuem datações antigas de até 11.800 anos. No Brasil, em Lapa do Boquête, Vale do Peruaçu, e em Lapa Vermelha e Santana do Riacho, Lagoa Santa, todos estes em Minas Gerais, e no Boqueirão da Pedra Furada, São Raimundo Nonato, Piauí, foram encontradas evidências remotas, anteriores a 10 mil anos.
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| Boqueirão da Pedra Furada |
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| Pesquisas no Boqueirão da Pedra Furada |
Para Niéde Guidon, a partir dos vestígios do sítio de Pedra Furada, considerando dados da paleoclimatologia, da paleoparasitologia e da genética, seria possível propor uma teoria sobre a ocupação da América por grupos humanos diferentes, vindo de diferentes regiões, em diferentes épocas, ao longo dos últimos 100 mil anos. Mas, como ressalta a pesquisadora, sua proposta não é a de desvendar as origens do homem americano, mas sim descrever a história do homem na região do sudeste do Piauí.
"Todos partem do pressuposto de que estamos estudando a origem do homem americano. Nosso programa de pesquisa é outro. Iniciei as pesquisas partindo da hipótese de que, tratando-se de uma região de fronteira entre duas grandes formações brasileiras, o escudo pré-cambriano da depressão periférica do São Francisco e a bacia sedimentar Maranhão Piauí do período devoniano-permiano, haveria uma profusão de ecossistemas diferentes, o que aumentaria a quantidade e diversidade dos produtos naturais disponíveis. Esse fato poderia ser o gerador de condições favoráveis para o desenvolvimento de culturas diferentes e, principalmente, de grandes culturas nesta região. Estudamos também todo o processo de evolução climática e da paisagem, desde a chegada do homem até hoje. Essa hipótese se mostrou verdadeira e até hoje estamos descobrindo novos sítios, figuras rupestres que foram comparadas pelos técnicos da Unesco às pinturas das grutas francesas, sendo classificadas como obras primas da humanidade. A quantidade de sítios, de pinturas, gravuras, material lítico e cerâmico demonstra uma presença antiga e contínua. Portanto, se enganam aqueles que pensam que estamos pesquisando para descobrir o mais velho ocupante da América. Se os sítios mais antigos tivessem 9.000 anos continuaríamos com o mesmo programa", diz Guidon.
Achados arqueológicos pré-Clóvis, ou seja, mais antigos que 11.400 anos, também têm ajudado a embaralhar ainda mais outras duas peças do quebra-cabeça sobre a colonização primitiva da América que são: a origem do homem americano e o número de levas migratórias que o trouxeram para o continente. Na década de 80, a explicação mais aceita era fornecida pelo Modelo das Três Migrações, uma combinação de análises dentária, lingüística e de genética clássica. Segundo esse modelo, três populações originárias da Sibéria e do nordeste-asiático - ameríndios, na-denes e esquimós - adentraram respectivamente o território americano há 11 mil, 9 mil e 4 mil anos.
Porém, novos estudos em genética baseados na análise do DNA mitocondrial (mtDNA) e do cromossomo Y de populações indígenas americanas fornecem modelos alternativos sobre os grupos fundadores de novas culturas na América. Os pesquisadores Francisco Salzano (UFRGS) e Sandro Bonatto (PUCRS), baseados em resultados com mtDNA, sugerem uma entrada única no continente, por volta de 16 mil a 20 mil anos atrás. Mas Salzano explica que tais projeções sobre o tempo de presença do homem na América variam conforme a base de referência utilizada para estudos nesse sentido. Citando o exemplo da genética, o pesquisador diz que algumas pesquisas baseadas em análises do cromossomo Y, por exemplo, propõem números diferentes de migrações colonizadoras, uma ou mais, que ocorreram em épocas distintas.
Pesquisas em antropologia física, baseadas no estudo da morfologia craniana, também apresentam modelos distintos de ocupação da América, sugerindo a existência de quatro ondas migratórias ocorridas em períodos diferentes. Em artigo publicado na revista brasileira Scientific American, em agosto deste ano, os pesquisadores Walter Neves e Mark Hubbe, ambos da USP, defendem a idéia de que uma população distinta dos atuais índios americanos adentrou o continente através do estreito de Bering aproximadamente a 15 mil anos. Essa hipótese faz parte da teoria denominada "Modelo dos Dois Componentes Biológicos Principais", segundo a qual houve uma migração não mongolóide, que antecedeu a chegada dos ameríndios, na-denes e esquimós ao continente.
Essa teoria é sustentada pelo antropólogo físico Walter Neves desde meados dos anos oitenta, época em que ele analisou uma série de crânios encontrados no sítio Lapa Vermelha IV, região de Lagoa Santa, Minas Gerais, escavado por franceses e brasileiros sob a liderança da arqueóloga Annete Laming Emperaire, entre os anos de 1974 e 1976. A morfologia desses crânios apresenta traços característicos aos dos aborígines africanos e australianos, que são distintos dos traços característicos de povos com origem asiática, tais como chineses, japoneses e atuais indígenas americanos.
| ARQUEÓLOGA ANNETE LAMING |
A idéia de que o território americano foi ocupado por populações de componentes biológicos distintos ganhou visibilidade com a publicação, em 1998, de um estudo feito por Neves a partir de um esqueleto encontrado na Lapa Vermelha, considerado um dos mais antigos encontrados na América. Com a idade entre 11 mil e 11.500 anos atrás, esse esqueleto pertencia a uma mulher jovem batizada pelos arqueólogos de Luzia. O estado de conservação de seu crânio permitiu a realização de uma reconstituição facial, cuja aparência revela traços semelhantes aos de africanos e australianos.
A busca continua
A origem primitiva do homem americano permanece um mistério para a
ciência. Os pesquisadores que procuram desvendá-la, dispõem de escassas
evidências e utilizam diferentes bases de referência metodológica
(lingüística, arqueológica, antropológica, genética etc), que são
difíceis de serem encaixadas num mesmo modelo teórico. De certa forma,
as discussões giram em torno de quem possui os dados mais precisos e
mais antigos sobre a presença humana em nosso continente. Além disso, os
embates científicos parecem estar polarizados pelas velhas teorias de
colonização e os novos vestígios arqueológicos encontrados na América do
Sul.
Para Niéde Guidon, as teorias sobre a ocupação da América dos anos 50
eram baseadas na falta de dados. "Os dados foram surgindo, mas muitos
ficaram aferrados a uma teoria sem bases. Os conhecimentos sobre a
pré-história da Europa, da África, mudaram e muito. A cada ano temos
novos recuos para o aparecimento do gênero Homo, para as relações
genéticas entre Homo e os outros grandes primatas africanos. Somente a
teoria americana sobre o povoamento da América não pode ser tocada. Em
alguns artigos recentes, a submissão é tal que somente o que é feito
pelos americanos pode ser considerado", comenta a arqueóloga.
O arqueólogo André Prous (UFMG), que participou da missão
franco-brasileira para a escavação do sítio de Lapa Vermelha IV, onde
foi encontrada a Luzia, acrescenta que a determinação de um período para
a ocupação do homem na América depende da descoberta de sítios
arqueológicos devidamente escavados e interpretados. Diz ele, "o dia em
que tivermos sítios, se é que eles irão aparecer, mais antigos e em boas
condições, já com vestígios inquestionáveis, com estratigrafias claras e
datações precisas, teremos dados mais seguros sobre uma presença
bastante primitiva do homem em determinada região. Para isso, é preciso
multiplicar os números de pesquisas, procurar supostos sítios
pleistocênicos com vestígios preservados etc. Teríamos que ter uma
multiplicidade de estudos arqueológicos a esse respeito, pois as
pesquisas acadêmicas sobre o tema são raras. Além disso, no final,
devemos contar com boa dose de sorte para achar esses locais".
Matéria em construção...
| Niéde Guidon |
| André Prous |
Matéria em construção...
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