Papa Francisco recebe em audiência presidente da Argentina

Santo Padre e presidente da Argentina
Alberto Fernández e o Papa Francisco

 O mandatário argentino também encontrou o secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, e o secretário para as Relações com os Estados, Dom Paul Richard Gallagher.

Vatican News

O Papa Francisco recebeu em audiência na manhã desta quinta-feira, 13, no Vaticano, o presidente da República da Argentina, sr. Alberto Fernández, que posteriormente encontrou o cardeal secretário de Estado Pietro Parolin, acompanhado pelo secretário para as Relações com os Estados, arcebispo Paul Richard Gallagher.

Durante os cordiais colóquios com os superiores da Secretaria de Estado – diz a nota da Sala de Imprensa da Santa Sé - foi manifestado o apreço pelas boas relações bilaterais existentes e a intenção de aprofundar a colaboração em setores de mútuo interesse.

Ademais, falou-se sobre a situação do país sul-americano, com particular referência a alguns problemas como a gestão da emergência pandêmica, a crise econômico-financeira e a luta contra a pobreza, sendo destacado neste contexto, o significativo contributo que a Igreja Católica tem oferecido e continua a assegurar. Por fim, foram tratados temas de caráter regional e internacional.

Além de textos sobre a paz e outros documentos, o Santo Padre presenteou o mandatário argentino com um mosaico representando o homem e a mulher que respondem ao convite do Senhor em Gênesis (Gn 2,15) e cultivam a terra, assumindo seu cuidado. Ao lado do mosaico, acompanha a inscrição: “Que o fruto da terra e do trabalho do homem se tornem para nós alimento da vida eterna”.

O presidente Alberto Fernández, por sua vez, presenteou o Pontífice com uma estola, uma estátua de São José com Jesus nos braços, algumas hóstias e mel produzidos por cooperativas na Argentina.

13 de maio e o oferecimento ensinado pela Virgem Maria

 Que Deus conforte os corações de todos os familiares que neste momento estão sofrendo com a violência contra suas crianças no Brasil e no mundo, principalmente as de Kazan. São os votos deste Blog neste 13 de maio de 2021.

quinta-feira, 12 de maio de 2016, 15h15

O oferecimento que agrada a Deus ensinado pela Virgem Maria

A Virgem Maria foi enviada por Deus para visitar a humanidade a treze de maio de 1917, na Cova da Iria, em Fátima, Portugal, trazendo-nos uma mensagem de esperança e um convite à conversão através de uma vida de oração assídua e de penitência.

Passaram-se noventa e nove anos, porém a mensagem que Ela nos trouxe continua atual e ajuda-nos a vivenciar as palavras de Jesus: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no evangelho.” (Mc 1, 15) Com o seu amor materno, a Virgem Santíssima preocupa-se com a nossa salvação e interpela-nos a vivermos uma vida ofertada e centrada no amor de seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Cristo no centro

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Pastorinhos de Fátima: Lúcia, Francisco e Jacinta (Foto:pastorinhos.com)

No dia treze de maio de 1917, na aparição aos pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta, Nossa Senhora falou: “Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?”(Memórias da Ir. Lúcia)

É importante salientar nas palavras da Virgem Maria o seu empenho em conduzir-nos a uma centralidade em Deus, quando diz: “quereis oferecer-vos a Deus”…
Ela interpela-nos a uma vida ofertada, seguindo o exemplo de Jesus Cristo que na sua infinita misericórdia deu a Sua vida pela salvação da humanidade. Unindo-nos a Jesus e ofertando a nossa vida livremente ao Pai por seu intermédio, colaboramos e vivenciamos com Ele a sua grande Paixão: A SALVAÇÃO DAS ALMAS.

A Virgem Maria prometeu aos pastorinhos que a graça de Deus seria o conforto deles mediante os sofrimentos que viriam diante do “sim” que eles deram. E assim Ela vela por cada um de nós concedendo-nos as graças necessárias especialmente nos momentos cruciais em que vivemos.

A Santíssima Virgem em Fátima veio despertar-nos do comodismo que muitas vezes nos paralisa e tira a nossa visão espiritual. Com Ela aprendemos que não podemos perder tempo, que devemos nos empenhar assiduamente na nossa própria conversão, pois, somente assim, trabalharemos pela conversão dos pecadores que Ela tanto pediu.

Reparar é amar

Com a Virgem Maria aprendemos que reparar é amar e que é justamente o amor a Deus que dá sentido aos atos de reparação que fazemos. Para viver cada oferta reparadora precisamos estar imbuídos de amor, centrados em Jesus Cristo, que é o Amor por excelência, como nos ensina S. João: “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.” (1 Jo 4, 8)

Falando de reparação, Nossa Senhora pediu à irmã Lúcia em Pontevedra, Espanha, a devoção reparadora dos cinco primeiros sábados. Ela pediu que fizéssemos quatro atos reparadores, para reparar o seu coração Imaculado. Disse a SS. Virgem:
Olha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam, com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar e diz que todos aqueles que durante 5 meses, ao 1.° sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço e Me fizerem 15 minutos de companhia, meditando nos 15 mistérios do Rosário, com o fim de Me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas.” (Memórias da Ir. Lúcia)

A Virgem Maria disse “Tu, ao menos, vê de Me consolar” para enfatizar que cada um de nós precisa assumir pessoalmente a sua parcela de contribuição na vivência da santidade e dos atos reparadores.
Agora que já sabemos o que é reparação, podemos praticar os atos reparadores ensinados por Nossa Senhora, oferecendo a Deus os sofrimentos involuntários que nos surpreendem quotidianamente e também aqueles voluntários através das penitências que fazemos, para reparar o Coração Imaculado da Santíssima Virgem e o Coração de Nosso Senhor.

Nossa Senhora nos pediu em todas as aparições de Fátima a oração diária do Terço para alcançarmos a paz. Ela quis escolher esta oração, por ser uma oração cristocêntrica, onde meditamos os mistérios, da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e também por ser uma oração acessível a todos. A Virgem nos ensina a grande importância da perseverança na nossa vida de oração como elemento imprescindível para a nossa comunhão com Deus e para a nossa salvação.

beatificacao de Francisco e Jacinta
 (Foto: fatimPapa João Paulo II no Santuário de Fátima, na beatificação de Francisco e Jacinta Marto, 2000a.pt)
 
Entrar na “escola de Maria

Ela ensinou aos pastorinhos a amar a Nosso Senhor, concedendo-lhes um profundo desejo de consolar o Seu coração, de converter os pecadores e reparar o Seu Coração.

Conforme São João Paulo II falou na homilia da beatificação do Francisco e da Jacinta (2000), devemos nos matricular na escola de Maria, pois Ela nos mostra um caminho rápido e seguro para o Céu. Pedi aos vossos pais e educadores que vos metam na «escola» de Nossa Senhora, para que Ela vos ensine a ser como os pastorinhos, que procuravam fazer tudo o que lhes pedia. Digo-vos que «se avança mais em pouco tempo de submissão e dependência de Maria, que durante anos inteiros de iniciativas pessoais, apoiados apenas em si mesmos» (S. Luís de Montfort, Tratado da verdadeira devoção à SS.ma Virgem, nº 155). Foi assim que os pastorinhos se tornaram santos depressa.

Que Nossa Senhora nos ajude enquanto peregrinos no tempo, a sermos alunos assíduos na Sua escola, para que possamos progredir na vivência do evangelho, trazendo Jesus para o centro da nossa vida. Desta forma contemplaremos nas nossas vidas o cumprimento da Sua promessa amorosa: “Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará”! (Memórias da Ir. Lúcia)

Áurea Maria
Missionária da Comunidade Canção Nova, que residiu por 10 anos na Frente de Missão de Fátima, Portugal

Filipe Martins é obstáculo para China e sua demissão pode ser benéfica para Brasil, diz especialista

Covid-19 no mundo

 
Casos confirmados
147.969.068
Pacientes recuperados:
85.664.676
Mortes:
3.123.483

Brasil

Embora não assuma, China vê Filipe Martins, assessor da Presidência para assuntos internacionais, como obstáculo e pode pressionar para tirá-lo do cargo nos bastidores, disse especialista à Sputnik Brasil.

Apelidado entre seus detratores de Robespirralho - referência ao fato dele ser muito jovem e uma menção ao líder jacobino da Revolução Francesa Robespierre - Filipe Martins, embora não seja quadro do Itamaraty, representa a permanência da ala olavista na polícia externa do governo Bolsonaro, após a demissão do chanceler Ernesto Araújo. 

Muitas dos discursos e falas do presidente considerados agressivos são colocados na conta da influência de Martins sobre Bolsonaro e seus filhos. Segundo a coluna da jornalista Bela Megale, de O Globo, a Embaixada da China estaria pressionando o governo para que o assessor seja demitido. 

Para o cientista político Paulo Velasco, coordenador do programa de pós-graduação em relações internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), embora não ocorra de forma direta, a China pode sim estar pressionando pela saída de Martins do cargo. 

"Não acho improvável, isso é relativamente comum na diplomacia, nas relações entre Estados. esse tipo de pressão acontece. Claro que não é uma coisa direta. Mas se um país identificar um obstáculo concreto na relação com outro, pode querer remover esse obstáculo, que pode ser um lobby que contraria interesses ou uma pessoa da burocracia em Brasília", disse o especialista. 

Gesto supremacista

Martins já ficou várias vezes ameaçado no cargo e agora está na corda bamba mais uma vez. Na semana passada, a Polícia Legislativa concluiu que o assessor cometeu crime de preconceito durante uma audiência no Senado.

Na ocasião, Martins acompanhava a fala do então ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo sobre os esforços do Itamaraty para viabilizar a aquisição de vacinas contra a COVID-19. 

O assessor estava sentado atrás dele na sala do plenário virtual e, durante discurso de abertura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), Martins juntou os dedos indicador e polegar da mão direita de forma arredondada e passou sobre o paletó do terno que trajava.

O gesto foi considerado obsceno pelos parlamentares e associado a uma saudação utilizada por supremacistas brancos, já que a mão posicionada desse jeito forma as letras WP (white power, ou poder branco). Além disso, o Ministério Público deu um prazo para que Martins dê explicações sobre o ocorrido. A pressão da China para sua demissão teria aumentado após esse fato. 

'Brasil já se livrou de Ernesto Araújo'

"Quando a gente pensa nos incômodos causados com a China, o Brasil já se livrou do Ernesto Araújo, mas o Filipe Martins, conseguiu se manter no cargo. Embora seja um posto que perdeu um pouco de seu poder, ainda tem o deu destaque”, ressaltou Velasco. “Removê-lo do cargo representaria uma maior fluidez nas relações do Brasil com a China, o que é tudo o que a China quer, e tudo o que o Brasil, convenhamos, precisa", acrescentou. 

Nesta segunda-feira (10), o governador de São Paulo, João Doria, culpou a diplomacia brasileira pelo fato de 10 mil litros de insumos para a fabricação da vacina CoronaVac estarem retidos em território chinês. 

'No final da fila'

Em ocasiões anteriores, a dificuldade de trazer os insumos da China para o Brasil foi vista como uma retaliação do país asiático a declarações de membros do governo Bolsonaro, ou dos filhos do presidente. 

"Claro que os chineses não vão reconhecer isso abertamente, mas a China pode criar dificuldades e alegar fatores técnicos. Isso é mais comum do que a gente pensa nas relações entre os Estados. Embora os dois lados neguem, o Brasil diga que não politiza a vacina, e a China que são questões técnicos, vimos isso acontecer no passado. Na pior das hipóteses, o Brasil fica no final da fila. Simples assim”, disse Paulo Velasco. 

Martins é 'corresponsável'

Para o senador Humberto Costa (PT-PE), membro da Comissão de Relações Exteriores do Senado, a “gestão do ex-ministro Araújo foi trágica para o Brasil, para seus interesses comerciais e, particularmente, ao longo da pandemia da COVID-19”. 

"O chanceler dificultou sempre que pôde o relacionamento com produtores importantes de insumos, como Índia e China. “Quanto a Filipe Martins, na condição de ser o principal conselheiro do presidente da em política externa, é também corresponsável por essa situação que vivemos hoje: conflitos desnecessários, de confrontações inúteis, com a China em particular, trazendo prejuízo grave ao nosso país", disse o parlamentar à Sputnik Brasil.

AS RELAÇÕES SINO-AFRICANAS

As relações sino-africanas é um assunto que tem interessado o mundo acadêmico e a política internacional. Durante as lutas de libertação nacional, a China apoiou o continente africano, ganhando assim a confiança do mesmo. A expansão chinesa para a África é de extrema importância para o continente, que vê nesse país um aliado que não impõem condições especiais para a realização de investimentos e apoio político.

O grande desenvolvimento chinês das últimas décadas gerou mudanças radicais nas conexões internacionais entre a Ásia e o resto do mundo. A aproximação com a África, até então marginalizada na economia mundial, se mostra fundamental para essa mudança. A grande demanda chinesa por matérias primas, fontes de alimentos e de energia, e por mercados consumidores, impacta positivamenteas economias africanas. Essa aproximação, entretanto, tem gerado uma série de críticas, sobretudo das potências Ocidentais, que veem suas estruturas de dominação sendo corroídas e seu espaço nocontinente sendo diminuído, sendo Pequim acusada de promover um “neocolonialismo à chinesa”. O envolvimento da China, contudo, é bem visto pelos africanos, que percebem nesses investimentos a intenção chinesa de estabelecer uma ligação duradoura com o continente. Estaria a China se tornando            efetivamente um polo imperialista ou um parceiro do desenvolvimento africano? É uma questão a que este artigo busca responder.
 
A cooperação China-África e a hipocrisia ocidental

Nos anos 90, Pequim apostou na diplomacia Sul-Sul: passou a investir mais no continente africano, sem imposição político-militar, alavancando projetos nacionais de desenvolvimento. Mas isso despertou a soberba das potências ocidentais…

Kiir Mayardit, presidente do Sudão do Sul, cumprimenta o presidente chinês, Xi Jinping. Imagem: EPA/EFE

Texto do cientista político e geógrafo brasileiro Diego Pautasso, que estuda o país asiático há 15 anos. 

A densificação das relações sino-africanas remonta ao quadro de forças emergido no Pós Guerra Fria. A China buscava evitar o isolamento internacional após os eventos da Praça da Paz Celestial (1989) e o sequencial colapso do campo socialista. Assim, mobilizou esforços para garantir fontes de recursos (hidrocarbonetos, alimentos e matérias-primas) e a paralela abertura de novos mercados, capazes de contribuir com seu acelerado processo de modernização. O panorama de marginalização do continente africano no ciclo de globalização neoliberal foi percebido pela China como oportunidade, e permitiu a conformação daquilo que os chineses intitularam de diplomacia zhoubian (periférica).

Desde então, são ascendentes as relações entre a China e os países do continente africano, como bem evidenciam os números. Se em 1996 o fluxo comercial era de US$ 4 bilhões, em 2000 já chegava em US$ 10 bilhões, e mais contemporaneamente, em 2018, em quase US$ 185 bilhões – bem acima dos US$ 61,8 bilhões do fluxo comercial do continente com os Estados Unidos da América (EUA) no mesmo ano. Nesse mesmo sentido, os investimentos externos diretos (IED) chineses na África vêm aumentando constantemente. Entre 2003 e 2018, o número passou de US$ 75 milhões para US$ 5,4 bilhões – ultrapassando o montante dos EUA desde 2014, já que estes têm diminuído seus investimentos na África desde 2010. 

Ressalte-se que a China tem instituído Zonas Econômicas Especiais (ZEEs) no continente africano, impulsionando a geração de empregos, a industrialização e a consequente redução da pobreza em muitos de seus países.  Entre 2003 e 2015, a ajuda ao desenvolvimento prestada pela China ao continente africano aumentou constantemente, passando de US$ 631 milhões em 2003 para quase US$ 3,3 bilhões em 2018. 

Ainda mais importante, a cooperação multilateral se multiplicou e se institucionalizou. Seu mais relevante mecanismo é o Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), criado em 2000, que realiza Conferências Ministeriais a cada três anos, sediadas de forma alternada entre a China e os países africanos, elaborando complexos Planos de Ações. Além disso, com a cooperação China-África em constante expansão e aprofundamento, vários fóruns foram estabelecidos no âmbito do próprio FOCAC, tais como o Fórum do Povo China-África, o Fórum de Jovens Líderes China-África, o Fórum Ministerial de Cooperação em Saúde China-África, o Fórum de Cooperação Mídia China-África, a Conferência de Desenvolvimento e Redução da Pobreza China-África, o FOCAC-Fórum Jurídico, o Fórum sobre a China Cooperação entre governos locais, entre outros. As relações da China com a União Africana ou mesmo o papel da África do Sul no BRICS intensificam ainda mais estas interações.  

A revista inglesa The Economist e sua capa-denúncia da presença chinesa da África, preocupação das potências ocidentais.

Traçados esses parâmetros empíricos, é possível refletirmos sobre as abordagens ocidentalistas voltadas a configurar a presença da China na África como imperialista ou neocolonial. E nisso reside o entrelaçamento entre a má-fé patrocinada pelo centro do sistema com certas tendências etnocêntricas e até mesmo profundas incompreensões teóricas acerca dessas dinâmicas. Por um lado, atribuir perfil neocolonial à atuação chinesa na África significa assumir o desconhecimento acerca da história do imperialismo do século XIX e mesmo das práticas atuais das grandes potências norte-atlânticas, notadamente dos Estados Unidos da América, pautadas nas mais diversas ingerências externas diretas e indiretas em diversas regiões do globo. 

Por outro lado, é preciso considerar que, apesar das assimetrias, há importantes pontos de convergência entre os países emergentes e os países periféricos, em razão das disputas pela distribuição de poder no mundo. Ou seja, o relacionamento Sul-Sul se torna uma alternativa crucial para resistir aos constrangimentos que os países periféricos e emergentes estão submetidos ao adotarem seus projetos de desenvolvimento nacionais não alinhados aos interesses norte-atlânticos. Assim, não raramente estes mobilizam suas estruturas de poder e seus princípios legitimadores, como a defesa da “democracia”, dos “direitos humanos” e da “liberdade” para impor seus interesses. 

Em outras palavras, o imperialismo não pode ser reduzido ao processo de exportação de capitais, e de fato nunca foi, afinal a soberania política, a autodeterminação e o desenvolvimento nacionais conformam, conjuntamente, uma complexidade infinita de variáveis. Se as relações interestatais estão impregnadas de interesses nacionais e corporativos, de conflitos e assimetrias, é preciso compreender os padrões de relacionamento levando em conta a correlação de forças e as alternativas políticas em questão. Não se pode, pois, negligenciar que as relações sino-africanas não têm sido baseadas em qualquer imposição de modelos político-institucionais e de ajustes macroeconômicos; não recorrem às práticas de desestabilização e ingerências políticas e militares; têm proporcionado vantajosas condições de financiamento e disposição para a cooperação tecnológica; e ainda possuem uma agenda diplomática em muitos aspectos convergentes no que se refere à reorganização da governança do sistema internacional.

Aliás, segundo Deborah Bräutigam, uma das maiores especialistas nas relações entre China e África, os recorrentes argumentos anti-chineses não se sustentam quando confrontados com a realidade: cerca de 75% dos trabalhadores em obras chinesas no continente são africanos; longe de atenderem a interesses especulativos, 70% dos empréstimos servem às obras de infraestrutura energética e de transporte, com taxas de juros baixas e longos períodos de pagamento; e, apesar de setores midiáticos anunciarem com tom catastrofista que empresas chinesas já teriam adquirido “6 milhões de hectares” de terras africanas (que na verdade não ultrapassam a marca de 1% de todas as terras agricultáveis da África), sequer o dado é verdadeiro, afinal pesquisas indicam a compra de apenas 240.000 hectares (ou seja, apenas 4% da porção relatada).

Isto não quer dizer que a presença da China e dos demais países emergentes na África esteja isenta de problemas e contradições. Ou seja, de modo algum se deve negligenciar as agendas conflitantes das distintas nações, os conflitos sociais intra e interestatais ou os embates entre os interesses governamentais e de certas corporações. No entanto, o dado central dessa questão reside no fato de que a presença dos emergentes – especialmente da China, mas também do Brasil, Índia e demais – têm ocorrido em prejuízo das grandes potências norte-atlânticas, sobretudo das antigas detentoras de vastos impérios coloniais (França, Reino Unido, Bélgica e Portugal), dos “desinteressados” e “altruístas” países nórdicos e da grande superpotência mundial, os EUA. A mesma carga dos frágeis argumentos que ataca as relações dos países africanos com a China também já foi utilizada quando do crescente adensamento dos vínculos entre o Brasil e os países africanos e até mesmo com seus vizinhos sul-americanos. Como exemplo, foi amplamente estimulada por veículos midiáticos franceses e ativistas políticos desorientados para obstruir relevantes iniciativas como a cooperação trilateral Brasil-Japão-Moçambique para a implementação do ProSavana em Moçambique, que teria crucial participação da Embrapa.

Assim, distintamente do que vem sendo apontado pelos formuladores do “neocolonialismo chinês” (ou até mesmo do “subimperialismo brasileiro”), essas relações têm se constituído, de forma geral, num flagrante elemento de promoção da estabilidade e desenvolvimento – e endossadas sem mecanismos de imposição político-militar ou técnicas de regime change. Isso ocorre porque se apresentam como alternativas para os países africanos na busca por melhores condições de crédito, pela atração de investimentos, pela obtenção de cooperação técnica, pelo fortalecimento de suas soberanias e, consequentemente, por maior convergência diplomática nas articulações em prol das reformas dos principais organismos multilaterais globais. Longe de representarem anseios imperialistas ou predatórios, atuam no sentido contrário, e exatamente por isso se tornam alvo predileto daqueles que, por detrás da retórica da liberdade e de um denuncismo de frágil sustentação empírica, visam sustentar as apodrecidas estruturas de dominação que lhes garantem um lugar ao sol.

DULCE PONTES

Estados do Nordeste apresentam novos documentos à Anvisa para tentar liberar Sputnik V

 Um pacote da vacina russa Sputnik V, em foto de 30 de abril de 2021, em uma indústria automotiva em Novosibirsk, na Rússia

Brasil
Brasil enfrentando COVID-19 no início de maio (20)

 Os estados do Nordeste apresentaram à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) novos documentos sobre a vacina russa Sputnik V nesta terça-feira (4).

Foram dois documentos enviados: um relatório do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya (Centro Gamaleya) e uma manifestação técnica do Comitê Científico de Combate ao Coronavírus do Consórcio do Nordeste, formado pelos nove estados da região. Ambos foram publicados pelo site Brasil 247.

No relatório do Centro Gamaleya, que foi traduzido do inglês, há esclarecimentos sobre o imunizante. Em um dos trechos, o Centro Gamaleya aponta que houve "entendimento incorreto dos relatórios" por parte da Anvisa. Em outra parte do documento, diz que houve uma "interpretação incorreta".

Na manifestação técnica, o Consórcio Nordeste defende a eficácia e segurança da Sputnik V, argumentando que os dados já foram provados em testes clínicos e publicados em revistas científicas de alto prestígio, além de citar a vacinação em massa em diversos países.

Em paralelo ao envio dos documentos, os governadores do Piauí, Wellington Dias, e do Pará, Helder Barbalho, se reuniram com o embaixador da Rússia em Brasília, Aleksei Labetskiy. Durante a conversa, o interesse dos estados nordestinos na vacina russa foi reafirmado.

Três mísseis atingem base aérea com militares dos EUA no norte do Iraque

Lusa

Lusab

Os três mísseis do tipo Katiusha não causaram baixas.

Pelo menos três mísseis atingiram esta segunda-feira uma base aérea militar no norte de Bagdad, capital do Iraque, onde estão aquartelados militares norte-americanos.

A informação é adiantada pela France-Presse (AFP), que cita um oficial dos serviços de segurança, sob a condição de anonimato.

Segundo a EFE, os três mísseis do tipo Katiusha que atingiram a base de Al Balad não causaram baixas.

A base é o quartel-general de uma empresa de manutenção de caças F-16 dos Estados Unidos.

O chefe da base, general Diaa Mohsen confirmou o ataque em declarações à agência estatal iraquiana INA.

Atentado não causou "danos significativos"

Segundo a INA, o atentado não causou "danos significativos" em Al Balad, uma das maiores bases aéreas do Iraque e alvo deste tipo de atentado em várias ocasiões.

Este é o segundo ataque em menos de 24 horas, depois de duas granadas de morteiro atingirem na noite de domingo o aeroporto de Bagdad, onde um contingente norte-americano está destacado, na sequência da coligação internacional contra o autodenominado Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS, na sigla inglesa).

Estes incidentes ocorrem na mesma altura em que Teerão está a tentar retomar o diálogo sobre o programa nuclear com Washington, o principal inimigo a par de Israel, e com Riade, o grande rival na região e que também partilha fronteiras com o Iraque.

O ataque não foi reivindicado imediatamente, mas dezenas de ações similares têm sido atribuídas por Washington aos grupos armados iraquianos a favor do Irão. Um dos engenhos foi intercetado pelos sistemas de defesa C-RAM, indicou à AFP um responsável dos serviços de segurança sob a condição de anonimato.

No total, e desde a chegada ao poder no final de janeiro do Presidente dos Estados Unidos da América, o democrata Joe Biden, cerca de 30 ataques visaram colunas logísticas iraquianas da coligação internacional contra os jihadistas liderada por Washington, bases com a presença de militares norte-americanos ou representações diplomáticas.

Dezenas de outros ataques também foram dirigidos contra norte-americanos, incluindo funcionários contratados, desde o outono de 2019 e durante a administração do republicano Donald Trump, com diversos mortos e feridos, à semelhança do que tem acontecido desde janeiro.

Em meados de abril, os ataques atingiram um novo patamar, quando pela primeira vez fações iraquianas a favor do Irão efetuaram um ataque com um drone suicida sobre uma base com militares norte-americanos no aeroporto de Ebril, o norte curdo do país.