Pandemia agravou insegurança alimentar e Brasil pode voltar ao Mapa da Fome, dizem economistas

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Economia

Nesta sexta-feira (16) é celebrado o Dia Mundial da Alimentação. A data foi estabelecida em 1945 com o objetivo de obter conscientização sobre a importância da alimentação saudável e do combate à fome.

A fome no Brasil chegou a 10,3 milhões de pessoas, sendo 7,7 milhões de moradores na área urbana e 2,6 milhões na rural, segundo dados divulgados em setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a primeira parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), a insegurança alimentar grave, condição na qual as pessoas relatam passar fome, atingiu 4,6% dos domicílios brasileiros, o equivalente a 3,1 milhões de lares. A fome aumentou 43,7% em cinco anos.

No entanto, o índice foi feito com base em informações colhidas entre junho de 2017 e julho de 2018 em quase 58 mil domicílios de todas as regiões do país.

A pesquisa mostra que a insegurança alimentar grave havia recuado de 8,2% da população em 2004 para 5,8% em 2009. Em 2013, a proporção havia cedido para 3,6%.

A melhora registrada ao longo de uma década tirou o Brasil do Mapa Mundial da Fome em 2014, segundo relatório global divulgado à época pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil mostraram preocupação com os números e disseram que o país voltou aos dados registrados anteriormente a 2004.

Segundo o economista Walter Belik, especialista em Segurança Alimentar e professor do Núcleo de Economia Agrícola e Ambiental do Instituto de Economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), como os dados foram coletados antes da pandemia, a situação deve ter se agravado ainda mais este ano.
"Essa é uma situação complicada porque o Brasil tinha saído do Mapa da Fome em 2014 em função de todas as políticas que foram aplicadas ao longo da década. Com a pandemia, a situação deve ter se agravado", afirmou.
Renato Maluf, economista e professor do Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), lembrou que a crise econômica brasileira recente contribuiu para a volta da fome.

"A continuidade e o aprofundamento da recessão que começou em 2015 e se agravou em 2016 trouxeram consigo o desemprego e a miséria", disse.

Belik também atribuiu o aumento da inflação no preço dos alimentos como um dos fatores que contribuem para o aumento da fome no país.

"Os efeitos da fome, os efeitos da carestia deverão se prolongar, mesmo porque estamos voltando a ter determinados problemas que nós pensávamos que estavam superados, por exemplo, o aumento do preço dos alimentos. Muitos alimentos, como o arroz e o feijão, que são a base da alimentação do brasileiro, subiram de uma forma excessiva nos últimos meses, e isso também impacta nas questões de fome", declarou.

Maluf calcula que se o índice do IBGE fosse calculado em 2020, provavelmente o Brasil teria voltado oficialmente para o Mapa da Fome.

"O patamar para constar no mapa da fome da FAO são 5% ou mais da população. Com esse percentual a fome é considerada endêmica. Como os dados de 2018 já levam o país para muito próximo dos 5%, nós temos todas as razões para acreditar que um indicador mais atualizado para 2020, que captasse os impactos da pandemia, certamente colocaria o Brasil novamente no Mapa da Fome", completou.

 

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